Cientistas alertam para a possibilidade de colapso social e ambiental. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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15 Novembro 2023

"As pessoas mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas tendem a viver em países menos ricos que menos contribuíram para as emissões globais de gases com efeito de estufa, realçando a necessidade de movimentos de justiça ambiental", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia, em artigo publicado por EcoDebate, 13-11-2023.

Eis o artigo.

O ano de 2023 tem batido todos os recordes de calor e os polos têm apresentado recordes de degelo. Cresce o número de espécies na lista de extinção e a perda de biodiversidade se agrava. A crise climática e ambiental está se aprofundando. Por conta disto, uma coalizão internacional de cientistas do clima voltam a alertar que os sinais vitais da Terra estão entrando em colapso e a vida no planeta está em perigo.

O relatório “The 2023 State of the climate report: Entering uncharted territory”, publicado na revista BioScience (24/10/2023) e assinado por mais de 15 mil cientistas de 163 países diz que estamos entrando em um “território desconhecido” e preocupante.

 

Reprodução: EcoDebate

Os investigadores enfatizaram os problemas atuais causados por extremos climáticos e alertaram sobre a possibilidade de um colapso social e ecológico generalizado no futuro, ao mesmo tempo que condenaram os recentes aumentos nos subsídios à indústria dos combustíveis fósseis, que é o principal motor das alterações climáticas.

O relatório de 2023 é a última atualização de uma série anual chamada Cientistas Mundiais Alertando sobre uma Emergência Climática. Desde 2019, os cientistas têm acompanhado as ameaças crescentes que o aquecimento das temperaturas globais representa para os seres humanos e os ecossistemas em todo o mundo.

O novo relatório, liderado pelo ecologista William Ripple, da Oregon State University, chama a atenção para alguns desastres ambientais de 2023, como os incêndios florestais extremos, inundações, ondas de calor e outros desastres naturais que são amplificados pelas alterações climáticas.

Os autores sugerem que as temperaturas de Julho passado podem ter sido as mais quentes da Terra nos últimos 100.000 anos, o que chamaram de “um sinal de que estamos empurrando os nossos sistemas planetários para uma instabilidade perigosa”.

As temperaturas médias diárias globais nunca ultrapassaram 1,5º Celsius acima dos níveis pré-industriais antes de 2000 e apenas ocasionalmente ultrapassaram esse número desde então. No entanto, até 12 de setembro de 2023 se registrou 38 dias com temperaturas médias globais acima de 1,5°C, superior a qualquer outro ano.

“Como cientistas, somos cada vez mais solicitados a contar ao público a verdade sobre as crises que enfrentamos em termos simples e diretos. A verdade é que estamos chocados com a ferocidade dos acontecimentos climáticos extremos em 2023. Temos medo do território desconhecido em que entramos agora”, escreveram Ripple e seus colegas no relatório.

O relatório observou que os efeitos naturais, como o padrão climático El Niño e a erupção de um vulcão subaquático em 2022, colaboraram para os extremos climáticos recordes deste ano.

No entanto, os investigadores sublinharam que as alterações climáticas provocadas pelo ser humano exacerbando muitos destes processos naturais de uma forma que irá gerar anomalias mais frequentes e catastróficas nas próximas décadas.

O relatório inclui uma seção intitulada “Sofrimento Humano Incontável em Imagens”, que oferece um poderoso relato visual de pessoas que sofreram catástrofes relacionadas com o clima ao longo dos últimos anos. As pessoas mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas tendem a viver em países menos ricos que menos contribuíram para as emissões globais de gases com efeito de estufa, realçando a necessidade de movimentos de justiça ambiental.

Até ao final deste século, estima-se que 3 a 6 bilhões de indivíduos – aproximadamente entre um terço e a metade da população global – poderão encontrar-se fora da região habitável, enfrentando calor extremo, disponibilidade limitada de alimentos e taxas de mortalidade elevadas por causa dos efeitos das mudanças climáticas.

O comunicado diz: “Alertamos para o potencial colapso dos sistemas naturais e socioeconômicos num mundo onde enfrentaremos um calor insuportável, fenômenos meteorológicos extremos e frequentes, escassez de alimentos e de água doce, aumento do nível do mar, mais doenças emergentes e aumento da agitação social e do conflito geopolítico.

 

Reprodução: EcoDebate

Em síntese, a humanidade está provocando grandes danos aos ecossistemas e ao clima e está caminhando rumo a um abismo. Os cientistas alertam que é preciso reverter os rumos da civilização com urgência. São muitas as tarefas a serem implementadas para evitar uma catástrofe. Mudar o padrão de produção e consumo e reduzir a Pegada Ecológica global são tarefas essenciais.

Mas não dá para ignorar que reduzir e depois reverter o crescimento populacional faz parte das medidas para mitigar o aquecimento global e a perda de biodiversidade, evitando um holocausto biológico.

Referências

ALVES, JED. A vida na Terra tem duas ameaças vitais: mudanças climáticas e ecocídio, Ecodebate, 19/06/2019 

William J Ripple, Christopher Wolf, Jillian W Gregg, Johan Rockström, Thomas M Newsome, Beverly E Law, Luiz Marques, Timothy M Lenton, Chi Xu, Saleemul Huq, Leon Simons, Sir David Anthony King, The 2023 state of the climate report: Entering uncharted territory, BioScience, 24 October 2023, biad080

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