ONGs acionam Justiça para impedir exploração de petróleo na Foz do Amazonas

Foto: Amazônia Real | Flickr

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Outubro 2025

Oito organizações e redes dos movimentos ambientalista, indígena, quilombola e de pescadores artesanais entraram na última 4ª feira (22/10) com uma ação civil pública na Justiça Federal do Pará contra Ibama, Petrobras e União, pedindo a anulação do licenciamento do bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 24-10-2025.

Na 2ª feira (20), o órgão ambiental autorizou a petrolífera a perfurar um poço para explorar petróleo e gás fóssil na área, o que ocorreria “imediatamente”, segundo a Petrobras. Por isso, as entidades também pediram a suspensão da perfuração, pelo risco de danos ambientais irreversíveis.

São autores da ação a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB); Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ); Comissão Nacional para o Fortalecimento das Reservas Extrativistas e dos Povos Extrativistas Costeiros e Marinhos (CONFREM); Greenpeace Brasil; Instituto Arayara; Observatório do Clima (OC); e WWF-Brasil.

A ação aponta três vícios fundamentais no processo que ensejam sua anulação. Um deles é que o licenciamento ignorou Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais: não foram realizados estudos de Componente Indígena e de Componente Quilombola, nem houve Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) a esses grupos, que já são afetados pelo empreendimento mesmo antes da abertura do poço.

O licenciamento também tem falhas graves de modelagem que põem em risco a biodiversidade, afirma o documento. O modelo usado pela Petrobras não considera as características da Foz, como o comportamento de correntes e a presença de sedimentos que interferem na dispersão e afundamento do óleo em caso de vazamento. A petrolífera ainda usou dados desatualizados da hidrodinâmica da região, de 2013, embora já existam dados para 2024.

Por fim, o licenciamento ignorou os impactos climáticos do projeto. O Bloco 59 é o primeiro de 28 concessões petrolíferas na bacia da Foz do Amazonas, e sua licença “abre uma porteira” para elas. A criação dessa nova fronteira exploratória de petróleo e gás implicará, em plena crise climática, aumento na produção de combustíveis fósseis, com consequente aumento das emissões de gases de efeito estufa no país e no mundo.

“Em plena crise climática e às vésperas da COP30, o Brasil joga no fundo do oceano a tentativa de liderar pelo exemplo e põe em risco o legado climático do país ao autorizar a perfuração do bloco FZA-M-59, lançando as bases para a ocupação da região pela exploração petroleira. O processo de licenciamento possui diversas inconsistências técnicas e jurídicas que, de forma irrefutável, demonstram a inadequação da licença emitida pelo Ibama. Há fragilidade nas modelagens, descumprimento da Convenção 169 da OIT e outros problemas sérios. Ao invés de proteger os ecossistemas e o sistema climático e prezar pelo cumprimento da Constituição Federal, liberou-se a perfuração de forma inconsequente. Não há outra medida cabível que não a propositura da ação judicial”, reforça Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima.

A ação judicial contra a licença do Bloco 59 da Petrobras foi repercutida por CNN, Folha, Brasil de Fato, Correio Braziliense, Um Só Planeta, O Globo, Vero Notícias, Colabora, Valor, Poder 360, eixos, Jornal do Comércio, UOL, Gazeta do Amapá e Portal AZ.

Leia mais