Teoria dos Quatro Cosmogramas. Artigo de Moysés Pinto Neto

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09 Julho 2024

“O século XXI marca a emergência de um novo tabuleiro político a partir da intrusão de elementos estranhos ao universo moderno. Enquanto a Modernidade objetivava exteriorizar o não humano e fazer da política uma disputa discursiva entre seres racionais – incluída, nisso, sua dissidência pós-moderna – o cenário contemporâneo aponta para a intrusão cada vez maior de agentes não-humanos, além de interações para além da linguagem e da razão, tornando-se mais complexa e ainda difícil de mapear. Antropoceno, inteligência artificial, intrusão de Gaia, automação geral, repovoamento da Terra, queda do céu, renascimento do futuro e pandemia são algumas das palavras que poderiam definir esse novo habitar o mundo, ou os mundos, desafiando as construções que reduziam a política à disputa pelos governos regradas pelos jogos de poder habituais. Não que isso signifique o fim das polarizações com a pax mundial conquistada – ao modo da grande festa liberal que tomara conta do mundo com o 'Fim da História' nos estertores do século XX. Ao contrário. A rigor, são as polarizações que invadem agora domínios antes nunca visitados, produzindo a confrontação de modos de existência percorrem e cruzam inclusive a antiga borda que separava natureza e cultura”, escreve Moysés Pinto Neto, doutor em Filosofia (PUCRS), editor do canal Transe e da plataforma educacional Alternativa Hub, em artigo publicado por Cadernos IHU ideias, edição 359.

“O presente texto busca apresentar o que irei chamar, de modo simples e direto, teoria dos quatro cosmogramas. Ele colabora para uma área de estudos que poderíamos denominar como 'política cósmica'. Trata-se de um esforço de simetrização que abdica do eixo tradicional da filosofia para aventurar-se em comparações que não pressupõem uma fundamentação última. As inspirações deste exercício são Danowski e Viveiros de Castro, 2014; Frase, 2016; Descola, 2016; Latour, 2020; Bensusan, 2020; Strathern, 2019; Sahlins, 2022; Bispo dos Santos, 2019; Krenak, 2020; Charbonnier, Salmon & Skafish, 2016. O texto apresenta, a partir do cruzamento das categorias imanência/transcendência e concreto/abstrato, um mapa dos quatro cosmogramas: indígena, edenista, digitalista e supremacista. Procura, em seguida, defini-los nas suas principais características. Ao final, cruza novamente os cosmogramas a partir dos vetores imanência/transcendência e material/espiritual”.

Moysés Pinto Neto é doutor em Filosofia (PUCRS), editor do canal Transe e da plataforma educacional Alternativa Hub. O presente texto está dentro da pesquisa Política Especulativa: virada ontológica, imaginários futuristas e educação, e compõe um esforço de longo prazo que abrange trabalhos anteriores como O retorno da politica e Quatro cenários para o Fim do Mundo. Ele é, ao mesmo tempo, a conclusão dos trabalhos em torno das imagens de futuro e um esboço de projeto em andamento que pretende se tornar um livro em que seus pontos serão mais detalhados. Propõe-se como esforço de síntese ainda precária, sujeita a transformações e atenta às críticas para aperfeiçoar sua caracterização. Sua versão inicial foi publicada na revista Dystopia, hoje fora do ar, e a versão atual já fez diversas modificações substantivas.

Acesse aqui o artigo na íntegra.

 


(Imagem: Capa Cadernos IHU ideias 359) 

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