Tragédia climática no RS: Prefeitura de Porto Alegre nega omissão e pede reconsideração à Justiça sobre plano antienchente

Foto: Gabriel Ribeiro | CMPA

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Julho 2024

Prefeitura alega que magnitude dos eventos climáticos levou à calamidade, ignorando relatório de 2014 que já mostrava problemas em comportas, muro e casas de bombas.

A informação é publicada por ClimaInfo, 04-07-2024.

As chuvas extremas que atingiram o Rio Grande do Sul durante o mês de maio escancararam falhas no sistema de proteção contra cheias da capital, Porto Alegre. Comportas não resistiram à elevação do lago Guaíba, e apenas quatro das 23 estações de bombeamento da cidade funcionavam quando as inundações começaram.

Em resposta a uma ação civil pública movida por entidades expondo esses problemas, o juiz Thiago Notari Bertoncello, da 7ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, deu até 10 dias, a partir de 12 de junho, para que a prefeitura apresentasse um plano para prevenir novas inundações e mitigar danos das enchentes de maio. A prefeitura, porém, pediu reconsideração da decisão judicial, informa a Matinal.

Para a prefeitura, houve “inocorrência de omissão estatal” – ou seja, não teria havido descuido por parte do poder público – e já existem planos e ações locais em curso para resposta à calamidade pública. Entre os argumentos usados no pedido está a magnitude do evento climático.

A GZH lembra que, no final de 2014, um relatório entregue à antiga concessionária do Cais Mauá, à prefeitura e ao extinto Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) indicou problemas na proteção ao Centro Histórico da cidade. A ineficácia do sistema antienchente também foi detectada no Plano Municipal de Saneamento de 2015. Outros dois avisos foram feitos: um em 2018, num parecer técnico de funcionários municipais, e outro em novembro de 2023, quando o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) apontou problemas em quatro estações de bombeamento logo após a cidade registrar inundações e destacou a “necessidade urgente” de manutenção.

Enquanto isso, moradores de alguns bairros de Porto Alegre ainda sofrem por conta da enchente e cobram soluções. No fim de semana passado, a população foi às ruas nos bairros Sarandi, fortemente impactado, na Zona Norte da capital, e Guarujá, na Zona Sul, relata o Brasil de Fato.

Em tempo 1

Somente dois meses após o início das enchentes Porto Alegre voltou a ter todas as suas casas de bombeamento de águas funcionando, informam g1 e GZH. Na 2ª feira (1/7), o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) religou a casa de bombas 21, no Sarandi. Era a última das 23 Estações de Bombeamento de Água Pluvial (Ebaps) da cidade fora de operação.

Em tempo 2

 Em Alvorada, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, a população ainda convive com alagamentos, lixo espalhado pelas inundações e esgoto a céu aberto, mostra o g1. A prefeitura não informou o número de pessoas afetadas, mas disse que são “centenas”. No ápice da enchente, foram 10 mil atingidos em Alvorada.

Em tempo 3

 Chegou a 180 o número de mortos pela tragédia climática do Rio Grande do Sul, informa o Correio Braziliense, e 32 pessoas continuam desaparecidas. A mais recente vítima foi encontrada em Roca Sales. Os municípios gaúchos com mais mortes são Canoas (31), Roca Sales (14) e Cruzeiro do Sul (12).

Em tempo 4

Cientistas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) investigam o desaparecimento de tartarugas da Praia do Cassino, em Rio Grande, no extremo sul gaúcho, após as enchentes, relata o g1. Nos últimos dois meses, ao menos 50 tartarugas deveriam ter sido encontradas nas proximidades.

Em tempo 5

Poucos dias antes dos temporais que devastaram o Rio Grande do Sul, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) utilizou seu cacife técnico para produzir propaganda para os combustíveis fósseis, principais causadores da crise climática. “Nossos tomadores de decisão e negociadores da COP30 fariam bem em ouvir mais o eco da catástrofe gaúcha e menos as posições que lobistas do petróleo insistem em defender em pleno 2024”, avalia Shigueo Watanabe Jr. na Folha.

Leia mais