Cinco anos da morte de Aylan: o menino sírio que morreu afogado na praia do teu televisor

Foto: Wikimedia Commons/Plenz

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03 Setembro 2020

Sua diminuta biografia segue sendo uma das mais duras metáforas da sociedade atual.

A reportagem é de Lucía López Alonso, publicada por Religión Digital, 02-09-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O pequeno Aylan tem uma entrada na Wikipedia. Cinco anos depois de sua morte, a diminuta biografia de Aylan Kurdi (Síria, 04 de maio de 2012 – Turquia, 02 de setembro de 2015) segue sendo uma das mais duras metáforas da sociedade atual. Em um mundo semeado pela violência e morbidez, a imagem do cadáver do menino sírio de 3 anos viralizou em setembro de 2015. A internet e a globalização conseguiram a façanha: temos permanentemente a visão do horror, onde quer que vivamos, se contamos com um computador ou uma televisão.

De pai curdos, o menino Aylan morreu em uma praia da Turquia. Sua vida deteve-se a meio caminho da fuga que empreenderam para se salvar, para sair da Síria e chegar à Europa. Despertando com assombro a realidade da crise de refugiados que explodiu em 2015, o chamado Primeiro Mundo indignou-se por ter permitido a morte de uma criança.

Como George Floyd em 2020, Aylan morreu asfixiado há cinco anos. Vítimas de uma guerra sem fim, ao seu lado também faleceram o seu irmão de 5 anos e sua mãe. Somente o pai da família sobreviveu ao naufrágio do bote em que cruzavam o mar.

A cultura do espetáculo, que nos acostumou a contemplar tragédias como a de Aylan quase sem nos assustarmos, tornou mundialmente identificável o corpo sem vida da criança síria. A falta de solidariedade real encarregou-se, primeiro, de que não deixasse chegar à Grécia de uma maneira segura. E nós fizemos o resto: deixar de falar de Aylan.

Cinco anos depois, o drama dos refugiados continua, ainda que não se perceba muito na imprensa. Os governos, sempre pretendendo controlar os meios de comunicação, a economia e os fluxos migratórios, não evitaram que algumas vidas valham mais que as demais. O Ocidente continua recebendo com arame farpado as famílias, como a de Aylan, que seguem deixando seus países de origem em busca de sobrevivência e paz. Quantas crianças morreram, desde então, em condições similares as suas? Do Mediterrâneo a Califórnia, ao menos hoje o planeta deveria voltar a recordar de Aylan. Um cidadão com direitos, uma criança com futuro, que não teve nada disso. Talvez nessa praia turca sempre vá perdurar essa esperança impossível com a qual seus pais tentaram salvá-lo.

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