Os limites da democracia e o mito do futuro. Artigo de Jorge Alemán

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05 Novembro 2024

“O clima apocalíptico, um tom afetivo que hegemoniza as representações contemporâneas do mundo, impede que as forças políticas transformadoras ofereçam um mito do futuro que gere entusiasmo e se oponha à resignação frente ao colapso”, escreve Jorge Alemán, psicanalista e escritor, em artigo publicado por Página/12, 03-11-2024. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Apresentarei a seguir, de forma sucinta, cinco pontos que tentam expressar os limites problemáticos da democracia contemporânea.

1. A extensão do capitalismo, seus diversos modos de produzir a sua própria geração de valor, expande-o sem levar em conta a destruição dos recursos naturais. Por esta razão, diferentemente do capitalismo, que aparece entre nós como um infinito monstruoso, a natureza e a vida no planeta revelam sua finitude agônica.

Neste aspecto, a falta de controle democrático sobre as corporações mundiais está chegando ao cume do social de um modo catastrófico.

2. Os antagonismos vinculados à clássica relação entre Capital e Trabalho foram substituídos pela fábrica de “endividados”. Atualmente, a relação credor-endividado atravessa e determina todos os vínculos sociais. O oprimido atual não encontra um lugar onde personificar os seus patrões, como fazia sob o domínio do capitalismo financeiro.

Os senhores se tornaram invisíveis e pertencem às grandes companhias tecnológicas, das quais de um modo ou de outro todos somos usuários. Só os seus representantes políticos indiretos são visíveis, onde as ultradireitas parecem constituir uma espécie de reserva estratégica, sendo cada vez mais ativadas no tocante à destruição de direitos sociais.

3. O clima apocalíptico, um tom afetivo que hegemoniza as representações contemporâneas do mundo, impede que as forças políticas transformadoras ofereçam um mito do futuro que gere entusiasmo e se oponha à resignação frente ao colapso.

4. A onipresença das guerras atuais que ocorrem sem declaração prévia, sem começo, nem fim, acabam oferecendo uma imagem da realidade que se apresenta como esse tempo histórico onde a humanidade começa o seu caminho para a autoextinção.

5. Quais seriam as mediações históricas que permitiriam a emergência de um novo sujeito político, que oferecesse a possibilidade de um salto que ultrapassasse a linha desse niilismo advindo, que assim como toda realidade humana não pode ser absoluto e definitivo?

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