O papa afirma que “a terceira guerra mundial foi declarada” e que o conflito na Ucrânia “talvez tenha sido provocado”

Fonte: Reprodução YouTube

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14 Junho 2022

 

Francisco afirma que “temos que sair do padrão normal de que Chapeuzinho Vermelho era bom e o lobo era mau. Algo global está surgindo, com elementos muito entrelaçados”.

 

O Papa Francisco afirmou que, em sua opinião, "a Terceira Guerra Mundial foi declarada" e que a guerra na Ucrânia após a invasão da Rússia "talvez, de alguma forma, tenha sido provocada ou não impedida", segundo a transcrição da conversa que realizou há poucos dias com os diretores das revistas culturais europeias da Companhia de Jesus.

 

“Há alguns anos, ocorreu-me dizer que estávamos vivendo uma Terceira Guerra Mundial em pedaços. Agora, para mim, a Terceira Guerra Mundial foi declarada. E este é um aspecto que deve nos fazer refletir. O que está acontecendo com a humanidade que teve três guerras mundiais em um século?”, disse Francisco de acordo com a transcrição desta conversa publicada hoje pelo jornal "La Stampa".

 

A reportagem é publicada por Religión Digital, 14-06-2022.

 

Respondendo à agressão da Rússia contra a Ucrânia e como ela pode contribuir para a paz, Francisco afirmou que “temos que nos afastar do padrão normal de que Chapeuzinho Vermelho era bom e o lobo era mau. Algo global está surgindo, com elementos muito entrelaçados.” E citou a opinião de um Chefe de Estado que conheceu antes do início da guerra e que manifestou a sua preocupação "com a forma como a OTAN se estava movendo".

 

“Perguntei por que e ele respondeu: ' Eles estão latindo às portas da Rússia. E eles não entendem que os russos são imperialistas e não permitem que nenhuma potência estrangeira se aproxime deles' e concluiu dizendo que 'a situação pode levar à guerra. Aquele chefe de Estado sabia ler os sinais do que estava acontecendo”, disse Francisco.

 

Para Francisco, existe o perigo de se concentrar apenas na "brutalidade e ferocidade com que esta guerra é travada pelas tropas, geralmente mercenárias, usadas pelos russos, que preferem enviar chechenos, sírios e mercenários" e que "é algo monstruoso”.

 

Segundo o Papa, é preciso “ver todo o drama que se desenrola por trás desta guerra, que talvez tenha sido de alguma forma provocada ou não evitada. E registro o interesse em testar e vender armas. É muito triste, mas basicamente é isso que está em jogo".

 

O pontífice disse que alguns acreditam que com esse pensamento ele é a favor do presidente russo Vladimir Putin. "Não, não estou. É simplista e errado dizer uma coisa dessas. Mas sou simplesmente contra reduzir a complexidade à distinção entre o bem e o mal, sem pensar nas raízes e interesses, que são muito complexos”, afirmou.

 

Francisco quis reiterar sua admiração pelo “heroísmo do povo ucraniano” e opinou que “o que temos diante de nossos olhos é uma situação de guerra mundial, interesses globais, venda de armas e apropriação geopolítica, que martiriza um povo heroico”.

 

O pontífice argentino também destacou o perigo de que a atenção sobre o que está acontecendo na Ucrânia diminua com o tempo e perguntou: O que acontecerá quando o entusiasmo em ajudar diminuir? Porque as coisas estão esfriando, quem vai cuidar dessas mulheres? Temos que olhar além da ação concreta do momento e ver como vamos apoiá-los para que não caiam no tráfico, para que não os explorem, porque os abutres já estão circulando”.

 

Jorge Bergoglio contou que durante a conversa de 40 minutos que teve com o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, este lhe leu "uma declaração em que dava as razões para justificar a guerra" e que respondeu: "Irmão, nós não somos clérigos do Estado, somos pastores do povo”.

 

Explicou que foi decidido de comum acordo adiar a reunião que estava marcada para 14 de junho em Jerusalém "para que o diálogo não fosse mal interpretado" e anunciou que espera se encontrar com o patriarca russo no Cazaquistão em setembro, quando estiver presente no VII Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais, a ser realizado em Nur-Sultan.

 

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