Sánchez responde a Trump: "A posição da Espanha pode ser resumida nestas palavras: 'Não à guerra'"

Foto: Eugênia Morago/Fotos Públicas

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05 Março 2026

A dura intervenção do primeiro-ministro no conflito com o Irã e a resposta às ameaças dos EUA de cortar o comércio após a proibição do uso de bases militares. Tensões com a Alemanha: "Surpresa com os comentários de Merz no Salão Oval". Macron, Costa e von der Leyen entrevistam o líder socialista.

A reportagem é de Benedetta Perilli, publicada por La Repubblica, 04-03-2026.

"A posição da Espanha pode ser resumida nestas palavras: 'não à guerra'." Em um breve, porém contundente discurso no Palácio de Moncloa, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, dirigiu-se à nação e respondeu às ameaças que recebeu ontem de Donald Trump, após a proibição, por Madri, do uso das bases de Morón e Rota. "Não seremos cúmplices simplesmente por medo de represálias", declarou. Em entrevista à CNBC, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, fez coro com o mesmo sentimento: "Qualquer coisa que diminua nossa capacidade de entrar em guerra coloca nossas vidas em risco. A Espanha coloca vidas americanas em risco."

"É assim que começam os grandes desastres"

A Espanha se opõe à guerra em curso no Oriente Médio. "É assim que começam os grandes desastres da humanidade. Não se pode brincar de roleta russa com o destino de milhões de pessoas", declarou o líder socialista em um discurso televisionado. Ele acrescentou: "O mundo, a Europa e a Espanha estavam lá há 23 anos, quando outra administração americana nos arrastou para uma guerra no Oriente Médio. Uma guerra que, em teoria, como se alegava na época, visava eliminar as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, trazer a democracia e garantir a segurança global, mas que, na realidade, teve o efeito oposto, desencadeando a maior onda de insegurança que nosso continente experimentou desde a queda do Muro de Berlim."

A guerra no Iraque, afirmou ele, "levou a um aumento drástico do terrorismo jihadista, a uma grave crise migratória no Mediterrâneo Oriental e a um aumento generalizado dos preços da energia e do custo de vida". Acrescentou: "Não à violação do direito internacional. Não à ideia de que o mundo só pode resolver os seus problemas através de conflitos armados. E, finalmente, não à repetição dos erros do passado. Em suma, a posição do governo espanhol pode ser resumida em quatro palavras: Não à guerra", declarou. O primeiro-ministro "exortou" os Estados Unidos, Israel e o Irã a cessarem as hostilidades "antes que seja tarde demais".

Tensões entre Madri e Berlim

Madri compartilhou com a Alemanha sua "surpresa" com as declarações do chanceler alemão Friedrich Merz na Casa Branca ontem, que pareceram apoiar as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de cortar o comércio com a Espanha, disse o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares. "Não consigo imaginar que as chanceleres (Angela) Merkel ou (Olaf) Scholz fariam tais declarações", disse Albares em entrevista à emissora estatal TVE.

Ontem, Merz afirmou que a Espanha precisava ser "persuadida" a aceitar a meta da OTAN de aumentar os gastos com defesa para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas o governo alemão tentou remediar a situação hoje, reiterando, apesar do silêncio no Salão Oval, que "a Chanceler comentou a sequência de eventos e esclareceu que, em questões comerciais, a Europa age como uma só", disse o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, acrescentando que desde ontem "não houve contato" entre Merz e Sánchez.

As reações

Em vez disso, vários líderes da UE entraram em contato com Madri para expressar sua solidariedade ao primeiro-ministro: do presidente francês Emmanuel Macron à presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa. Da Itália, a secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, também falou com o líder socialista. "Estou muito grata pelos telefonemas e mensagens de apoio que recebi." "Não à guerra. Sim ao comércio, à cooperação e à prosperidade", comentou Sánchez.

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