Milhões de cristãos perseguidos no mundo. Artigo de Luigi Sandri

Foto: Cathopic

Mais Lidos

  • O sociólogo William I. Robinson, da Universidade da Califórnia, combina um trabalho militante, focado nas últimas semanas em protestos contra a força militar da fronteira dos EUA, com uma análise minuciosa do colapso do capitalismo

    “Gaza é um símbolo, um modelo, um alerta do que aguarda todo o planeta”. Entrevista com William I. Robinson

    LER MAIS
  • “Uma nova civilização está sendo construída, a civilização da onipotência”. Entrevista com Gilles Lipovetsky

    LER MAIS
  • 'Therians', o fenômeno viral sem fundamento que a extrema-direita usa para alimentar sua retórica 'anti-woke'

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

25 Fevereiro 2026

380 milhões de cristãos em todo o mundo estão expostos ao risco de perseguição por causa de sua fé; isso significa que, globalmente, 1 a cada 7 cristãos pode perder a vida se afirmar ser crente em Jesus.

O artigo é de Luigi Sandri, jornalista italiano, publicado por L’Adige, 16-02-2026. A tradução de Luisa Rabolini

Eis o artigo. 

Palavra de papa: esses números, aliás, foram apresentados por ele em janeiro, ao receber o Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, e explicados com mais detalhes por fontes do Vaticano nos últimos dias. Qualquer pessoa que pensasse, portanto, que a perseguição anticristã só estava na moda na época de Nero, há dois mil anos, ou no século XX, devido aos regimes nazistas ou comunistas, ficará surpresa com os números divulgados por Leão XIV; mas esses dados são confirmados por institutos e centros que analisam o preocupante fenômeno, país por país. Por exemplo, na Coreia do Norte, ser cristão pode ser punido, no mínimo, com pena de trabalhos forçados (mas — vale ressaltar — por cortesia ao presidente russo Vladimir Putin, o regime permitiu, em 2006, a construção da Catedral da Santíssima Trindade em Pyongyang, frequentada por cristãos ortodoxos russos).

Na África, desponta o problema da Nigéria. Esse caso é particularmente estudado porque, segundo as previsões dos demógrafos, o país — que atualmente conta com 216 milhões de habitantes — chegará a 400 milhões em 2050, tornando-se o terceiro país mais populoso do mundo, depois da Índia e da China.

Será que a iminente tensão religiosa será superada, então? Hoje, nesse país africano, 53% dos habitantes são muçulmanos e 45% cristãos (principalmente protestantes, seguidos por católicos). As frequentes violências, motivadas por pretextos religiosos, na verdade se fundamentam em conflitos sociais entre agricultores (cristãos) e pastores (muçulmanos). Mas também existem violências tremendas, especificamente "anticristãs", organizada pelo chamado Boko Haram, um grupo fundamentalista islâmico que incendeia igrejas com as pessoas dentro, condenando dezenas de homens, mulheres e crianças a mortes atrozes.

Contudo, sempre com uma mistura de pretextos religiosos e culturais, a perseguição anticristã ocorre na Somália, Eritreia, Líbia, Afeganistão, Iêmen, Sudão, Mali, Paquistão, Irã, Índia, Mianmar, Síria e Arábia Saudita. Neste último país, qualquer muçulmano que se converta ao cristianismo é considerado "apóstata". Ainda assim, a minoria cristã é bastante numerosa: aproximadamente um milhão de trabalhadores, homens e mulheres, das Filipinas, Vietnã, Índia e Síria. Eles sequer têm o direito de frequentar uma igreja; aos domingos, reúnem-se aqui e ali nas casas, por sua própria conta e risco. A mesma situação dolorosa se aplica aos milhares de fiéis ortodoxos e protestantes.

Mas os governos ocidentais não veem problemas: para eles, comprar petróleo saudita é mais importante do que perturbar as relações com a monarquia de Riad, abrindo dossiês problemáticos para ela.

A China também está longe de reconhecer a plena liberdade religiosa para seus cidadãos; mas os líderes estadunidenses e europeus geralmente não levantam essas questões quando visitam Pequim.

Leia mais