Estudo: IA na Igreja é difundida, mas sem estratégia

Imagem gerada por meio de Inteligência Artificial | Pexels

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12 Mai 2026

A “Inteligência Artificial” também está entrando na Igreja – isso é mostrado pelos resultados do novo estudo sobre digitalização no ambiente das igrejas. Mas: na maioria das vezes, isso acontece sem qualificação e sem estratégia.

A informação é publicada por katolisch.de, 11-05-2026. 

Mais da metade dos funcionários das igrejas já utiliza “Inteligência Artificial” em seu trabalho. No entanto, faltam qualificação e estratégia, aponta o estudo sobre digitalização no ambiente das igrejas (DiRK, 2026), apresentado nesta segunda-feira.

58% dos trabalhadores das igrejas já utilizam aplicações de IA ou planejam utilizá-las. 78% afirmam não ter realizado nenhuma formação em IA. 38% dos entrevistados usam ferramentas de IA disponíveis gratuitamente sem diretrizes obrigatórias claramente definidas.

“Nossos resultados mostram uma maior digitalização nas igrejas alemãs, mas também, ainda, uma considerável falta de estratégia”, avalia o coordenador do estudo, Holger Sievert.

Um quinto dos funcionários das igrejas utiliza IA que não foi oficialmente implementada pela instituição (“IA sombra”); quase um em cada cinco afirma querer continuar utilizando ferramentas de IA mesmo que isso seja proibido pela instituição. Segundo os entrevistados, a IA é usada principalmente para pesquisas e geração de textos.

De acordo com os resultados, o uso de inovações digitais é justificado menos por razões teológicas e mais de forma pragmática, com base nos recursos disponíveis e nas necessidades locais. Já os membros das igrejas entrevistados exigem diretrizes éticas obrigatórias para o uso da IA em instituições religiosas (4,6 em uma escala até 5) e defendem que a responsabilidade final em decisões sensíveis permaneça com os seres humanos (4,8).

Segundo Sievert, professor de Ciências da Comunicação na Universidade Macromedia de Colônia, ainda há uma distância entre as exigências éticas e a realidade prática em temas como a IA. “Com o novo estudo, esperamos contribuir, por meio de dados atuais, para preencher um pouco mais essas lacunas no futuro”, afirmou.

Uso de mídia: site da comunidade e YouTube lideram

Além do uso da IA, também foi analisado o consumo de mídia. Assim como no estudo anterior, o site da própria comunidade religiosa continua sendo o meio mais utilizado pelos entrevistados.

25,9% utilizam os conteúdos online de katholisch.de e evangelisch.de.

Nas redes sociais, os canais da própria comunidade também lideram, com 29,1%. Contas de igrejas regionais ou dioceses são utilizadas por 23,3%, enquanto perfis de outras instituições religiosas — como associações, organizações beneficentes, academias, centros educacionais e ordens religiosas — são utilizados por 17,8%.

A grande maioria (82,6% dos entrevistados) não segue influenciadores cristãos. As redes sociais mais utilizadas são YouTube (uso semanal por 42,5%), Instagram (37,9%) e Facebook (30,3%). 27,7% afirmam não utilizar nenhuma rede social pelo menos uma vez por semana.

Para o estudo DiRK 2026, foram entrevistadas cerca de 7.200 pessoas. Aproximadamente 98% pertencem a uma igreja cristã; desse total, 60,8% são protestantes e 31,7% católicos.

51,9% dos entrevistados trabalham em instituições religiosas. Quase 60% têm entre 50 e 69 anos, enquanto pouco mais de 20% têm entre 20 e 49 anos.

Segundo os pesquisadores, o estudo não busca representatividade completa, mas permite identificar tendências e relações, além de possibilitar análises aprofundadas e comparações entre subgrupos específicos. O estudo DiRK foi realizado pela primeira vez em 2023.

Os primeiros resultados do estudo DiRK 2026 já foram publicados e podem ser consultados online.

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