12 Janeiro 2026
Leão XIV pediu aos cardeais, durante o consistório extraordinário da semana passada, que não falassem publicamente sobre o conteúdo das discussões. Ainda assim, uma revista publicou agora alguns posicionamentos – e eles soam críticos.
A informação é publicada por katolisch.de, 12-01-2026.
Segundo uma reportagem publicada, houve grandes divergências de opinião sobre o tema da sinodalidade no consistório extraordinário de cardeais realizado na semana passada. A revista inglesa The Catholic Herald (domingo) cita um cardeal africano de alto escalão, que não foi identificado pelo nome, afirmando que apoia a sinodalidade em princípio, mas que ela precisa de balizas claras e de uma definição precisa. As ampliações do Sínodo dos Bispos introduzidas pelo Papa Francisco, incluindo leigos, religiosos e sacerdotes, seriam “um outro nível em relação ao que tradicionalmente entendemos por sínodo”. “Eu diria que toda a ideia de um sínodo sobre a sinodalidade é algo fluido”, disse o cardeal. “Em segundo plano, quando falamos de sinodalidade, está sempre o sínodo alemão, o Caminho Sinodal, que causa problemas.” Ele advertiu contra grupos de interesse que tentam impor determinadas direções.
Outro cardeal conservador, também não identificado, criticou, segundo a reportagem, a disposição dos assentos e o estilo sinodal das deliberações dos cardeais. “Todo esse estilo sinodal simplesmente não faz sentido para mim. Não entendo os homens inteligentes que escrevem interminavelmente sobre isso.”
Um outro cardeal criticou o fato de os purpurados terem sido informados sobre o andamento do consistório apenas poucos dias antes do início, e de alguns cardeais mais idosos não verificarem seus e-mails regularmente. “Houve muita confusão. Quando se olhava para a composição das mesas, eu tinha a impressão de que as coisas estavam de alguma forma previamente definidas.” Outro cardeal brincou: “Caminhar juntos e ouvir. Mas a ideia é que, se você não concorda com o grupo, então não ouviu o suficiente.”
“Seu culto à personalidade não deveria ter nada a ver com a Igreja Católica”
A apresentação dos resultados dos trabalhos em grupo, na quinta-feira, teria sido equivalente a um plebiscito popular sobre o legado do Papa Francisco, informou ainda o The Catholic Herald. Alguns amigos do falecido pontífice teriam falado de uma nova Igreja e de uma mudança absoluta. Um outro cardeal foi ainda mais longe e declarou: “Seu culto à personalidade não deveria ter nada a ver com a Igreja Católica.”
No consistório extraordinário realizado na quarta e quinta-feira passadas, o Papa Leão XIV convocou, pela primeira vez em seu pontificado, os cardeais da Igreja universal para consultas em Roma. Como temas, os cardeais escolheram sinodalidade e missão; os temas da liturgia e da reforma da Cúria não obtiveram maioria.
Segundo o The Catholic Herald, alguns cardeais acreditam que esses últimos temas serão tratados no próximo consistório, nos dias 27 e 28 de junho. Embora a missa pré-conciliar não tenha sido abordada abertamente, ela teria estado presente por escrito. Assim, um cardeal relatou a existência de uma carta do prefeito do Dicastério para o Culto Divino, cardeal Arthur Roche, que se posicionava negativamente sobre a chamada “Missa Antiga” e que foi distribuída aos cardeais. A revista interpretou isso como um “declínio na atitude da Santa Sé em relação à missa latina tradicional”.
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