“Acabar com petróleo no mundo é fantasia”, diz secretário-geral da OPEP

Haitham Al-Ghais (Foto: OPEP | Reprodução)

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26 Setembro 2024

Organização, que reúne alguns dos maiores produtores globais, diz que não vê sinais de pico de consumo do combustível fóssil, apesar da corrida pelas renováveis.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 26-09-2024.

O secretário-geral da OPEP, Haitham Al-Ghais, veio nesta semana ao “Saldão do Fim do Mundo” – leia-se Rio Oil and Gas, ou ROG.e, o principal evento da indústria de combustíveis fósseis do Brasil – para lançar o World Oil Outlook (WOO) 2024, que traz as projeções do cartel para esse mercado até 2050. No relatório, a entidade chama de “fantasia” a eliminação do petróleo e do gás fóssil da matriz energética global. Pelo contrário: na visão da OPEP, a demanda por combustíveis fósseis vai aumentar até lá. A emergência climática que espere – se sobrevivermos até lá.

“Não somos contra as renováveis. A OPEP incentiva todas as formas de energia, incluindo as renováveis. Quase todos os nossos países-membros estão investindo bilhões de dólares em renováveis, assim como em tecnologias como captura e armazenamento de carbono e em hidrogênio. É por isso que dizemos que é fantasia. Quanto dinheiro foi investido em transição [energética] em todos esses anos?”, disse Al-Ghais ao Valor.

No WOO 2024, o cartel prevê que as renováveis responderão por 60% do crescimento da demanda energética global, mas o consumo de petróleo deve ultrapassar os 120 milhões de barris por dia em 2050, alta de 17 milhões de barris em relação ao cenário atual, detalha a Folha. Além disso, segundo a OPEP, a participação do petróleo e do gás na matriz energética em 2050 ficará acima dos 50%, com o petróleo em 29% – a maior fatia da história.

A organização diz que o suprimento global de petróleo demandará investimentos de US$ 17,4 trilhões até 2050. Desse total, US$ 14,2 trilhões serão destinados a exploração e produção, ou seja, à busca de novas reservas e sua extração.

O relatório da OPEP e a fala de Al-Ghais devem ter levado às lágrimas de alegria o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Afinal, ambos também estiveram no “Saldão do Fim do Mundo” defendendo a exploração de mais combustíveis fósseis.

No entanto, há de se desconfiar das projeções de um cartel de países produtores de petróleo – do qual o Brasil faz parte – cujo principal interesse é… explorar mais e mais petróleo. Ainda mais quando a Agência Internacional de Energia (IEA) mostra o contrário: um pico de demanda por combustíveis fósseis até 2030 e uma expansão crescente das fontes renováveis na matriz energética global.

Vale lembrar ainda que em setembro a própria OPEP reduziu suas projeções para o crescimento da demanda por petróleo neste ano e em 2025. Foi o segundo mês consecutivo que o cartel diminuiu suas previsões para o consumo.

Em tempo

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinou ato normativo para instituir o Comitê de Monitoramento do Setor de Gás Natural [leia-se “Fóssil”], nos moldes do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico [CMSE]. Criado a partir do Decreto nº 12.153/2024, que institui o programa Gás para Empregar, o colegiado terá a responsabilidade de elaborar propostas para a ampliação do mercado do combustível fóssil no país, informa a Exame. Falta agora criar um comitê para monitorar o aumento das emissões de gases de efeito estufa que a expansão do gás vai provocar no país.

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