Arcebispo Wenski: O destino dos migrantes haitianos está nas mãos do Senado

Foto: ONU/MINUSTAH/Logan Abassi

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25 Junho 2026

Seria um ato de extrema crueldade por parte dos Estados Unidos enviar famílias de volta a condições tão perigosas e inseguras. Fazer isso só agravaria a crise humanitária em curso no Haiti.

O artigo é de Dom Thomas G. Wenski, arcebispo da arquidiocese de Miami, publicado por America, 24-06-2026. 

Eis o artigo. 

A Câmara dos Representantes aprovou recentemente um projeto de lei que estenderia as proteções do TPS (Status de Proteção Temporária) para haitianos por mais três anos — uma tábua de salvação crucial para aqueles que estão desesperados para evitar retornar ao caos na ilha, que poderia ser descrita como uma “casa em chamas”.

Este projeto de lei — que também precisa da aprovação do Senado — oferece um alívio aos mais de 350.000 haitianos que hoje vivem e trabalham legalmente nos Estados Unidos sob a proteção do TPS.

Essas proteções terminarão em breve porque o governo determinou, inexplicavelmente, que as “condições do país” melhoraram o suficiente para que os haitianos nos EUA possam ser enviados de volta para casa. No entanto, o Haiti continua sendo um país à beira do colapso.

Desde o terremoto devastador de 2010, que matou mais de 250.000 pessoas em um único dia e deixou milhões de desabrigados, o país tem enfrentado uma calamidade após a outra.

violência generalizada de gangues e sequestros, uma epidemia desenfreada de cólera e crescente insegurança alimentar. A falta de instituições estatais funcionais resultou em um colapso geral da segurança, com ataques contra mulheres e crianças tornando-se comuns.

Seria um ato de extrema crueldade por parte dos Estados Unidos enviar famílias de volta a condições tão perigosas e inseguras. Fazer isso só agravaria a crise humanitária em curso no Haiti.

Ao mesmo tempo, aproveitando as proteções oferecidas pelo TPS, incluindo a oportunidade de trabalhar legalmente, esses haitianos já se tornaram parte integrante e contribuinte de nossa sociedade.

Os haitianos neste país não estão “vivendo de auxílio governamental”; eles não são “um fardo para o Estado”. São trabalhadores esforçados que preenchem vagas de emprego que, não fosse por eles, ficariam em aberto. A expulsão repentina dos portadores do TPS haitiano teria consequências devastadoras para a economia de nossa nação.

Por exemplo, em instituições de saúde, como lares de idosos, a ética de trabalho haitiana é muito valorizada, inclusive fora da nossa comunidade no sul da Flórida. Em lugares como Indianápolis e Springfield, Ohio, onde haitianos foram falsamente acusados ​​de comer animais de estimação, líderes empresariais e alguns políticos de ambos os partidos afirmaram que a perda desses haitianos prejudicaria a economia local.

É claro que alguns argumentariam que "temporário" deveria significar temporário. Não posso discordar. O TPS foi aprovado pelo Congresso na década de 1990 porque os legisladores o viram como uma solução para aqueles que se encontravam nos EUA, mas que, devido às condições em seus países de origem, não podiam retornar para casa em segurança.

É verdade que se revelou uma ferramenta imperfeita — e que não pode substituir o árduo trabalho de reforma imigratória que o Congresso terá de empreender mais cedo ou mais tarde.

Mas, na ausência de qualquer outra alternativa viável, o TPS é o que temos disponível. E o Senado deveria juntar-se à Câmara dos Representantes na aprovação de uma prorrogação de três anos para os haitianos com TPS.

Como eu disse, isso daria aos haitianos um alívio, ainda que temporário; e, ao mesmo tempo, três anos poderiam dar aos nossos legisladores tempo para explorar soluções mais duradouras e viáveis.

Esta é certamente uma medida melhor do que tirar o chão debaixo dos pés das famílias sem nenhuma alternativa viável. E, sem dúvida, a deportação em massa de 350.000 homens, mulheres e seus filhos para um país em situação desesperadora não é uma alternativa viável.

Todos os dias, vejo as consequências humanas de decisões de políticas públicas, muitas vezes mal intencionadas, que resultam em incerteza crônica, medo e na desestruturação de famílias e comunidades inteiras. Agora cabe ao Senado votar "sim" para a prorrogação das proteções do TPS para haitianos

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