Itália: homenagens a Francisco por seu legado

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29 Abril 2026

A construção do "Centro Cardíaco Papa Francisco" em Roma, uma exposição de arte em Assis e uma exposição fotográfica em Vicenza são exemplos de seu legado.

A reportagem é de Elena Llorente, publicada por Página|12, 29-04-2026.

“Francisco está vivo” foi uma das frases repetidas por bispos e padres que celebraram a missa em 21 de abril, em memória do primeiro aniversário da morte do Papa argentino. Mas ele está vivo não apenas pelas mensagens extremamente relevantes que transmitiu ao mundo sobre paz, ecologia, desigualdades sociais e muitos outros temas, mas também porque inspirou diversos eventos que celebram seus valores.

Em 27 de abril, o Papa Leão XIV abençoou a pedra fundamental do Centro Cardíaco Papa Francisco no Hospital Gemelli de Roma, uma instituição ligada ao Vaticano e um dos hospitais mais prestigiados da Itália. O centro, com previsão de conclusão em três anos, se concentrará no atendimento cardiovascular de pacientes do Gemelli.

O Papa recebeu representantes da Universidade Católica do Sagrado Coração, do Instituto G. Toniolo de Direito Internacional e Paz, da Fundação Policlínica Gemelli e da Fundação Roma no Vaticano para esta cerimônia. Em seu discurso, ele lembrou a mais recente encíclica do Papa Francisco, Dilexit nos, na qual descreveu o coração como a "sede do amor". "Se o amor reina no interior, a pessoa atinge sua identidade plena e radiante, porque todo ser humano foi criado antes de tudo para o amor. No âmago do seu ser, ele é feito para amar e ser amado", disse o Papa Leão XIV.

A missão pastoral artística

Há alguns dias, foi inaugurada em Assis, na Itália, precisamente na fortaleza medieval Rocca Maggiore, uma exposição intitulada “Franciscus, fratello in arte”. A mostra foi organizada pelo artista Michelangelo Pistoletto, que proclamou o Papa Francisco “santo da arte” e também batizou com o nome dele uma videoinstalação que criou sobre o pontífice argentino.

“Francisco devolveu a vida, com a sua própria existência, à pessoa de São Francisco, fazendo da missão pastoral também um ato artístico”, disse Pistoletto na abertura da exposição, que estará em cartaz até 4 de outubro.

Pistoletto, de 92 anos, é originário do Piemonte, região no norte do país), assim como a família de Bergoglio, e alcançou reconhecimento mundial como pintor e escultor com diversas exposições, muitas delas apresentando o que é conhecido como "Arte Povera" (Arte Pobre), pois utiliza materiais descartados, às vezes retirados do lixo, para criar suas obras. Ele já expôs em várias cidades francesas, incluindo Paris, bem como em Madri, Nova York, Los Angeles e Atenas, entre outras.

O “Terceiro Paraíso” é uma das obras mais famosas de Pistoletto, que também foi exibida na exposição em homenagem a Francisco, juntamente com “O Tempo do Juízo Final” e “As Bandeiras das Religiões”, entre muitas outras.

“Pela primeira vez, a arte santifica um pontífice”, enfatizou Pistoletto. “Neste lugar mágico, Assis, onde o nome de São Francisco ressoa, celebro o 800º aniversário de sua morte, mas também o primeiro aniversário da morte do Papa Bergoglio, que, por meio de sua própria existência, trouxe a pessoa de São Francisco de volta à vida.”

As fotografias que contam a história de Francisco

Na cidade de Vicenza (norte da Itália), uma exposição do fotógrafo Stefano Del Pozzolo explora o pontificado do Papa argentino. Intitulada “Francisco, uma Luz para a Humanidade”, a mostra foi inaugurada em fevereiro e ficará em cartaz até 30 de março no Palazzo Trissino, em Vicenza.

A exposição inclui 42 fotografias tiradas por Del Pozzolo durante os 12 anos do pontificado de Francisco. Del Pozzolo, normalmente credenciado como fotógrafo da Sala de Imprensa da Santa Sé, acompanhou o Papa Francisco ao longo desses anos.

“O Papa Francisco tornou-se uma referência para muitos, capaz de falar a todos, crentes e não crentes”, disse o prefeito de Vicenza, Giacomo Possamai, na inauguração. “Suas palavras sobre a paz, sua atenção aos mais vulneráveis, seus gestos simples e concretos moldaram uma nova forma de exercer o ministério papal: estar perto das pessoas e atento às feridas do mundo, convocando ao diálogo e à responsabilidade compartilhada. As fotografias de Dal Pozzolo capturam essa dimensão humana. Cada foto transmite a ideia de um Papa que escolhe a simplicidade como linguagem universal e que, por meio de pequenos gestos, consegue tocar os corações das pessoas.”

“Por meio das minhas fotografias, tentei capturar a alma do Papa Francisco. Escolhi fotos em preto e branco para concentrar a atenção do espectador no que é essencial: os detalhes de seus gestos, suas expressões, sua presença”, disse o fotógrafo.

Essas fotos de Francisco e de muitos outros, feitas por Dal Pozzolo, foram publicadas em diversos veículos de comunicação famosos, como Times, Newsweek, National Geographic, L'Espresso, Vanity Fair, etc.

O Borgo Laudato Si'

Mas, além desses eventos, vale lembrar que o Papa Leão XIV inaugurou o Borgo Laudato si' do Papa Francisco em setembro passado. Este projeto abrange 55 hectares de terras pertencentes ao Vaticano em Castel Gandolfo. Castel Gandolfo, uma cidade a cerca de 25 km de Roma, tem sido usada durante séculos como refúgio e local de férias pelos papas. No entanto, Francisco nunca a utilizou, transformando-a em museu até a chegada do Papa Leão XIV, que agora reside lá frequentemente.

A encíclica ambiental Laudato si’, do Papa argentino, capturou a atenção do mundo após seu lançamento em 2015. O Borgo, ou pequena vila, está de fato comprometido com os princípios ambientais e atualmente abriga três mil espécies de plantas diferentes, cuidadas por especialistas, com o objetivo de transformar a natureza em um “lugar de proximidade” para as pessoas, como afirmou o Papa Leão XIV em sua inauguração. O Borgo é um projeto de inclusão e acolhimento. Inclui um Centro de Formação Avançada Laudato si’ e um sistema agrícola baseado nos princípios da ecologia integral. Cursos sobre ecologia integral, entre outros temas, são oferecidos no local.

Segundo a Laudato si’, devemos “recuperar a serena harmonia com a criação, refletindo sobre nossos próprios estilos de vida e ideais”. O Papa Leão XIV, por sua vez, definiu o Borgo como o “legado” de Francisco, “uma semente que pode dar frutos de justiça e paz”.

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