08 Setembro 2026
A interpretação de Emily Wilson, de 2017, tornou-se a primeira grande tradução para o inglês da obra publicada por uma mulher.
A notícia é de Laura Cuesta, publicado por El Diario, 04-09-2026.
“Não tem nada de convincente a dizer (...). Falta-lhe profundidade psicológica, emocional, política e ética (...). Nenhuma das personagens tem uma motivação convincente para as suas ações ou palavras (...). Teria vergonha de ter escrito qualquer parte deste roteiro.” Estas são algumas das palavras que Emily Wilson usou para descrever a adaptação cinematográfica da Odisseia feita por Christopher Nolan, depois de a ter visto.
A tradutora, nascida em Oxford, tinha certa autoridade para falar, visto que, em 2017, sua interpretação do antigo poema grego se tornou a primeira grande tradução para o inglês publicada por uma mulher. O cineasta chegou a usar o primeiro verso dessa tradução para abrir seu longa-metragem ("Fale-me sobre um homem complexo"), mas nem isso convenceu Wilson.
As críticas devastadoras ao trabalho do diretor de Tenet (2020) viralizaram nas redes sociais, apresentando a adaptação do texto de Homero feita por Wilson a pessoas que não conheciam o trabalho dele. Hoje sabemos que essa tradução tão comentada está chegando ao fim. Wilson confirmou que está trabalhando no poema novamente há algum tempo.
Correção das nuances da primeira versão
A própria tradutora confirmou a notícia em entrevista à Associated Press (AP). “É uma retradução completa. Não é uma revisão da versão anterior. Estou na metade do processo”, afirmou a professora de estudos clássicos da Universidade da Pensilvânia. O objetivo? Corrigir alguns problemas da primeira versão, publicada em 2017.
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Segundo a AP, Wilson afirmou que seus métodos de tradução foram aprimorados e que tempo suficiente se passou para detectar alguns erros em seu trabalho inicial. Por exemplo, ao preparar o texto traduzido, ela usou em excesso o termo "escravo", quando o grego antigo possuía termos diferentes para as várias categorias de pessoas escravizadas.
O anúncio surpreendeu particularmente a comunidade de tradutores, que normalmente trabalha em suas traduções anteriores, revisando-as ou aperfeiçoando-as com a intenção de republicá-las, mas raramente se dedica à tarefa de traduzir o mesmo texto do zero. Em sua nova tradução, Wilson se permite usar mais versos, palavras mais longas e frases repetidas — a mesma abordagem que utilizou em sua tradução da Ilíada, publicada em 2023.
“Estou orgulhosa da minha tradução da Odisseia. Acho que há muitos pontos positivos nas formas como a resumi e nas decisões que fui obrigada a tomar”, compartilhou ela em um podcast há algumas semanas. Nesta nova interpretação, a especialista pretende permitir que os leitores apreciem ainda mais o texto, escrito há mais de 2 mil anos. “Vou quadruplicar o número de notas de rodapé.”
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