04 Setembro 2024
Plano envolve usar 723 animais selvagens para alimentar cerca de 1,4 milhão de pessoas, que estão sendo afetadas pela estiagem severa.
A informação é publicada por ClimaInfo, 04-09-2024.
País da costa oeste da África, a Namíbia vive a pior seca em 100 anos. A estiagem extrema fez a nação decretar estado de emergência em maio. No mês passado, tinha esgotado 84% de suas reservas de alimentos, segundo o RFI. Com a fome atingindo a maior parte da população, o governo anunciou uma solução drástica: abater animais selvagens para alimentar as pessoas famintas.
O plano é matar 723 animais selvagens, incluindo 83 elefantes, informa o New York Times, em matéria traduzida pelo Estadão. Em nota à imprensa, o Ministério do Ambiente, Florestas e Turismo da Namíbia diz que a medida é “necessária” e “está em linha com nosso mandato constitucional onde nossos recursos naturais são usados para o benefício dos cidadãos namibianos”.
Os animais a serem abatidos virão dos parque Namib Naukluft, Mangetti, Bwabwata, Mudumu e Nkasa Rupara. Apesar de chocante, a estratégia não é inédita. “A colheita sustentável e bem gerenciada de populações saudáveis de animais selvagens pode ser uma preciosa fonte de alimento para as comunidades”, disse Rose Mwebaza, diretora do Escritório da África do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
A Namíbia faz parte de uma área de conservação que abrange cinco países, junto com Zimbábue, Zâmbia, Botsuana e Angola, uma região com mais de 200.000 elefantes. Centenas deles morreram em Botsuana e Zimbábue no ano passado devido à seca.
Secas são comuns no sul da África, e a região experimentou várias na última década, disse Benjamin Suarato, porta-voz da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Mas esta tem sido especialmente devastadora e generalizada pela região, ressaltou Juliane Zeidler, diretora do país do Fundo Mundial para a Vida Selvagem na Namíbia. Certamente mais um efeito nefasto das mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Que, ressalte-se, não tem os países do continente africano como maiores consumidores.
O plano da Namíbia de abater animais selvagens para alimentar sua população também foi noticiado por DW, Al Jazeera, CNN, Washington Post, Business Standard, Reuters, CBS e ABC.
Em tempo
As nações africanas estão perdendo até 5% de seu PIB anualmente por enfrentarem um fardo mais pesado do que o resto do mundo devido às mudanças climáticas, mostra o relatório State of The Climate Africa 2023, da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Segundo o documento, muitos países do continente estão gastando até 9% de seus orçamentos em políticas de adaptação climática, destaca a AP. A África é responsável por menos de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. No entanto, é a região mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas, inundações e ondas de calor, afirmou a OMM.
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