“Chega de instrumentalizar o Concílio”, diz o cardeal Kurt

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Por: Jonas | 10 Mai 2012

“Antes eram as teses da revista “Communio”, agora é a posição oficial da Santa Sé. Chega de instrumentalizar o Concílio, pois o Vaticano II não pode oferecer desculpas a quem se rebela contra a autoridade de Roma”, adverte o cardeal Kurt Kosch, homem ponte com os “irmãos separados”, o teólogo e pastor que Bento XVI designou para as complicadas relações com as outras confissões.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 08-05-2012. A tradução é do Cepat.

Desde que chegou a Roma, suas intervenções públicas e suas tomadas de posição são muito comedidas e o peso específico delas tem aumentado dentro da Cúria romana. Em “Tempi”, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos se distancia dos dissidentes austríacos, que reclamam uma reforma radical da Igreja, iniciando pelos temas relacionados com a bioética e o sacerdócio. O bispo suíço Kurt Koch, vindo da Basileia para dirigir o dicastério que se ocupa do ecumenismo, escreveu numerosos artigos para a “Communio”, a revista internacional fundada pelo grande teólogo suíço Hans Urs Von Balthasar, em 1972. No artigo programático da “Communio”, escrito por ele mesmo, o fundador dizia: “Hoje, de modo algum, deve-se libertar o cristianismo do campo de tensão. Se este não é universalmente (catolicamente) significativo, então cai, com todos os discursos – sejam eles pronunciados a partir da palavra da Bíblia ou de um magistério eclesiástico – no monte de resíduos religiosos”.

Agora, que faz parte da equipe de governo do Pontífice, o cardeal Koch encabeça o pelotão da Cúria na “Communio”, ao lado dos ministros vaticanos (Ouellet e Fisichella). O cardeal canadense Marc Ouellet, prefeito da Congregação vaticana dos Bispos (dicastério estratégico, responsável pela seleção do corpo episcopal em grande parte do mundo) é um veterano da “escola da Communio”. Como balthasariano, desde suas origens, o ex-arcebispo de Quebec ainda continua membro dos comitês editoriais da revista. Também é uma marca, na “Communio”, a contribuição do arcebispo Rino Fisichella, responsável da Nova Evangelização e o principal organizador do Ano da Fé, convocado por Joseph Ratzinger.

Nos anos 1970, na revista foi refletido o desafio de boa parte da teologia pós-conciliar: aquela que durante os anos da radicalização progressista, havia se privado de fugas teatrais. Agora, o cardeal Koch pode defender essas opiniões a partir de uma posição chave no governo da Igreja universal. “Minha reação imediata foi de surpresa: por que dar a honra da citação para o “chamado à desobediência? Por outro lado, no entanto, era necessário que o Papa dissesse uma palavra a respeito”, descreve o purpurado em sua reação diante do convite à obediência, feito por Bento XVI aos sacerdotes dissidentes da Áustria, na missa crismal. Num “contexto, explica o ministro vaticano de ecumenismo, em que são renovadas as promessas sacerdotais, entre elas a da obediência”. Portanto, “uma ocasião significativa não somente pela importância das palavras, mas também pelo contexto em que torna tudo absolutamente claro”.

Neste caso, Koch destaca que o Pontífice também fez uma intervenção “a sua maneira, com clareza, mas de forma muito amável”. O presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos também se detém nas raízes do dissentimento, que parece estender-se da Áustria até toda a região da Alemanha. “Acredito que nós – explica o purpurado suíço – recebemos o Concílio, sobretudo, acolhendo a interpretação que dele foi dada por Hans Kung e, em torno dela, por muitos meios de comunicação”. Nesta, segundo o cardeal Koch, “as inquietudes atuais encontram seu fundamento”. “De qualquer forma, observa o chefe do dicastério, “muitos têm consentido porque percebem as dificuldades do momento; no entanto, não penso que todos concordem com a evolução: sacerdotes e diáconos que incitam a desobediência é um fato bastante inusitado”.

“O fato de grupos anglicanos estarem pedindo o ingresso na Igreja católica é fruto do diálogo ecumênico destas décadas, destes anos. Sem o consenso advindo do trabalho realizado, esta situação não seria realidade”, diz o colaborador de Bento XVI. “As conversões individuais – observa o cardeal Koch – são constantes na história da Igreja católica. Nesta fase, a novidade reside no fato de que existe um grupo de bispos e sacerdotes, com seus fiéis, que estão pedindo ingresso. Até agora, eles somam mais de mil, um fato novo no qual o Santo Padre tem o mérito, abrindo as portas da Igreja católica para os postulantes e concedendo-lhes (por meio da instituição dos ordinariatos) a possibilidade de conservar algumas formas litúrgicas específicas dos anglicanos”.

“A iniciativa – lembra o chefe do dicastério – não é do Santo Padre, que apenas dá uma resposta positiva para uma solicitação externa”. Tudo depende, segundo o cardeal Koch, “das grandes dinâmicas que, durante estes anos, se desenvolveram dentro da comunidade anglicana mundial”. De fato, “entre as diversas Igrejas nacionais, as diferenças éticas são enormes. O arcebispo da Cantuária é responsável pela unidade interna, mas não tem poder para conferir soluções” e o demissionário Rowan Williams “faz muito, tem buscado salvar tudo o que pode”.