Habitar o mundo com o olhar de Cristo

Foto: Camilo José Vergara/Settimana News

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18 Agosto 2026

Não se trata de opor-se ao mundo, mas de aprender a reconhecer os sinais da presença de Deus nele. Essa é a perspectiva que norteou a Escola Nacional de Evangelização e Formação de Catequistas, realizada em Asolo de 12 a 19 de julho, que convidou catequistas e formadores de toda a Itália a abordar uma questão crucial para a Igreja hoje: como proclamar o Evangelho em uma sociedade em transformação?

A informação é da Escola Nacional de Formadores em Evangelização, publicada por Settimana News, 16-08-2026.

O que significa ser evangelizador em uma época marcada pela secularização, hiperconectividade e profundas transformações culturais? A resposta proposta pela Escola Nacional de Evangelização e Formação de Catequeses não envolveu primordialmente novas estratégias pastorais, mas sim uma conversão de perspectiva.

O tema central da semana, intitulado significativamente "Proclamadores Além da Aparência", foi capturado nas palavras do prólogo de João: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14). Este versículo não apenas evoca o mistério da Encarnação, mas também sugere um estilo de presença no mundo. Deus não salva a humanidade à distância: Ele escolhe habitá-la. Ele entra na história, assume a fragilidade da condição humana e compartilha a vida humana em sua plenitude.

Dessa certeza surge também uma compreensão diferente do mundo.

No Evangelho, aliás, o "mundo" é uma realidade ambivalente: pode indicar aquilo que se opõe a Deus, mas também é aquilo que o Pai ama tanto que deu o seu próprio Filho. Manter essas duas dimensões unidas significa evitar tanto a ingenuidade quanto a oposição. Significa reconhecer que o mundo, embora marcado por suas contradições, permanece o lugar onde Deus continua a agir.

Essa é a perspectiva que o Concílio Vaticano II  transmitiu à Igreja e que a Semana de Asolo reafirmou com veemência. Não se trata de adaptar o Evangelho ao espírito da época, mas de reconhecer que o Filho de Deus já escolheu o mundo como sua morada. A evangelização, portanto, não consiste em levar Deus aonde ele está ausente, mas sim em reconhecer, iluminar e acompanhar a sua presença já atuante na história.

Proclamar além das aparências significa aprender a ver com os olhos de Cristo. Significa ir além das estatísticas que apenas relatam o declínio da prática religiosa, além do pessimismo que vê cada mudança como uma derrota, além da nostalgia por um passado que jamais retorna. Significa treinar-nos para reconhecer as sementes do Reino já presentes nas pessoas, nos relacionamentos, na busca por sentido, na luta por justiça, na solidariedade, muitas vezes silenciosa, que permeia o nosso tempo.

Essa perspectiva também desafia profundamente a formação dos catequistas. A Igreja precisa não apenas de pessoas versadas no conteúdo da fé ou capazes de organizar atividades, mas também de homens e mulheres educados num olhar contemplativo, capazes de interpretar a realidade com os mesmos sentimentos de Cristo. Essa formação não se limita a transmitir conhecimento, mas molda um estilo de presença.

Toda a semana em Asolo buscou incorporar esse método, alternando palestras, oficinas, discussões e confraternização. Mais do que um curso de reciclagem, foi um laboratório eclesial no qual a reflexão estava continuamente entrelaçada com a experiência.

Entre os destaques, esteve o encontro com o editor-adjunto do Avvenire, Marco Ferrando, que ofereceu uma reflexão sobre a relação entre informação, discernimento e responsabilidade educativa, permitindo também aos participantes assistir a uma reunião da redação do jornal.

"A princípio, eu me perguntava qual seria a contribuição de um jornal para a catequese", diz Adriana Scapin, catequista da Diocese de Pádua. "Encontrei a resposta ao observar um estilo editorial que busca se manter próximo dos leitores, não para perseguir consensos, mas para oferecer uma narrativa confiável que respeite a complexidade da realidade."

Uma reflexão compartilhada por Giovanni Padograsi, catequista da Diocese de Albano: "Na era da inteligência artificial e das notícias falsas, foi maravilhoso ver uma equipe editorial onde homens e mulheres se reúnem várias vezes ao dia para ler, discernir e verificar as notícias antes de publicá-las. É um método que também se relaciona com a catequese."

Daniela Vinazza, catequista da Diocese de Roma, também enfatizou como as intervenções de D. Marco Ferrando, bispo de Belluno-Feltre, Pe. Renato Marangoni e a equipe de formação demonstraram "a importância de nunca separar a proclamação da vida". Nos workshops, acrescentou, "aprendemos a nos questionar sobre nossas fraquezas e preconceitos, experimentando o amor de Deus para nos tornarmos proclamadores mais autênticos".

Das palavras dos participantes, emerge uma convicção comum: a evangelização surge, antes de tudo, de uma Igreja que sabe ouvir.

Svitlana Prokopchuk, secretária do Escritório Catequético e coordenadora dos cursos do Exarcado Apostólico para católicos ucranianos de rito bizantino residentes na Itália, expressa isso com particular intensidade: "Minhas raízes estão no mundo. Meu coração está no mundo. Minha missão é para o mundo." Ela acrescenta: "Nestes dias, experimentamos o que significa ser uma só família, apesar de virmos de origens muito diferentes. Estamos unidos pela consciência de que nosso serviço consiste não apenas em transmitir conteúdo, mas em testemunhar o amor de Deus."

Ao final da semana, ninguém saiu apenas com novas habilidades. Em vez disso, saíram com uma pergunta destinada a guiar a jornada das comunidades cristãs: como podemos habitar o mundo com os mesmos sentimentos de Cristo Jesus?

Uma resposta também ressoou nas palavras do teólogo Pierangelo Sequeri, relembradas durante a viagem: a Igreja é chamada a voltar a ser "a Igreja do amor ao próximo", uma Igreja capaz de ser movida pela humanidade que nos une.

Talvez este seja o legado mais precioso da semana em Asolo. Em um tempo que muitas vezes nos convida a contrapor fé e mundo, o caminho da Encarnação continua a apontar em outra direção. Deus sempre nos precede. Portanto, a primeira tarefa do evangelizador não é conquistar o mundo, mas aprender a reconhecer, com humildade e admiração, os sinais de sua presença na história dos homens e mulheres do nosso tempo.

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