24 Abril 2026
Segurança energética e ação climática terão de ser tratadas simultaneamente.
A informação é publicada por ClimaInfo, 23-04-2026.
Na véspera do início da primeira conferência internacional para discutir o fim dos combustíveis fósseis em Santa Marta, na Colômbia, os preços do petróleo subiram novamente, impulsionados pelo impasse entre Estados Unidos e Irã para acabar com os ataques estadunidenses ao país do Oriente Médio. A incerteza sobre a guerra e seus efeitos sobre o mercado energético global prometem “esquentar” os debates no evento, avalia Ricardo Baitelo, gerente do programa de energia elétrica do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), uma das organizações da sociedade civil que representarão o Brasil.
“A atual conjuntura internacional reforça que segurança energética e ação climática terão de ser tratadas simultaneamente”, ressalta o especialista. “O Brasil, no Sul Global, é um exemplo único para compartilhar e inspirar países na transição energética. O país avançou na descarbonização do setor de transportes e na matriz elétrica. E não apenas com hidrelétricas: o país tornou-se um dos líderes globais na expansão da geração eólica e solar. Chamam atenção também os esforços para levar energia renovável a comunidades isoladas e remotas da Amazônia”, completa.
Contudo, Baitelo lembra que a conferência reúne essencialmente países que já indicaram na COP30, em Belém, disposição de implementar uma jornada de redução progressiva dos combustíveis fósseis na economia, como destaca O Globo. A pretensão brasileira era que o mapa do caminho para eliminar petróleo, gás e carvão tivesse sido traçado em Belém. Como não aconteceu, ficou acertada a realização da reunião na Colômbia, mantendo a pauta viva e estabelecendo um calendário de discussões para avançar nessa direção.
Assim, Santa Marta será um momento de compartilhamento das experiências do Brasil com outros países e de avançar na elaboração do mapa do caminho global, sob coordenação da presidência brasileira da COP30, reforça Baitelo. Contudo, ele ressalta que não se pode perder de vista os grandes desafios da transição: integrar fontes intermitentes ao sistema elétrico e garantir salvaguardas socioambientais para evitar impactos em comunidades próximas aos empreendimentos.
Cerca de 60 governos devem se reunir em Santa Marta, onde novas coalizões podem ajudar a acelerar a transição energética. Segundo a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, a cúpula está ganhando “atenção global” em parte porque os países chegaram a um “ponto de ruptura” nas negociações climáticas da ONU, que estão paralisadas pela pressão dos países produtores de combustíveis fósseis, destaca o Climate Home.
“Além de um feito, considerando o acirramento bélico regado pelo petróleo no Oriente Médio e o enfraquecimento do combate à crise climática em nível global, a conferência é também um forte sinal político de que uma parte considerável das nações do mundo está em busca de uma saída para as múltiplas crises causadas pelo consumo de combustíveis fósseis”, reforça o Observatório do Clima.
Em tempo: Os contratos futuros do petróleo tiveram forte alta na 5ª feira (23/4), com investidores reagindo à escalada de tensões entre EUA e Irã e ao tráfego paralisado no Estreito de Ormuz. No fechamento da sessão, o petróleo tipo Brent com vencimento em junho teve alta de 3,10%, cotado a US$ 105,07 por barril, enquanto o WTI com entrega prevista para o mesmo mês subiu 3,11%, a US$ 95,85 por barril, informa o Valor.
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