Mulheres e ministérios: as Igrejas se dividem. Artigo de Luigi Sandri

Foto: Mehmet Turgut Kirkgoz | Pexels

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18 Março 2026

O 'sagrado', contudo, deve permanecer masculino, porque, segundo alguns cardeais, "Deus assim o quer". Fato que, para muitos e muitas, precisa ser demonstrado.

O artigo é de Luigi Sandri, jornalista italiano, publicado no jornal l'Adige de 16-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Neste mês, surgiram problemáticas relativas à ordenação de mulheres para os ministérios "altos" (diaconato, presbiterado, episcopado) nas Igrejas Católica Romana e Anglicana, abrindo a perspectiva de divisões cismáticas em ambas, caso não sejam encontradas soluções, que, por enquanto, ainda não despontam no horizonte.

Em 10 de março, o Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) do Vaticano publicou seu Relatório Final: "Por uma Igreja sinodal. Comunhão, participação, missão. Grupo de estudos nº 5. A participação das mulheres na vida e na missão da Igreja".

Do que se trata? Em outubro de 2023 e 2024, a pedido de Francisco, foram realizadas duas sessões do único Sínodo, dedicadas ao tema "Por uma Igreja Sinodal", explicitado pelos três substantivos.

Para aprofundar alguns aspectos que, dada a amplitude dos temas, o Sínodo não havia conseguido abordar, Francisco criou uma dezena de Grupos de Estudos, que trabalharam principalmente em 2025. Um deles, o quinto, havia sido confiado à coordenação do DDF, o Santo Ofício pré-Concílio Vaticano II. O texto completo tem 82 páginas. Vamos contextualizar historicamente a questão. No Concílio Vaticano II (1962-65), a ordenação de diaconisas jamais foi discutida, nem mesmo hipoteticamente. Mas, poucos anos depois, a demanda por presbíteras começou a crescer em alguns círculos da Igreja Católica. Paulo VI encarregou a Cúria a combater essa ideia; mas foi principalmente João Paulo II quem se opôs veementemente a ela. E, com a carta apostólica Ordinatio sacerdotalis, ele sentenciou em 1994: "A ordenação sacerdotal foi, na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens". E essa norma deve "ser considerada definitiva".

Essa intervenção autoritária provocou opiniões contrárias no mundo teológico: junto com alguns "sim", houve muitos "não". O problema ressurgiu no Sínodo de 2023 e 2024 e, posteriormente, no Grupo 5. Leão XIV comentou: "Por ora, diáconas estão fora de questão". Ao que o grupo alemão Wir sind Kirche respondeu: "É um escândalo para a nossa Igreja tratar as mulheres como inferiores e subordinadas aos homens".

E agora? A Cúria Romana observa o que acaba de acontecer no Anglicanismo: em 6 de março, um grande grupo de fiéis — entre eles 347 bispos, em sua maioria africanos, contrários à ordenação de mulheres bispas, reunidos na Nigéria — protestou contra a escolha, em outubro, de uma mulher (Sarah Mullaly) como arcebispa da Sé Primacial de Canterbury. Por isso, rompeu todos os laços com ela. Trata-se, de fato, de um verdadeiro cisma.

Muitos no Vaticano acreditam que, se o Papa aceitasse as diáconas (imagine-se, então, as presbíteras ou as bispas!), um cisma eclodiria na Igreja Romana. Assim, embora elogiando sempre a contribuição decisiva das mulheres para a vida da Igreja, Leão, por ora, não quer nem sequer as diáconas, mas admite freiras para liderar dicastérios da Cúria. O "sagrado", contudo, deve permanecer masculino, porque, segundo alguns cardeais, "Deus assim o quer". Fato que, para muitos e muitas, precisa ser demonstrado.

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