Igreja e sexualidade, muitos temas em aberto. Artigo de Luigi Sandri

Foto: Ave Calvar | Unsplash

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23 Janeiro 2024

"Sexualidade e casamento – temas que sempre foram de grande interesse para o magistério da Igreja romana - voltaram ao primeiro plano nos últimos dias devido ao "sim" do Vaticano à bênção, sob específicas condições, a casais homossexuais e por uma renovada avaliação do amor humano por parte do Papa", escreve Luigi Sandri, jornalista italiano, em artigo publicado por L'Adige, 22-01-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Sexualidade e casamento – temas que sempre foram de grande interesse para o magistério da Igreja romana - voltaram ao primeiro plano nos últimos dias devido ao "sim" do Vaticano à bênção, sob específicas condições, a casais homossexuais e por uma renovada avaliação do amor humano por parte do Papa. Para resumir em poucas linhas o complexo discurso, basta dizer que, de acordo com o Código de direito canônico, lançado em 1917 por Bento XV, “o objetivo principal do casamento é a procriação e a educação da prole; e o secundário é a ajuda mútua e o remédio para a concupiscência" (cânon 1013). Mas o Vaticano II, depois de um debate acalorado, decidiu em 1965 uma radical mudança de ênfase: “A finalidade do casamento é o amor humano e depois a procriação”. Três anos depois, enquanto a discussão sobre a contracepção artificial fervia na opinião pública e via os fiéis em sua maioria orientados para o “sim”, Paulo VI com a encíclica “Humanae vitae” proclamou a “imoralidade” daquele método: uma decisão que dilacerou o mundo católico, dividido entre os "a favor" e os "contra" aquele documento.

O Papa Wojtyla, com o novo Código de Direito Canônico, promulgado em 1983, reafirmou o último Concílio, mas também a encíclica de 1968, embora contestada por grande parte do mundo teológico e dos fiéis.

O “Catecismo da Igreja católica” (CIC), lançado pelo mesmo pontífice em 1992, enfrentou também um tema ignorado pelo Vaticano II: “Os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados e contrários à lei natural”. E, com um documento de 2021, abordando uma práxis até então ignorada, o Papa Francisco negou a possibilidade de abençoar as uniões homossexuais; mas, um mês atrás, voltou ao discurso e, embora reiterando que o casamento ocorre apenas entre um homem e uma mulher, considerou lícitas as “bênçãos” para as pessoas homossexuais. Uma “novidade” fortemente rejeitada até por episcopados europeus (como na Polônia) e por quase todos os africanos.

Deixando essas problemáticas em segundo plano, sem desenvolvê-las, na última quarta-feira Bergoglio disse: “No Cristianismo não há uma condenação do instinto sexual. Um livro da Bíblia, o Cântico dos Cânticos, é um maravilhoso poema de amor entre dois noivos. Porém, essa dimensão tão linda da nossa humanidade, a dimensão do amor, não está isenta de perigos, como infelizmente demonstra o noticiário de cada dia". Nesses amores, acrescentou, “faltou a castidade: virtude que não deve ser confundida com a abstinência sexual, mas deve ser conectada com a vontade de nunca possuir o outro. Amar é respeitar o outro, buscar a sua felicidade, dispor-se ao conhecimento de um corpo, de uma psicologia e de uma alma que não são as nossas".

Esses pensamentos elevados passam por cima de uma questão que até há poucos anos (hoje menos!) perturbava os noivos católicos: é permitido ter relações sexuais antes do casamento? A esse respeito, o CIC afirma: “São chamados a viver a castidade na continência”. Um ideal, já há milênios, desconhecido pelo Cântico citado pelo pontífice.

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