Moçambique. Apelo dos líderes religiosos de Cabo Delgado: é uma crise humanitária

Foto: Pexels

Mais Lidos

  • A nova missão do mundo católico diante da trajetória do trumpismo. Artigo de Stefano Zamagni

    LER MAIS
  • Pix vira foco de tensão entre Brasil e governo Trump

    LER MAIS
  • Assessora jurídica do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e bispo da Diocese de Juína refletem sobre os desafios da cultura do encontro entre indígenas e não indígenas na sociedade brasileira e relembram a memória do jesuíta Vicente Cañas, que viveu com povos isolados na década de 1970, entre eles, os Enawenê-nawê, no Mato Grosso

    “Os povos indígenas são guardiões de conhecimentos essenciais para toda a humanidade”. Entrevista especial com Caroline Hilgert e dom Neri José Tondello

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Janeiro 2022

 

“A nossa província vive uma profunda crise humanitária, provocada pela violência terrorista, enquanto assistimos ao retrocesso dos indicadores de desenvolvimento integral, agravada também pelas consequências das medidas restritivas de prevenção da pandemia”: é o que afirmam os líderes religiosos da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, em comunicado conjunto denunciando a crise econômica e social provocada pela violência terrorista na região, em particular em Pemba.

 

A reportagem é publicada por Agência Fides, 05-01-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O documento dos líderes religiosos, enviado à Agência Fides, releva que os atos terroristas não devem ser atribuídos à religião muçulmana, rejeitando "qualquer informação que vincule tais atos aos princípios do Islã". “Repudiamos e nos distanciamos de atos e pessoas que distorcem as doutrinas religiosas para justificar qualquer tipo de violência”, diz o texto.

 


Mapa de Moçambique, destaque para Cabo Delgado e Pemba. Fonte: Wikicommons

 

As comunidades religiosas afirmam estar dispostas a “colaborar com o governo, instituições e organizações dedicadas à causa da paz na província de Cabo Delgado”. “Declaramos a nossa forte unidade diante de qualquer ameaça de ruptura e nosso repúdio unânime aos atos terroristas e extremistas, bem como nosso empenho em caminhar lado a lado rumo à paz e à fraternidade”, afirmam solenemente os líderes cristãos e muçulmanos.

Entre os fatores preocupantes para a população, destacados no texto, estão “as desigualdades sociais, o alto índice de analfabetismo, a crise de valores ético-morais e as polarizações étnicas e religiosas”.

Nesse contexto, reafirma-se uma visão de religião que se desvincula da violência e do preconceito, defendendo o diálogo social “de forma franca, aberta, honesta e inclusiva”.

A declaração pede ainda à divulgação de mensagens que “desencorajem a adesão ao extremismo e a qualquer tipo de violência”, ressaltando a necessidade de acompanhar os jovens num caminho de “reconciliação e reinserção social”.

Há mais de quatro anos a província de Cabo Delgado é teatro de ataques de rebeldes armados, alguns dos quais associados ao chamado "Estado Islâmico". Segundo as autoridades locais e as organizações internacionais, o conflito já causou mais de 3.100 mortos e mais de 800 mil deslocados.

 

 

Leia mais