"E se a escassez de padres exigisse uma resposta não quantitativa, mas diferente?". Artigo de Alejandro Pérez

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12 Janeiro 2026

Somente Cristo é sacerdote; toda a Igreja, como Corpo de Cristo, é chamada a participar de sua missão, enfatiza Alejandro Pérez. Portanto, em sua opinião, a governança, a pregação e, se necessário, a celebração de alguns sacramentos, poderiam ser confiadas a ministros não sacerdotes.

A opinião é de  Alejandro Pérez, Professor de teologia e filosofia no Centre Théologique de Meylan-Grenoble e colaborador científico na Universidade Católica de Louvain, em artigo publicado por La Croix, 08-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Em um artigo publicado recentemente no A vif, o espaço de debates do jornal La Croix, o Padre Marc Cholin dá início à reflexão com a seguinte afirmação: "Nossa Igreja Católica precisa de sacerdotes, especialmente na França". Essa afirmação reflete uma realidade dolorosa que a Igreja enfrenta na França — e em outros lugares.

Mas, refletindo mais a fundo, essa é de fato uma afirmação satisfatória? E se, ao contrário, fosse insuficiente ou até mesmo enganosa? Não porque a Igreja não precise de sacerdotes, mas porque ter mais sacerdotes talvez não seja a única resposta possível, nem necessariamente a melhor.

Só Cristo é sacerdote

É bom, portanto, retornar a uma afirmação fundamental, muitas vezes relegada a segundo plano: só Cristo é sacerdote. Toda a Igreja, como Corpo de Cristo, é chamada a participar de sua missão. Assim, se a Igreja é missionária por natureza e se alguns desempenham uma função central nela, por que não imaginar escolhas alternativas às que conhecemos hoje?

O documento final do Sínodo sobre a Sinodalidade levanta, a esse respeito, uma questão crucial que merece ser levada a sério: “É tempo de realizar um discernimento mais corajoso sobre o que pertence especificamente ao ministério ordenado e o que pode e deve ser delegado a outros” (DF 74). Sem me delongar aqui no que pertence especificamente ao ministério ordenado — uma vez que nada lhe pode ser atribuído senão em virtude da sua participação à ministerialidade de Cristo —, gostaria de me perguntar o que pode ser delegado.

Delegar funções até aqui reservadas aos padres

Não poderíamos, assim, perguntar aos bispos se, perante a escassez de presbíteros chamados a exercer uma função central na vida eclesial, não poderiam ser delegadas a outros ministérios — e, portanto, a outros ministros — funções hoje reservadas quase exclusivamente aos padres?

Devemos reconhecer que, historicamente, só o bispo exercia todas as funções que os cônegos, monges, religiosos e padres foram progressivamente assumindo ao longo dos séculos. Então, em vez de persistir na manutenção do modelo da Igreja monosacerdotal masculina, não seria apropriado retornar a uma Igreja autenticamente ministerial?

Uma Igreja em que, segundo as necessidades pastorais e após um verdadeiro discernimento eclesial, algumas funções antes concentradas na figura do bispo, e depois gradualmente monopolizadas pelo padre, poderiam ser confiadas a outros ministérios, sejam de diaconato ou ministérios novos a serem criados.

Criar outros ministros a serviço da comunidade

Em outras palavras, assim como alguns são hoje habilitados a exercer ministérios a serviço da comunidade (isto é, o presbiterado), por que não se poderia, de maneira ordinária ou extraordinária, reconhecer e criar outros ministros a serviço da comunidade? Não participam todos os batizados, cada um segundo a sua própria vocação, da mesma dignidade fundamental e, portanto, da mesma missão? Torna-se então necessário redescobrir uma teologia mais correta do batismo e dos ministérios, e ousar tirar as consequências.

Poderíamos nos perguntar: o que pode ser delegado? Diante dessa pergunta, devemos distinguir entre o que é teoricamente possível delegar e o que é pastoralmente possível implementar. O que é teoricamente possível? Tudo... ou quase tudo. Se partirmos do princípio de que Deus é o único operador da graça e que Cristo é o único sacerdote, nesse sentido não há nada a temer.

Por exemplo, Tertuliano escrevia já no início do século III: "Onde falta um corpo de ministros ordenados, és tu, leigo, que irás celebrar a Eucaristia, batizar e serás teu próprio sacerdote; pois onde há dois ou três fiéis, há uma Igreja". Outros textos antigos seguem na mesma direção e testemunham a consciência eclesial das primeiras comunidades.

Colocar novamente Cristo no centro

Contudo, no plano pastoral, a questão se apresenta de forma diferente. Não pode abrir mão de um discernimento eclesial exigente, e a decisão não dependeria unicamente do bispo, mas necessitaria de um processo de reflexão e amadurecimento no qual todos os batizados seriam chamados a participar. Nesse contexto, o governo, a pregação e, se necessário, a celebração de determinados sacramentos, poderiam, em virtude do batismo e de acordo com modalidades a serem especificadas, ser confiados a ministros designados, sempre que as necessidades pastorais o justificarem.

Talvez seja nesse sentido que devemos hoje aprofundar como o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial se ordenam um em relação ao outro, conforme ensina a Lumen Gentium (n.º 10), Constituição Dogmática sobre a Igreja do Concílio Vaticano II. Ousar tal reflexão não seria, afinal, ousar colocar Cristo decisivamente no centro e reconhecer que é como comunidade eclesial que todos os cristãos são chamados a participar do único sacerdócio de Cristo?

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