Relatório sinodal do Grupo 7 propõe uma eleição de bispos mais participativa e sinodal, mais próxima das Igrejas locais

Foto: Vatican Media

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16 Mai 2026

A Secretaria-Geral do Sínodo publicou a primeira parte do relatório final do Grupo de Estudos nº 7, dedicado aos critérios de seleção de candidatos ao episcopado numa perspectiva sinodal e missionária.

A reportagem é de Micaela Díaz Miranda, publicada por Religión Digital, 15-05-2026.

A Secretaria-Geral do Sínodo publicou a primeira parte do relatório final do Grupo de Estudos nº 7, dedicado aos critérios de seleção de candidatos ao episcopado sob uma perspectiva sinodal e missionária.

O documento propõe novas diretrizes para que o processo de eleição de bispos seja vivenciado como "um momento eclesial", marcado pela oração, pela escuta e pelo discernimento comunitário guiado pelo Espírito Santo.

A publicação faz parte do trabalho realizado após o processo sinodal de 2021-2024 e visa fortalecer uma cultura de corresponsabilidade e discernimento compartilhado dentro da Igreja. O Cardeal Mario Grech afirmou que o relatório serve como um lembrete de que “a eleição de um bispo é um momento de verdadeiro discernimento para a comunidade cristã: não há pastor sem rebanho, nem rebanho sem pastor”.

Discernimento que envolve toda a Igreja local

O Grupo de Estudos defende que a escolha de bispos não deve ser entendida meramente como um procedimento administrativo, mas como um processo espiritual e comunitário no qual a Igreja local participa ativamente. “O processo de discernimento eclesial” deve ser caracterizado pela oração e pela “conversa no Espírito ”, afirma o texto.

Portanto, o relatório propõe que cada diocese inicie periodicamente processos de discernimento sobre sua situação e necessidades pastorais. Esses processos permitiriam identificar sacerdotes com qualidades episcopais e definir o tipo de pastor que cada Igreja local necessita.

Entre as propostas, sugere-se que o bispo convoque o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral Diocesano para refletir sobre as necessidades da diocese e apresentar, em envelope lacrado, os nomes dos sacerdotes considerados adequados para o episcopado.

O documento sugere ainda que, sempre que possível, o cabido da catedral, os conselhos econômicos, representantes dos leigos, dos consagrados, dos jovens e dos pobres também participem.

"Competências sinodais" para futuros bispos

O relatório destaca a importância das chamadas "competências sinodais" dos futuros bispos.

O Grupo de Estudos considera necessário que os candidatos possuam sensibilidade para com “as necessidades de uma Igreja sinodal e missionária”, bem como a capacidade de ouvir, dialogar e construir comunhão.

Por sua vez, o texto expressa o desejo de que os núncios apostólicos também tenham “um perfil sinodal e missionário”, a fim de reconhecer essas qualidades naqueles que são propostos ao episcopado.

Maior participação de leigos, mulheres e jovens

O relatório propõe uma expansão significativa da participação nas consultas prévias à nomeação de bispos. Nesse sentido, indica que o núncio apostólico deve consultar “não apenas o clero, mas também um número equivalente de pessoas consagradas e leigos”.

Além disso, recomenda-se a inclusão de mulheres, jovens, representantes de universidades eclesiásticas, movimentos sociais, povos indígenas, minorias étnicas e linguísticas, bem como pessoas pobres e marginalizadas.

O objetivo dessas consultas, segundo o documento, é "revelar a verdade da forma mais completa possível" sobre a realidade da diocese e a adequação dos candidatos.

Um processo de escuta, não de pressão

O Grupo de Estudos esclarece que essas consultas não devem ser entendidas como votações ou pesquisas de opinião, mas como instrumentos de discernimento espiritual.

O relatório alerta que o processo deve ser conduzido “sem gerar qualquer tipo de pressão sobre as futuras decisões da Santa Sé”.

Portanto, ele insiste na importância de treinar os participantes sobre "o significado teológico e espiritual da consulta na Igreja", bem como sobre a responsabilidade ligada ao sigilo pontifício.

Comissões diocesanas e avaliação de processos

Outra inovação proposta é a criação de um "Comitê para o atendimento da Igreja local" quando uma diocese fica vacante ou quando o processo de sucessão episcopal se inicia.

Este comitê seria composto por sacerdotes, pessoas consagradas e leigos escolhidos pelos órgãos diocesanos e colaboraria com o núncio apostólico para fornecer informações sobre a situação da diocese e o perfil do novo bispo.

O documento propõe ainda o estabelecimento de mecanismos de avaliação periódica dos processos de seleção episcopal, em consonância com o desejo de promover uma maior cultura de transparência e responsabilidade na Igreja. "Esta avaliação deverá verificar se os processos de seleção cumprem os padrões de uma Igreja sinodal e missionária", afirma o relatório.

Propõe-se também que, periodicamente e a critério do Papa, seja criada uma comissão eclesiástica independente para avaliar inclusive o trabalho dos dicastérios da Cúria Romana ligados a esses processos.

Grupos de estudo sobre temas relevantes do Relatório de Síntese da Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.

Para uma igreja sinodal: Comunhão, participação, missão

Grupo de estudo Nº 7

Alguns aspectos da figura e do ministério do bispo.

(Em particular: os critérios para a seleção de candidatos ao episcopado, a função judicial do bispo, a natureza e o desenvolvimento das visitas Ad Limina Apostolorum) em uma perspectiva missionária sinodal.

Resumo da parte 1 sobre os procedimentos de seleção dos candidatos a bispo

O relatório do Grupo de Estudos 7 visa contribuir para a compreensão e a realização do processo de seleção de candidatos ao episcopado como um momento verdadeiramente eclesial, guiado pelo Espírito Santo e caracterizado por uma atitude de oração, escuta e discernimento. Numerosos atores estão envolvidos neste processo de diversas maneiras: em primeiro lugar, a Igreja local, guiada pelo seu próprio bispo; em segundo lugar, os bispos pertencentes à mesma Província Eclesiástica ou reunidos na Conferência Episcopal; e, por fim, a Representação Pontifícia, chefiada pelo Núncio Apostólico, que mantém contato com os Dicastérios competentes da Cúria Romana.

O Grupo recomenda que, na escolha de um bispo, sejam consideradas, entre as qualidades exigidas, as "competências sinodais" dos candidatos, que incluem o compromisso com a edificação da Igreja local em comunhão, a valorização de todos os dons e ministérios, a prática do diálogo nas relações e na liderança de órgãos participativos, o profundo conhecimento das culturas locais e a disposição para se integrar nelas de forma construtiva. Ao mesmo tempo, o Grupo espera que os núncios sejam os primeiros a possuir um perfil sinodal e missionário, para que, por sua vez, possam buscá-lo naqueles que lhes forem indicados como potenciais bispos.

Ciente de que, desde os primeiros séculos, a Igreja local tem sido desafiada de várias maneiras no processo de escolha de seu bispo, o Grupo incentiva o investimento em formação que ajude todos os membros do Povo de Deus a aprimorar sua capacidade de discernimento e apoia cada Igreja local no cultivo dos carismas de seus sacerdotes, se possível por meio de equipes que auxiliem o bispo na formação contínua do clero.

O Grupo propõe que cada diocese realize periodicamente processos de discernimento sobre sua situação e necessidades. Em particular, tendo em vista a sessão em que os bispos da Província Eclesiástica (ou da Conferência Episcopal) são chamados a elaborar uma lista de candidatos ao episcopado a ser transmitida à Sé Apostólica, o Grupo sugere que o bispo convoque o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral Diocesano. Sob a orientação de seu pároco, em um ambiente de oração comum e troca fraterna, cada um desses órgãos formulará colegiadamente um parecer escrito sobre o estado e as necessidades da diocese. Além disso, cada membro submeterá ao bispo, em envelope lacrado: 1) os nomes dos sacerdotes que servem na diocese e que consideram adequados ao episcopado; 2) um parecer sobre o perfil do futuro bispo de sua Igreja local, com os nomes dos bispos ou sacerdotes que consideram adequados à sucessão. Sempre que as circunstâncias o permitirem, o Cabido da Catedral, o Conselho Diocesano para Assuntos Econômicos, a Consulta dos Leigos, as Uniões de Homens e Mulheres Consagrados e os grupos diocesanos que representam institucionalmente os jovens e os pobres também serão convocados. Os resultados dessas consultas serão apresentados pelo bispo à Assembleia dos Bispos da Província Eclesiástica ou à Conferência Episcopal, que elaborará uma lista de candidatos ao episcopado que, na medida do possível, reflita o consenso entre eles.

O Grupo propõe ainda que, à medida que se aproxima o momento da mudança de bispo, o bispo cessante promova momentos específicos de discernimento comunitário. Além disso, quando a Igreja local ficar vacante ou a Santa Sé autorizar o início dos procedimentos de sucessão, sugere-se a criação de um Comitê para o Atendimento da Igreja Local na diocese. O Núncio Apostólico utilizaria esse comitê para avaliar a situação da diocese, definir o perfil do novo bispo e recolher opiniões sobre potenciais candidatos.

Por sua vez, o Núncio recebe os resultados das consultas realizadas em cada diocese e em cada Província Eclesiástica (ou na Conferência Episcopal) e os integra com consultas adicionais, a seu critério razoável. A este respeito, o Grupo recomenda consultar não só o clero, mas também, na medida do possível, um número equivalente de homens e mulheres consagrados e leigos e leigas. O objetivo da consulta é trazer à luz, tanto quanto possível, a verdade, tanto em relação ao estado da diocese e às suas necessidades, como à dignidade e adequação dos potenciais candidatos ao episcopado. O Grupo sugere atualizar e diferenciar os questionários a serem aplicados aos informantes, bem como utilizar entrevistas pessoais, que são particularmente úteis quando o questionário escrito se mostra insuficiente para obter uma compreensão adequada das situações e dos indivíduos.

O Grupo entende que os Dicastérios da Cúria Romana, responsáveis ​​por auxiliar o Bispo de Roma na gestão das Igrejas locais, também são chamados a rever seus procedimentos, de modo que o método de discernimento eclesial marque cada vez mais seu trabalho ordinário.

No espírito do processo sinodal de 2021-2024, o Grupo propõe o estabelecimento de métodos para avaliar os processos de seleção de candidatos ao episcopado já realizados. Essa avaliação deverá ser feita em intervalos regulares, verificando se os processos atendem aos padrões de uma Igreja sinodal e missionária, fomentando a troca de boas práticas e adotando as medidas necessárias. Por fim, o Grupo sugere que, periodicamente e a critério do Papa, estabeleça uma comissão eclesiástica independente que inclua na sua avaliação o trabalho dos Dicastérios da Cúria.

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