O Sínodo apela a "uma mudança paradigmática na forma como a Igreja aborda as questões doutrinais, pastorais e éticas mais difíceis", como as que dizem respeito aos fiéis LGBTQIA+

Círculos menores do Sínodo da Sinodalidade, em 2024 (Foto: Vatican Media)

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06 Mai 2026

O documento do grupo coordenado pelo Cardeal Castillo introduz o "princípio da pastoralidade" e propõe três etapas metodológicas: "escutar a nós mesmos, escutar a realidade e recorrer ao conhecimento", partindo da premissa de que "o diálogo no Espírito continua sendo o instrumento privilegiado para o desenvolvimento de uma cultura eclesial de sinodalidade".

A reportagem é de Jesus Bastante, publicada por Religión Digital, 05-05-2026.

Como é possível valorizar a diversidade cultural sem trair a novidade do Evangelho? O Vaticano apresentou o relatório final do Grupo de Estudos 9, coordenado pelo Cardeal de Lima, Carlos Castillo. Este relatório, dedicado às "questões doutrinais, pastorais e éticas mais difíceis", propõe "uma mudança paradigmática na forma como a Igreja aborda" essas questões. Especificamente, o relatório destaca duas delas: "a experiência dos fiéis gays e lésbicas e a experiência da não violência ativa".

 Como explica o Cardeal Grech, secretário-geral do Sínodo, em seu resumo, este grupo "nos oferece ferramentas concretas para abordar as questões mais difíceis sem recuar diante da complexidade: ouvindo as pessoas envolvidas, interpretando a realidade e reunindo conhecimento. É o método sinodal aplicado às situações mais exigentes."

“O ponto de partida é uma imagem bíblica: os capítulos 10 a 15 dos Atos dos Apóstolos, que mostram como é possível valorizar a diversidade cultural sem trair a novidade do Evangelho”, destaca o documento, abordando a “linguagem” como “uma primeira escolha significativa”. Assim, “o Grupo preferiu falar de questões ‘emergentes’ em vez de ‘controversas’”, porque “ o objetivo não é resolver um problema, mas construir o bem comum por meio da conversão relacional, da aprendizagem compartilhada e da transparência”.

Assim, o documento introduz o “princípio do cuidado pastoral”, insistindo que “não há proclamação do Evangelho sem levar em conta o interlocutor, em quem o Espírito já atua”. Para abordar essas questões, o grupo propõe três etapas metodológicas: “escutar a nós mesmos, escutar a realidade e recorrer ao conhecimento”, partindo da premissa de que “o diálogo no Espírito continua sendo o instrumento privilegiado para o desenvolvimento de uma cultura eclesial de sinodalidade”.

Por fim, o grupo aplica esse método à questão dos crentes LGBTI e à experiência da não violência ativa, com base no testemunho de jovens sérvios que contribuíram para a queda pacífica de Milošević. Em ambos os casos, "o grupo não emite pronunciamentos conclusivos, mas sim — partindo da escuta direta de testemunhos concretos — propõe caminhos de discernimento ético-teológico e questões em aberto, para que cada comunidade possa assumir 'o compromisso de reconhecer e promover o bem com que Deus age na história e na experiência das pessoas' ".

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