Sabe-se que há tempo ocorre um processo exponencial da digitalização da vida e da sociedade. Processo que é acelerado e que evidencia alguns dos seus importantes limites com a pandemia mundial da Covid-19. Os algoritmos cada vez mais dirigem a vida, as decisões e as ações humanas. A inteligência artificial está interferindo no modo de ser no mundo, determinando o relacionamento humano, criando um tipo especial de presença e, também, mostrando-se incapaz da previsibilidade e resolutividade na complexidade que outrora se apostou que ela poderia trazer.
A digitalização e algoritmização da vida, mesmo com sua intensidade atual, pode ser percebida como um fenômeno ainda recente e que carece de discussão e aprofundamento, mormente no Brasil. Inserido nesta perspectiva é que o XIX Simpósio Internacional IHU Homo Digitalis. A escalada da algoritmização da vida em tempos de pandemia, realizado entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, com o apoio da FAPERGS – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, buscou debater, numa visão transdisciplinar, a digitalização como um modo de ser no mundo, que cada vez mais se estabelecerá com força na estruturação social. O Simpósio debruçou-se sobre as potencialidades, limites e riscos da digitalização, identificando seus impactos na reprodução da vida humana e do Planeta, contextualizando esta reflexão com o cenário da pandemia atual.
Dentro do escopo de debate da digitalização, aspectos relevantes do tema abordados são a cultura, a economia e a ética. Nesse sentido, qual o paradigma cultural e a consequente mentalidade que sustentam a digitalização? Que implicações traz a digitalização para os processos de subjetivação contemporâneos e no governo biopolítico da vida humana?
Igualmente, o processo da produção digital dos dados na economia e no mundo do trabalho exige que se ponderem seus efeitos para a vida social. Tanto a digitalização como a algoritmização dos comportamentos e das decisões morais trazem inúmeros desafios éticos que devem ser analisados e cotejados num processo de reflexão. Por último, frente às desigualdades sociais e à reprodução das identidades, quais são as implicações da inteligência artificial?
Estes e outros temas perfazem os debates do Simpósio que resultaram no conjunto de publicações que podem ser conferidas a seguir. Cada uma das conferências internacionais está sistematizada nos cadernos abaixo e também há traduções de textos publicados pelos conferencistas.
O material aqui publicado, oriundo da realização do XIX Simpósio Internacional IHU Homo Digitalis. A escalada da algoritmização da vida em tempos de pandemia, viabilizado com o apoio da FAPERGS – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, transcrito, traduzido e legendado por Isaque Gomes Corrêa, permite discutir as potencialidades, limites e riscos da digitalização, apontando os impactos na (re)produção da vida humana e do Planeta no contexto da pandemia de Covid-19. Além disso, traz elementos para debater as implicações da digitalização nos processos de subjetivação contemporâneos e no governo biopolítico da vida humana no cenário atual, refletindo sobre os desafios éticos da digitalização e algoritmização dos comportamentos e das decisões morais ao longo do tempo e na atualidade.
Elementos que contribuem para a reflexão acerca dos efeitos da produção digital de dados na organização da economia e no mundo do trabalho, seus possíveis impactos, limites e possibilidades no cenário da pandemia atual, bem como acerca dos papéis da inteligência artificial e da algoritmização na reprodução das identidades e das desigualdades, também marcam forte presença no material publicado e sistematizado a seguir.
Caderno 1 - A condição digital. As lógicas maquínica e humana
Caderno 2 - Colonialismo de dados e esvaziamento da vida social antes e pós pandemia de Covid-19
Caderno 3 - Inteligência artificial e capitalismo digital na China pré e pós pandemia de Covid-19
Caderno 4 - O futuro do trabalho e o mito da substituição robótica. Trabalho digital na inteligência artificial
Caderno 5 - Discriminação algorítmica e justiça social
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul