El Salvador. Reitor jesuíta critica governo

Universidade Centro-americana José Simeón Cañas (Fonte: Wikimedia Commons)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

12 Fevereiro 2022

 

Membros do partido governista de El Salvador foram criticados e ridicularizados após questionarem o reitor da Universidade Centro-Americana, administrada pelos jesuítas, cujos membros têm criticado o presidente e o partido Nuevas Ideas, por ele fundado.

 

A reportagem é de Rhina Guidos, publicada em Catholic News Service, 07-02-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

“Foi vil, desrespeitoso, irreverente e, acima de tudo, IGNORANTE, com letras maiúsculas”, escreveu Oscar Picardo Joao, colunista e acadêmico, em um artigo publicado no dia 4 de fevereiro em um dos jornais nacionais de El Salvador, fazendo referência à linha de questionamento.

Ao questionar o padre jesuíta Andreu Oliva no dia 3 de fevereiro, membros do partido governista Nuevas Ideas insinuaram que a universidade, conhecida como UCA, havia se beneficiado financeiramente com governos anteriores administrados por partidos que se opõem ao Nuevas Ideas e ao seu fundador, o presidente Nayib Bukele.

Os partidos governistas anteriores estavam repletos de corrupção, mas o Nuevas Ideas não escapou de problemas semelhantes. No ano passado, os Estados Unidos retiraram alguns privilégios de membros do Gabinete salvadorenho, incluindo o cancelamento dos seus vistos; os Estados Unidos os chamaram de atores da corrupção e antidemocráticos.

O Pe. Oliva explicou que a universidade recebeu fundos para formar e capacitar professores em El Salvador sobre vários assuntos, conforme solicitado pelo Departamento de Educação. Outras universidades em El Salvador também receberam fundos, mas apenas a universidade jesuíta foi questionada por uma comissão que diz estar tentando erradicar organizações sem fins lucrativos questionáveis.

Professores, instituições e estudantes se beneficiaram das oficinas, treinamentos, livros e materiais didáticos, folhetos de treinamento, cadernos de testes padronizados e outros recursos da universidade, escreveu Picardo Joao em seu artigo no El Diario de Hoy.

“A UCA, apesar da corrupção do governo”, ajudou o sistema educacional do país, escreveu ele.

O Pe. Oliva defendeu a instituição e o seu trabalho para melhorar o sistema de ensino do país. “Vocês estão cometendo um grave erro ao confundir o público, dizendo que em 2017 o governo doou três milhões de dólares para a UCA, quando o que a UCA fez foi implementar projetos educacionais encomendados pelo Ministério da Educação”, disse o Pe. Oliva.

Ele disse aos membros do Nuevas Ideas para não criarem confusão e não semearem desinformação. “Vocês têm a obrigação de dizerem a verdade, assim como eu”, disse ele.

No Twitter, alguns membros do Nuevas Ideas continuaram criticando a universidade por ter sido sustentada pelos governos anteriores. O Pe. Oliva disse a um deles: “Se você diz que não fomos críticos (dos partidos políticos anteriores), é porque você não está lendo” o que os membros da universidade estão escrevendo.

Os estudantes também se mobilizaram para defender a universidade.

No Twitter, Ricardo Valencia, professor assistente da California State University, em Fullerton, comparou os ataques contra a universidade aos ataques que ocorreram contra os jesuítas da instituição durante o conflito civil do país na década de 1980.

Ele tuitou no dia 4 de fevereiro que os jesuítas estavam sendo “assediados por um regime que os retrata como inimigos políticos”.

“Os católicos devem denunciar as injustiças e a cultura da mentira em El Salvador e na América Central, como fez Jesus nos seus dias”, disse ele.

 

Leia mais