Khamenei: "Trump fez tudo o que pôde para chegar a um acordo, mas eu não concordei"

Foto: Wikimedia Commons | Mostafa Tehrani

Mais Lidos

  • “Discursos desse tipo ameaçam a democracia de forma evidente, são discursos que criam desconfiança nas instituições, em um país como o Brasil, onde a democracia não voltou há muito tempo”, afirma o pesquisador

    Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

    LER MAIS
  • Lula em reunião do G-7: "Eu nunca fui de esquerda"

    LER MAIS
  • O cardeal Camillo Ruini, teólogo anticomunista que liderou a Conferência Episcopal Italiana durante a era Berlusconi, faleceu

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

19 Junho 2026

As expectativas para a cerimônia em Lucerna foram frustradas. Vance disse: "Talvez eu vá à Suíça neste fim de semana". As negociações, que já duram 60 dias, estão em andamento.

A informação é de Gabriella Colarusso, publicada por La Repubblica, 19-06-2026.

Até mesmo o Burgenstock aguardava o momento de recuperar parte do seu encanto, o aperto de mãos entre Vance e Ghalibaf para ser lembrado por gerações, o fascínio do poder e da discrição, como quando, na década de 1960, o balneário suíço era um refúgio para celebridades e chefes de Estado, e não apenas um complexo de megaluxo para turistas ricos. Nada disso, por enquanto. Lucerna espera, e sua fortaleza também. A cerimônia de assinatura do acordo entre os Estados Unidos e o Irã não acontecerá. Oficialmente: porque já ocorreu, ainda que remotamente. Essencialmente, porque o impasse ainda é político.

Às quatro da tarde, o cais onde chegam os barcos vindos da cidade, descarregando filas de turistas ansiosos para subir ao cume, está deserto. O teleférico para o Burgenstock, com vista para o Lago Lucerna, voltará a funcionar na segunda-feira. A polícia suíça bloqueou a única estrada de acesso à montanha, sob um calor escaldante, incomum para essas altitudes. Ao longo do dia, a diplomacia de Berna confirma que o evento acontecerá. Quando Vance aparece em vídeo no meio da tarde para dizer que um acordo está em vigor, mas que a reunião ainda está pendente, até mesmo as autoridades suíças dão de ombros: "Sabemos tanto quanto vocês, estamos tentando resolver isso", diz uma delas aos repórteres.

Na televisão, Vance não explica o motivo: "Talvez eu vá para a Suíça neste fim de semana", "Depende dos iranianos", "É difícil sair do Irã", diz ele, mas esses argumentos não parecem irrefutáveis. Enquanto isso, o primeiro-ministro paquistanês, Sharif, que havia confirmado sua partida para Lucerna, cancelou e apagou o tweet que a anunciava.

Uma reunião poderia de fato ocorrer hoje, mas em nível técnico, talvez com a participação da AIEA. A questão é que ainda existem divergências políticas, e o discurso de Mojtaba Khamenei esta noite parece confirmar isso. O novo líder supremo do Irã está se mantendo distante do acordo com os americanos. Ele não o está boicotando, autorizando novas negociações diretas, mas também não o endossa. Ele revela que tinha "uma opinião diferente" e o apoiou porque seu povo trabalhou bem, mas foi o presidente Pezeshkian quem o assinou, "em sua qualidade de chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional", e ele assumirá a responsabilidade.

Em Teerã, os ultraconservadores, que chegaram a tentar mobilizar as ruas para impedir o acordo até o último momento, não desistem. "Ceder e retroceder em qualquer cláusula do acordo (respeito à soberania do Líbano e o fim da ocupação) encorajará o inimigo a renegar as demais cláusulas", brada o parlamentar ultrarradical Nabavian, que também fez parte da primeira equipe de negociação. Alguns chegam a dizer que os iranianos não estavam preparados para a foto do aperto de mãos entre Vance e Ghalibaf, após o massacre de Khamenei e de vários outros líderes políticos e militares pelos Estados Unidos. O que é certo é que as diferenças entre os Estados Unidos e o Irã são profundas em muitas das questões que o Memorando apenas menciona, a começar pela administração de Ormuz, sobre a qual os iranianos reivindicam soberania e controle, chegando a rejeitar a intervenção europeia na remoção de minas.

Thomas Greminger entende bastante de mediação complexa. Veterano da diplomacia europeia e ex-secretário-geral da OSCE, ele coordenou a mediação secreta da Suíça em um conflito latino-americano anos atrás e agora dirige o think tank Centro de Política de Segurança de Genebra. "Os 14 pontos contêm muitos princípios gerais que precisarão ser negociados. O JCPOA levou anos para ser concluído. A lógica é que a reunião de Burgenstock criará uma plataforma para discutir o início de negociações detalhadas", disse ele ao jornal Repubblica. Um roteiro claro é necessário: "Como serão as negociações, quem estará presente, em que ritmo, onde se reunirão". Acima de tudo, quem atuará como árbitro, "um mecanismo para determinar se há progresso". Questões estruturais moldam a substância, mas 60 dias podem não ser suficientes.

Leia mais