Valdo e Francisco de Assis: duas experiências cristãs diferentes. Artigo de Francesca Tasca

Foto: Wikimedia Commons

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13 Agosto 2026

"O livro publicado por Claudiana desenvolve, antes de mais nada, um retrato duplo e progressivo de Valdo e Francisco, no qual as duas figuras são definidas pelo contraste. Mas os dois eventos — por um lado, a dura condenação como herege; por outro, a rápida canonização", escreve Francesca Tasca, doutora em História, professora de ensino médio em Bergamo e especialista em grupos cristãos minoritários e dissidentes, em artigo publicado por Settimana News, 11-08-2026.

Eis o artigo.

"Toda a Idade Média está presente em Francisco de Assis", escreve o historiador francês Jacques Dalarun. Essa afirmação pode ser estendida à comparação entre Francisco de Assis e Valdo de Lyon: em suas duas diferentes visões cristãs, em seus dois diferentes destinos, toda a Idade Média está presente. E isso fica muito claro no livro Valdo de Lyon e Francisco de Assis: Duas Experiências Cristãs.

O livro publicado por Claudiana desenvolve, antes de mais nada, um retrato duplo e progressivo de Valdo e Francisco, no qual as duas figuras são definidas pelo contraste. Mas os dois eventos — por um lado, a dura condenação como herege; por outro, a rápida canonização — também permitem vislumbrar com clareza a dinâmica subjacente da Idade Média. E, talvez, não apenas da Idade Média.

"Valdo de Lyon e Francisco de Assis: Duas experiências cristãs", livro de Francesca Tasca (2025).

O livro parte de uma pergunta recorrente: "Mas por que Valdo foi condenado como herege enquanto Francisco se tornou santo?" Essa pergunta legítima surge da observação, em ambos os homens, da escolha marcante e inegável de uma pobreza que apresenta características semelhantes: é uma pobreza voluntária, radical, a pobreza do Novo Testamento.

À primeira vista, pode parecer a mesma escolha em relação à pobreza. Mas não é. Em Valdo, a pobreza é apostólica; em Francisco, a pobreza é cristã.

Em Valdo, a pobreza é fundamental para a pregação, obedecendo ao mandamento de Marcos 16,15: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura". É uma pobreza pragmática que permite deslocar-se com rapidez e facilidade pelo mundo, concentrando-se na proclamação universal e itinerante. Ela se baseia nas instruções encontradas em Mateus 10: as instruções dadas por Jesus Cristo aos apóstolos, enviando-os ao mundo para proclamar.

Em Francisco, a pobreza é crística e kenótica. É o esvaziamento de si, a humilhação de si, o despojamento da própria vontade. Remete à kenosis de Jesus Cristo, isto é, à encarnação, como descrita nas palavras de Paulo em 2 Coríntios 8,9: "Cristo, sendo rico, se fez pobre". Pode-se, portanto, dizer que em Valdo de Lyon há a imitatio apostolorum, enquanto em Francisco de Assis prevalece a sequela Christi.

Apesar das interpretações mais tradicionais, que buscam principalmente convergências e paralelos entre Valdo e Francisco, este volume procura destacar as divergências entre as duas experiências cristãs. Essas divergências se manifestam de diversas maneiras. Vejamos algumas delas aqui (para uma análise mais detalhada e completa, recomenda-se a leitura do livro).

Tomemos como primeiro exemplo a sua relação com a cultura escrita. Valdo desejava possuir as Escrituras: queria tê-las fisicamente em suas mãos, queria conhecê-las diretamente, queria lê-las, folheá-las, estudá-las e aprender com elas. Por essa razão, encomendou, às suas próprias custas, uma dispendiosa tradução dos livros bíblicos para a língua vernácula. Mas não só isso. Ele também queria complementar o texto bíblico com as ferramentas interpretativas em uso na época: glosas, comentários e autoridades patrísticas.

Francisco, no entanto, demonstrava uma atitude contraditória em relação aos livros. Por um lado, venerava as próprias Escrituras (prostrou-se diante do Evangelho e praticou a bibliomancia diversas vezes). Por outro lado, porém, rejeitava os livros, mesmo de forma extrema e intransigente, inclusive os livros para a vida religiosa diária. Francisco queria reduzir os livros ao mínimo indispensável na vida dos frades: porque eram caros e porque transmitiam um conhecimento considerado vazio e perigoso. O único livro considerado verdadeiramente necessário era o Evangelho puro. Todo o resto era supérfluo.

Mesmo no que diz respeito ao trabalho, podem ser encontradas duas visões radicalmente diferentes.

Waldo rejeitou todo trabalho braçal. Todas as suas energias seriam dedicadas à pregação itinerante, sem concessões. E os pregadores tinham direito a um sustento digno. A base bíblica estava nas palavras de Paulo: "O Senhor ordenou aos que pregam o evangelho que vivam pelo evangelho" (1 Coríntios 9,14). Waldo rompeu com todos os pactos com o trabalho: uma escolha potencialmente muito ameaçadora para o status quo.

Com Francisco, porém, o trabalho manual era obrigatório e prescrito firmemente para todos os frades. Supostamente, era um trabalho precário e não remunerado, concebido não para gerar lucro, mas para evitar a ociosidade. Francisco, portanto, não questionou o sistema de trabalho vigente: aceitou-o e escolheu viver dentro dele, mas em seus níveis mais baixos, frágeis e marginais, em consonância com sua própria escolha de submissão.

Em latim medieval, esse tipo de trabalho era chamado de «laboritium», ou seja, trabalho ocasional, cotidiano e mal remunerado.

Outro aspecto que diferencia bastante Valdo e Francesco é a relação deles com as mulheres.

Entre as primeiras gerações de valdenses, havia também mulheres envolvidas na pregação itinerante e desempenhando papéis ativos na evangelização. Valdo reconhecia a voz e a capacidade de ação das mulheres. E enquanto os pregadores valdenses (chamados de "apóstolos" por seus detratores, de forma desdenhosa, mas incisiva) percorriam as ruas do mundo proclamando sua mensagem livre e veementemente, em San Damiano, na comunidade das Damas Pobres fundada por Clara de Favarone, prevaleciam o silêncio, o isolamento e a imobilidade.

Mas não só isso: Francisco tinha o cuidado de manter as mulheres bem longe de si e de seus frades: em seus escritos, suas instruções a esse respeito são peremptórias e inequívocas. Consideremos também o episódio emblemático narrado por Tomás de Celano, conhecido como "o sermão do silêncio": chamado para pregar em São Damião, Francisco cede relutantemente aos insistentes pedidos. Mas, uma vez lá, permanece imóvel, em silêncio, com cinzas sobre a cabeça, no centro de um círculo de cinzas, criando uma verdadeira barreira protetora, modelada nos círculos de sal ou desenhados com varinhas ou facas, típicos dos rituais mágico-supersticiosos.

Outra questão fundamental é a obediência.

E será isso que decidirá seu destino, se heresia ou santidade. Com Valdo, surge uma comunidade caracterizada pela horizontalidade, onde não há líder e ninguém é líder. Francisco, por sua vez, propôs uma fraternidade caracterizada pela subordinação, submissão, até mesmo mútua. Se Valdo idealmente afirma: "Que ninguém mande!", Francisco idealmente responde: "Que todos sirvam!"

Além disso, para Valdo, a autoridade pode ser questionada. A referência é Atos 5,29: "É preciso obedecer a Deus antes do que aos homens". Francisco, no entanto, declara submissão deliberada e plena às hierarquias e instituições eclesiásticas: a obediência é total e incondicional.

O destino oposto pode ser visto hoje nas duas cidades de origem.

Valdo, o "novo apóstolo", é expulso de Lyon e apagado da memória de sua cidade: a rua onde viveu por muitos séculos será chamada de "rua amaldiçoada". De resto, a cidade de Lyon praticamente se esqueceu de Waldo. Uma verdadeira damnatio memoriae.

Francisco, o "novellus pazzus", escolheu a Porciúncula em Santa Maria degli Angeli como seu "quartel-general": fora das muralhas de Assis, mas perto de sua cidade natal, para onde retornava para pregar e mendigar. Sabe-se que, após o escárnio inicial, Assis o reconheceu com grande orgulho.

E após a sua morte, nasceu um laço muito forte e intrínseco entre Francisco e Assis. Tanto que a cidade de Assis assumiu uma identidade que — baseada na pessoa de Francisco — o transcendia. Por exemplo, foi escolhida pelo Papa João Paulo II em 1986 para o primeiro grande encontro inter-religioso — encontros que continuam até hoje e que estimulam conversas sobre o "espírito de Assis", religiões e humanistas pela paz.

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