17 Abril 2026
A presidente do México evita confrontos com o presidente dos EUA na véspera da Cúpula de Governos Progressistas, que será realizada neste fim de semana na Espanha.
A informação é de David Marcial Pérez, publicada por El País, 16-04-2026.
Poucas horas antes de embarcar para a Espanha, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum forneceu mais detalhes sobre a cúpula de governos progressistas da qual participará no sábado. Ela anunciou que parte de sua delegação incluirá a secretária do Meio Ambiente, Alicia Bárcena, que participará de uma reunião inicial com “movimentos progressistas”. Em seguida, ocorrerá a cúpula de chefes de Estado, para a qual ela foi convidada pelo anfitrião, o presidente espanhol Pedro Sánchez, selando a paz diplomática após anos de tensão sobre o legado colonial.
A cúpula também representa um alinhamento com outros governos progressistas da região em meio ao turbulento cenário internacional marcado pelos ataques e pela pressão de Donald Trump sobre o continente. A presidente evitou usar linguagem agressiva, afirmando durante sua coletiva de imprensa na manhã de quinta-feira que “esta não é uma reunião anti-Trump”.
A presidente relembrou a trajetória que levou à viagem deste fim de semana. O estopim da crise foi a carta que Andrés Manuel López Obrador, antecessor e mentor de Sheinbaum, enviou em 2019 ao Rei Felipe VI, exigindo um pedido de desculpas pelas atrocidades cometidas contra os povos indígenas durante a Conquista das Américas. "Eles ficaram chateados", disse o presidente, recordando o início da crise, que resultou na ausência do rei espanhol na cerimônia de posse de Sheinbaum em 2024. Nos últimos meses, surgiram gestos de reaproximação, principalmente por meio de intercâmbio cultural. O Ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, reconheceu "a injustiça e a dor" infligidas aos povos indígenas do México.
Finalmente, em 16 de março, durante sua visita à exposição "Metade do Mundo: Mulheres no México Indígena", organizada pelo Ministério das Relações Exteriores da Espanha e pelo Ministério da Cultura do México, o Rei Felipe VI reconheceu que "houve muitos abusos" e "controvérsias éticas" na colonização das Américas pelos conquistadores espanhóis.
A declaração foi apresentada como uma conversa informal com o embaixador mexicano na Espanha, Quirino Ordaz, e outras autoridades, mas foi um gesto cuidadosamente calculado e previamente combinado. "À sua maneira, o rei reconheceu que houve abusos. Estas são ações importantes de reconhecimento dos nossos povos e das nossas origens", acrescentou o presidente, referindo-se aos motivos que selaram a paz.
Sheinbaum também anunciou que viajará para Madri à meia-noite de quinta-feira e, em seguida, seguirá para Barcelona, chegando na sexta-feira à noite, véspera da cúpula. Ela confirmou ainda que realizará “reuniões bilaterais e uma reunião geral” com os demais chefes de Estado, incluindo os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; da Colômbia, Gustavo Petro; e do Uruguai, Yamandú Orsi.
Em seu tom calmo de costume, a presidente evitou um confronto com o presidente dos EUA: "Nós o respeitamos, embora não concordemos com muitas de suas decisões". Ela também insistiu que o espírito da cúpula "é muito positivo" e se concentra em "trabalhar pela paz mundial" e restaurar "o espírito da Carta da ONU".
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