Para quem e para que serve a teologia?

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14 Fevereiro 2023

"O campo da teologia não é um campo minado como alguns poderiam pensar, muito menos um campo reservado para quem ainda pretende abraçar uma vida de consagração religiosa, mas é, ao contrário, uma oportunidade de crescimento, tanto do ponto de vista cristão, para quem é cristão, quanto de um ponto de vista humano", escreve Stefano Zeni, presbítero da diocese de Trento, e diretor do ISSRRomano Guardini” de Trento, em artigo publicado por Settimana News, 13-02-2023A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Qual é o sentido de estudar teologia hoje? Em um mundo dominado pela técnica e pela inteligência artificial, ainda vale a pena gastar tempo e energia para se aprofundar em questões "fora de moda" relacionadas a Deus e à? Para que serve?

Provavelmente as primeiras respostas a essas perguntas – talvez até de quem está lendo – possam ser estas: "nenhum, não, a nada". Três afirmações peremptórias que fecham qualquer discussão e não permitem o confronto e a reflexão. Não quero fazer longos discursos, mas simplesmente abordar a questão da teologia compartilhando algumas reflexões, não impondo uma verdade dogmática, na esperança de oferecer uma oportunidade de aprofundamento e de diálogo construtivo.

Pensamento e ação

O campo da teologia não é um campo minado como alguns poderiam pensar, muito menos um campo reservado para quem ainda pretende abraçar uma vida de consagração religiosa, mas é, ao contrário, uma oportunidade de crescimento, tanto do ponto de vista cristão, para quem é cristão, quanto de um ponto de vista humano. Não se estuda teologia apenas para aumentar a própria bagagem de noções e conhecimentos no campo da doutrina, mas para aprender a partir das categorias de referência, que podem nos ajudar a permanecer dentro da história e lê-la do ponto de vista de Deus.

O Papa Francisco, no número 5 da Veritatis Gaudium, a Constituição Apostólica de 2018 sobre as universidades e faculdades eclesiásticas, escreve o seguinte: “Os estudos eclesiásticos não se podem limitar a transferir conhecimentos, competências, experiências para os homens e mulheres do nosso tempo, desejosos de crescer na sua consciência cristã, mas devem abraçar a tarefa urgente de elaborar instrumentos intelectuais capazes de se proporem como paradigmas de ação e pensamento, úteis para o anúncio num mundo marcado pelo pluralismo ético-religioso. Isto requer não só uma profunda consciência teológica, mas também a capacidade de conceber, desenhar e realizar sistemas de representação da religião cristã capazes de penetrar profundamente em sistemas culturais diferentes.”

Estou convencido de que a melhor forma para fazer isso é através do diálogo, primeira e fundamental experiência para avançar no processo de conhecimento mútuo, de aceitação e de crescimento. O estudo da teologia pode ser uma chave, junto a outras, para abrir a mudanças de perspectivas e pontos de vista. Estudar teologia não é abrir mão da razão para todas as coisas apenas pelos pontos de vista da fé, mas sim tentar manter juntas fé e razão.

Paixão pelo ser humano

Santo Agostinho expressa essa importante relação com o binômio intelligo ut credam e credo ut intelligam, ou seja, "raciocino para acreditar e creio para raciocinar". Isso significa que a razão desempenha um papel propedêutico em relação à fé, mas ao mesmo tempo é também alimentada e vivificada pela fé.

Estudar teologia significa, portanto, colocar fé e razão em diálogo para "investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas" (Gaudium et spe, 4).

Nenhum homem pode se dar ao luxo de ignorar o que está acontecendo, não podemos nos distanciar da história, nem mesmo em nome da fé, porque isso gera indiferença; quem se interessa por teologia não vive sob uma cúpula de vidro, num contexto asséptico e indiferente, mas cultiva a paixão pelo humano, aquele humano pelo qual também a teologia se interessa.

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