24 Março 2026
Relatório da OMM confirma últimos 11 anos como os mais quentes da história; desequilíbrio climático é crescente e será sentido por séculos.
A informação é publicada por Climainfo, 23-03-2026.
O relatório “Estado do Clima 2025”, organizado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e lançado na 2ª feira (23/3), reitera que o planeta está mais quente e desequilibrado em inúmeras variáveis. Isso inclui um parâmetro inédito no documento: o desequilíbrio de energia – a diferença do que a Terra recebe de calor do sol e libera de volta para o espaço.
Os culpados são velhos conhecidos, destaca a Folha: os combustíveis fósseis, cuja queima representa 75% das emissões de gases de efeito estufa. São, portanto, os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas. E agora também pela maior crise energética global das últimas décadas, devido à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“Nesta altura da guerra, o estresse climático revela também outra verdade: o nosso vício em combustíveis fósseis está desestabilizando tanto o clima como a segurança global. Agora, mais do que nunca, devemos acelerar uma transição justa para energias renováveis. As energias renováveis garantem segurança climática, energética e nacional”, reforçou o secretário-geral da ONU, António Guterres, no lançamento do relatório.
A quantidade de calor retida pela Terra atingiu níveis recordes em 2025, e teme-se que as consequências desse aquecimento duram centenas ou até milhares de anos, alertou a ONU. Além disso, os 11 anos mais quentes já registrados na história recente ocorreram entre 2015 e 2025, conforme confirmado pela OMM no documento, informa a France 24. “Quando a história se repete 11 vezes, isso já não é mais uma coincidência”, reiterou Guterres.
O relatório confirma 2025 como o segundo ou terceiro ano mais quente da história, com aquecimento de 1,43°C sobre a média do período pré-industrial (1850-1900). A marca corrige o número preliminar de 1,44°C, divulgado pela OMM em janeiro, com margem de erro de 0,13°C. Dois conjuntos de dados apontam o ano passado como o segundo mais quente; outros sete conjuntos o indicam como o terceiro.
A dissonância não altera o fato de que 2024 foi o ano mais quente da história, com 1,53°C. Nem que os últimos três anos foram os mais quentes já registrados em 176 anos de temperaturas coletadas.
Quanto ao desequilíbrio energético, o documento também indica um momento extremo, com o dado mais alto desde 1960, quando o cálculo começou. Segundo a OMM, 91% dessa energia foi absorvida pelos oceanos, que de 2005 a 2025 se aqueceram em um ritmo duas vezes superior ao observado de 1960 a 2005. Cerca de 10²¹ joules – ou 278 mil terawatts-hora (TWh) – por ano. Energia que equivale a 18 vezes o consumo anual de toda a população do planeta.
O aquecimento da atmosfera representa apenas 1% do excesso de energia que a Terra não consegue devolver ao espaço. Outros 5% são armazenados nas massas continentais, e 3% derretem as massas polares.
Falando em massas polares, as camadas de gelo na Antártica e na Groenlândia sofreram perdas significativas no ano passado. E a extensão média anual do gelo marinho do Ártico em 2025 foi a menor ou a segunda menor da série histórica iniciada em 1979, a depender do conjunto de dados de satélites.
“O caos climático está se acelerando. Atrasar (a transição energética) é mortal”, resumiu Guterres. “O caminho a seguir deve basear-se na ciência, no bom senso e na coragem de agir”, completou o secretário-geral da ONU.
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