27 Março 2026
Rede Continental Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade a Cuba pretende arrecadar 1 milhão de dólares e driblar bloqueio energético dos EUA contra a ilha.
A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por Extra Classe, 26-03-2026.
A Rede Continental Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade a Cuba afirma ter enviado ao país cerca de R$ 350 mil para compra de painéis solares no mês de março, com o objetivo de driblar o bloqueio de combustível que os Estados Unidos impõem à ilha há pelo menos 3 meses. A iniciativa pretende arrecadar 1 milhão de dólares no Brasil e seguir enviando os recursos para aquisição dos equipamentos diretamente no Porto de Mariel, em Cuba.
O sequestro de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, principal fornecedora de petróleo a Cuba, em 3 de janeiro, e o decreto que impõe tarifas contra países que “vendam ou forneçam petróleo a Cuba”, assinado pelo presidente americano, Donald Trump, em 29 de janeiro, agravaram a crise energética para os cubanos. Dois apagões nacionais do sistema elétrico foram registrados na mesma semana, deixando 10 milhões de habitantes sem luz.
A campanha, de acordo com um dos organizadores, Ricardo Haesbaert, visa levar luz a hospitais, escolas, domicílios e outros estabelecimentos. O antigo sistema de geração elétrica sofre cortes diários de até 20 horas em partes do país. “A compra está sendo efetuada com uma empresa vietnamita, situada no Porto de Mariel. Isso nos proporciona mais rapidez, menos custo e não tem frete — o frete é muito caro”, explica.
Em meio à crise energética, ainda em fevereiro, o Ministério da Energia e Minas cubano anunciou que o sistema elétrico nacional bateu recorde ao ultrapassar 900 megawatts (MW) de geração fotovoltaica. O avanço para as fontes de energia renovável é defendido como caminho para a sustentabilidade ambiental e defesa da soberania energética nacional.
“Seguimos reivindicando o envio de alimentos, medicamentos e painéis solares. A China já mandou 5 mil kits de painéis solares e, no ano passado, mandou dois parques fotovoltaicos, que alimentam 43 mil pessoas cada um. O México já encaminhou 3 navios com mais de 80 toneladas de alimentos cada e também está mandando painéis solares. O Vietnã, da mesma forma; a Rússia está mandando farinha para fazer pães — cubano é muito fã de pão. Os efeitos estão surtindo porque, à medida que os EUA mostram suas garras, os países, por meio de movimentos solidários e alguns governos, têm demonstrado solidariedade também”, afirma Ricardo, que também é presidente da Associação Cultural José Martí do Rio Grande do Sul (ACJM-RS).
Cuba tem como meta alcançar 24% de energia a partir de fontes renováveis até 2030. As energias eólica e solar são consideradas pilares para a modernização da matriz energética cubana, bem como ampliar a transformação da biomassa da cana-de-açúcar em gás e hidroeletricidade.
“Nós acreditamos que isso vai ser possível e nós vamos conseguir derrotar o imperialismo. O que está sendo feito contra Cuba é um genocídio contra a humanidade. É impossível ficar alheio a essa questão. Por isso, continuaremos e lutaremos até o fim”, finaliza Ricardo.
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