Entrada do novo Arcebispo de Nova York

Ronald A. Hicks. (Foto: Diocese of Joliet)

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19 Fevereiro 2026

O arcebispo Ronald A. Hicks iniciou sua primeira homilia como líder de cerca de 2,5 milhões de católicos nova-iorquinos falando em espanhol, citando um hino que quase todo latino que frequenta a missa conhece: “Senhor, toma a minha vida”, começou ele em espanhol, citando de improviso Alma Misionera, “Estou disposto a fazer tudo o que o Senhor desejar, seja o que for, guia-me para servir”.

A reportagem é de Fiona Murphy, publicada por America e reproduzida por Settimana News, 08-02-2026.

Na sexta-feira, 6 de fevereiro, o Cardeal Timothy Dolan deixou formalmente o cargo após mais de 16 anos à frente da Arquidiocese de Nova York, e Hicks tornou-se seu sucessor. Hicks atuou mais recentemente como bispo de Joliet, em Illinois, e anteriormente liderou um orfanato em El Salvador, serviu como padre em Chicago e como diretor de formação de seminaristas. Aos 58 anos, ele provavelmente terá quase duas décadas para liderar a influente diocese antes de apresentar sua renúncia aos 75 anos.

Durante a missa de posse na Catedral de São Patrício, Hicks deixou duas coisas claras: que pretende liderar uma Igreja que será, em sua essência, missionária, e que os latinos não ficarão à margem de seu ministério.

Ele não sinalizou esse último compromisso dirigindo-se diretamente aos latinos ou aos seus temores generalizados de aplicação da lei imigratória com base em critérios étnicos durante a campanha de deportação em massa do presidente Donald Trump. Mas o espanhol fazia parte da liturgia bilíngue e era frequentemente falado primeiro, como na primeira leitura da Carta aos Gálatas pelo leitor Samuel Jimenez Coreas, que outrora viveu no orfanato Nuestros Pequeños Hermanos, dirigido por Hicks, em El Salvador.

Ele também citou Bad Bunny, o cantor e rapper cuja apresentação no Super Bowl de domingo gerou reações negativas de conservadores que acusam o porto-riquenho de ser anti-americano. A referência a "NUEVAYoL" foi acompanhada por trechos de "New York State of Mind", de Billy Joel, "Empire State of Mind", de Jay-Z, e ​​"New York, New York", de Frank Sinatra. Mas a citação de Bad Bunny recebeu alguns dos aplausos mais calorosos.

Maria Galvez, paroquiana da Catedral de São Patrício há 20 anos, disse que ficou com lágrimas nos olhos durante a homilia de Hicks: "É emocionante, estou muito feliz por termos um bispo que fala espanhol, e sinto que ele é muito sincero, que vem aqui com muita alegria."

Outros também pareceram comovidos com a fluência de Hicks em espanhol, já que a plateia riu e aplaudiu quando ele falou.

O tema de uma igreja missionária foi o ponto central da homilia de Hicks: "Este é um convite para sermos uma igreja missionária, não um clube social. Um clube existe para servir seus membros. A Igreja, porém, existe para sair e servir a todas as pessoas — com fervor, com fé, com esperança e com caridade em nome de Jesus Cristo."

O arcebispo disse: “Existimos para seguir Jesus, que alimentou os famintos, curou os doentes no corpo e no espírito, rejeitou o ódio e proclamou o amor.”

Hicks esclareceu que suas palavras não eram "uma crítica", reconhecendo que, dentro da Igreja Católica, particularmente nos Estados Unidos, tem havido um debate sobre se a Igreja deve ser defendida fortalecendo a ortodoxia em um mundo secularizado ou se deve se abrir e dialogar com esse mundo. Mas o novo arcebispo de Nova York deixou claro que, nessa questão, ele concorda com o Papa Francisco — e com seu sucessor, o Papa Leão XIV — citando a famosa improvisação de Francisco, "todos, todos, todos", que sinaliza um compromisso de incluir "todos" na Igreja.

O reverendo Chris Argano, pároco da Igreja Católica de Santa Maria em Washingtonville, Nova York, disse esperar que o novo arcebispo se sinta acolhido ao enfrentar os desafios de uma nova cidade. "Está cada vez mais difícil difundir a mensagem do Evangelho, mas em sua homilia de hoje, ele deixou claro que somos uma Igreja missionária que evangeliza para levar a mensagem de Jesus Cristo às ruas."

Outra referência a Francisco foi o pedido de Hicks, durante seu discurso de despedida, para que os presentes rezassem por ele, ecoando o pedido repetido do falecido papa, feito pela primeira vez da sacada após sua eleição para o papado. "Rezarei por todos vocês com muita, muita gratidão", acrescentou Hicks, referindo-se à sua oração durante a adoração eucarística.

No início de sua homilia, com a voz embargada pela emoção, ele agradeceu ao Cardeal Christophe Pierre, núncio apostólico nos Estados Unidos, "por me lembrar de simplesmente ser eu mesmo"; ao Cardeal Blase Cupich, seu antigo bispo na Arquidiocese de Chicago, "por seu exemplo e orientação"; a Dolan, seu antecessor, "por seu generoso apoio, tanto pessoal quanto público"; aos católicos da região de Chicago, "por serem discípulos que fazem discípulos"; e a seus pais, "por sempre me mostrarem o que significa amor incondicional".

"O Cardeal Timothy Dolan serviu esta arquidiocese com generosidade, convicção e zelo pessoal", disse o Núncio Apostólico, Cardeal Pierre, que está prestes a se aposentar por ter completado 80 anos, idade em que os cardeais não podem mais participar do conclave. "Sua voz foi um testemunho poderoso e alegre do Evangelho, tanto aqui em Nova York quanto muito além."

Dolan, uma figura proeminente na Igreja americana, é conhecido pelos católicos de todo o país por suas aparições na mídia. Embora tenha criticado políticas anti-imigração, ele foi nomeado para a Comissão de Liberdade Religiosa de Trump e era considerado próximo de alguns políticos republicanos. Após a morte de Francisco, Trump pressionou para que Dolan se tornasse papa.

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