Insegurança e soberania energéticas marcam abertura da sessão de alto nível de Santa Marta

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29 Abril 2026

Ana Toni afirma que guerra no Irã mostra que abandono dos combustíveis fósseis é vital para o clima, para a segurança econômica e para a paz.

A informação é publicada por ClimaInfo, 29-04-2026. 

A plenária de abertura do Segmento de Alto Nível da 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, na Colômbia, na 3ª feira (28/4), foi marcada por declarações sobre dependência de petróleo, soberania energética e segurança. Houve ainda agradecimentos ao Brasil pelo papel recente na discussão, destaca a Folha.

Abrindo a sessão, a ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez Torres, disse que realizar a conferência em Santa Marta é a expressão da contradição dos tempos atuais. A cidade, banhada pelo Mar do Caribe, tem belezas naturais e é, ao mesmo tempo, local de um relevante porto exportador de carvão, uma fonte de energia suja.

Irene ressaltou que era preciso celebrar os países presentes, e não se distrair pelos que não estão. A fala está relacionada a uma questão que se repete em Santa Marta: a ausência dos principais países poluidores no mundo, Estados Unidos – que não foram convidados, segundo o New York Times – e China, além de outro relevante ator petroleiro, a Rússia.

Stientje van Veldhoven, ministra de Clima e Desenvolvimento Verde dos Países Baixos – que copreside a conferência – agradeceu ao Brasil, especialmente à Ana Toni, diretora-executiva da COP30, uma das representantes do governo brasileiro na cúpula. “Nosso objetivo é apoiar seus esforços”, disse.

Em sua fala, a diretora-executiva da COP30 relembrou o discurso do presidente Lula na conferência do clima em Belém, em defesa de um mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis, e afirmou que a guerra no Irã mostrou até para céticos que o abandono do petróleo e do gás é vital não somente para a questão climática, mas para a segurança econômica e para a paz. O conflito fez disparar preços e restringiu a oferta, afetando o abastecimento mundial.

Ana Toni reforçou que o debate sobre o fim dos combustíveis fósseis, que quase implodiu a COP30, tornou-se central com o conflito no Oriente Médio, destaca o Valor. “Para cada quatro pessoas no planeta, três vivem em países que são importadores de combustíveis fósseis. A maioria das pessoas do mundo depende de importá-los. E estão vendo as desvantagens”.

Na plenária em Santa Marta, o comissário europeu para a Ação Climática, Wopke Hoekstra, enfatizou que a eliminação gradual dos combustíveis fósseis é essencial para alcançar a “independência”, destaca o Libération. “Estamos perdendo meio bilhão de euros por dia na Europa enquanto essa guerra dura. Já tínhamos um ótimo motivo para agir em relação às mudanças climáticas, fazendo essa transição. Agora temos outro, por razões comerciais e de independência. Então, vamos em frente”, declarou.

A crise energética gerada pela guerra também foi lembrada por Rachel Kyte, representante especial para o clima do Reino Unido. “Seria irresponsável ignorar a segunda crise dos combustíveis fósseis em cinco anos [a anterior foi a invasão da Ucrânia pela Rússia]. Uma crise que prova, de uma vez por todas, que a instabilidade e a insegurança que vêm da nossa dependência dos combustíveis fósseis precisam acabar”, frisou.

Em tempo 1

A França anunciou, na plenária de abertura do Segmento de Alto Nível de Santa Marta, seu mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis. É a primeira grande economia do mundo a divulgar seu mapa do caminho pelo fim da dependência de petróleo, gás e carvão, destaca o Valor. O roadmap francês define datas para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis - 2040 para carvão, 2045 para petróleo e 2050 para gás. Vale lembrar que a fonte nuclear responde por 70% da matriz elétrica da França, e o país é um dos defensores da expansão dessa fonte de energia para a descarbonização.

Em tempo 2

A primeira conferência pelo abandono dos combustíveis fósseis ainda não terminou, mas o próximo destino do novo encontro climático está desenhado. A pequena e ameaçada nação insular de Tuvalu deve receber o evento em 2027, e a Irlanda negocia para ocupar a sua copresidência. Maina Vakafua Talia, ministro de Assuntos Internos, Mudanças Climáticas e Meio Ambiente de Tuvalu, confirmou à Folha a possibilidade.

Em tempo 3

Já está mais do que provado que a substituição dos combustíveis fósseis é urgente, pelo clima e pela economia. Mas Povos Indígenas presentes da Conferência de Santa Marta reforçaram que a transição energética não deve ser usada como mais uma desculpa para saquear seus territórios, destaca o Guardian. “Não se trata apenas de combustíveis fósseis. Porque depois disso, o que vem a seguir? Eles encontrarão outra razão para vir atrás de nossas terras e minerais”, disse Patricia Suárez, da Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana.

Em tempo 4

Chris Bowen, ministro das mudanças climáticas da Austrália e novo presidente da COP31, disse que a crise no mercado de energia deve ser vista como uma crise global de combustíveis fósseis. Ele afirmou que líderes e ministros asiáticos, entre outros, enfatizaram em reuniões privadas que a crise no fornecimento de combustíveis líquidos ressaltava a necessidade de atender às demandas de curto prazo e de fazer a transição para energias renováveis ​​e eletrificação, a fim de reduzir a dependência do petróleo importado. “Ninguém disse que esta crise é um lembrete de que precisamos depender mais dos combustíveis fósseis”, disse ele ao Guardian, em sua primeira entrevista no cargo.

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