10 Junho 2026
O arquipélago no Oceano Índico abriga a base de Diego Garcia e também é estratégico para missões no Oriente Médio.
A informação é de Massimo Basile, publicada por La Repubblica, 09-06-2026.
Depois do Panamá e da Groenlândia, as Ilhas Chagos. O jogo de aquisições idealizado por Donald Trump está se expandindo para o Oceano Índico e, desta vez, também enfrenta oposição do governo local. O governo mauriciano declarou que não recebeu nenhuma proposta oficial dos Estados Unidos e que não foi contatado, direta ou indiretamente, a respeito de Diego Garcia ou de todo o arquipélago de Chagos, que, segundo o jornal The Telegraph, entrou na mira do governo americano, pronto para adquirir as ilhas de acordo com um plano delineado pelo Departamento do Tesouro. "A soberania sobre Chagos é inegociável", afirmou o governo mauriciano em um comunicado citado pela Reuters. A declaração veio após notícias de que a Casa Branca está avaliando várias opções para contrapor o plano britânico, atualmente paralisado, de transferir a soberania sobre as ilhas do Oceano Índico para Maurício, mantendo o acesso a Diego Garcia, uma base militar administrada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.
A base de Diego Garcia
Diego Garcia é uma das bases militares americanas mais importantes no exterior. Graças à sua localização entre a África, o Oriente Médio e a Ásia, desempenha um papel crucial no planejamento militar dos EUA no Oceano Índico, no Golfo Pérsico e na região Indo-Pacífica. Fica a 3.800 quilômetros do Irã e inclui uma base aérea capaz de operar mísseis americanos de longo alcance.
O futuro do arquipélago voltou a atrair atenção depois que Trump criticou o acordo entre o Reino Unido e Maurício no início deste ano, chamando-o de "um grave erro". A proposta permitiria que Maurício obtivesse soberania sobre as Ilhas Chagos, enquanto a Grã-Bretanha manteria a base de Diego Garcia por meio de um arrendamento de 99 anos. Londres se comprometeu a pagar a Maurício uma média de 101 milhões de libras por ano (aproximadamente 116 milhões de euros). O Reino Unido assinou o acordo com Maurício em maio do ano passado, mas o acordo ainda depende da conclusão de procedimentos políticos e jurídicos.
Dois meses atrás, o governo britânico suspendeu o plano após críticas de Trump. Maurício sempre sustentou que o Reino Unido separou ilegalmente as Ilhas Chagos de seu território antes de conceder a independência ao país em 1968. Entre o fim da década de 1960 e a década de 1970, aproximadamente 2 mil habitantes das Ilhas Chagos foram expulsos para permitir a construção da base militar de Diego Garcia.
Em 2019, o Tribunal Internacional de Justiça decidiu que a separação do Arquipélago de Chagos das Ilhas Maurícias não havia sido legalmente concluída e que o Reino Unido deveria pôr fim à sua administração do território. Para as Ilhas Maurícias, a questão não se resume a uma base militar. Trata-se de uma tentativa de reaver um território que considera legalmente seu, e não de vendê-lo.
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