Gaza: ONU lamenta morte de funcionários e situação “sem precedentes” após novo ataque a área humanitária

Foto: Unicef | Hassan Islyeh

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13 Setembro 2024

Após a última ofensiva israelense a uma escola em Gaza, que deixou 18 mortos, entre eles seis funcionários das Nações Unidas, a ONU lamentou o novo ataque a uma área que “deveria ser segura e protegida pelo direito humanitário internacional”. O local servia de refúgio para famílias deslocadas pela guerra. Segundo o exército israelense, os alvos visados eram “terroristas”.

A reportagem é publicada por Rfi, 12-09-2024.

Jonathan Fowler, porta-voz da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém, afirma que episódios como este têm se tornado frequentes e que a instituição já contabiliza centenas de óbitos de seus colaboradores, algo “sem precedentes” no conflito.

“Desde a criação das Nações Unidas, nunca tantos dos seus funcionários foram mortos numa guerra. E isso é algo que deveria fazer todos pensarem. Contabilizamos quase 220 mortes entre os nossos colegas desde o início desta guerra (em Gaza), e este é um número sem precedentes para os trabalhadores da ONU. É uma tragédia humana em locais que deveriam ser seguros e protegidos pelo direito humanitário internacional. Mas isso continua a se repetir”, lamenta Jonathan.

O ataque aconteceu na quarta-feira (11) na escola Nuseirat, “local de refúgio para 12 mil pessoas”, afirma o secretário-geral da ONU, António Guterres. O chefe da organização confirmou a morte de seis colaboradores da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos, durante dois bombardeios aéreos.

Os dois lados do conflito travam uma guerra armada, misturada com uma disputa de narrativas, cujas principais vítimas são os civis sitiados, bombardeados e deslocados à força por conta dos combates. Desde o início da guerra, o exército de Israel atacou 70% das escolas da UNRWA na Faixa de Gaza.

O Estado judeu alega que estas estruturas bombardeadas abrigam, na verdade, “centros de comando do Hamas”, informação contestada pelo movimento islâmico palestino.

Na última terça-feira (10), outra área humanitária, al-Mawassi em Khan Yunis, já havia sido alvo de um ataque israelense, que deixou 40 mortos e 60 feridos, segundo a Defesa Civil de Gaza. Na ocasião, o Exército israelense alegou que tinha como alvo um "centro de comando" do Hamas.

Países exigem proteção a locais humanitários

Diante da recente ofensiva, a comunidade internacional reagiu condenando o caso e exigiu mais segurança para colaboradores humanitários, civis e locais de refúgio. O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse estar “escandalizado” com este novo ataque israelense.

“O desrespeito pelos princípios fundamentais do direito humanitário internacional, em particular a proteção dos civis, não pode e não deve ser aceito pela comunidade internacional”, disse ele.

A Alemanha também condenou o episódio e classificou como “totalmente inaceitáveis” as mortes destes profissionais. “O exército israelense tem a responsabilidade de proteger os colaboradores da ONU e os trabalhadores humanitários”.

Na Polônia, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, por sua vez, apelou à proteção destes colaboradores. Segundo ele, um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos é a melhor forma de garantir a sua segurança.

“Precisamos garantir a proteção dos locais humanitários e esta é uma questão que continuamos a levantar com Israel”, disse Antony Blinken.

Ele também afirmou que o movimento islâmico palestino Hamas, em guerra contra Israel desde o ataque de 7 de outubro em solo israelense, também era responsável.

“Continuamos a ver o Hamas escondido nestes locais, assumindo o controle deles e utilizando-os para realizar as suas operações”, assegurou Antony Blinken.

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