A Igreja vive “um momento difícil porque o acusador ataca a mãe e na mãe não se toca”, diz Francisco no final do Sínodo

Foto: Pixabay

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28 Outubro 2018

“Nós, filhos da Igreja somos todos pecadores, mas ela, a Igreja nossa mãe não deve ser sujada. É um momento difícil porque o grande acusador por meio de nós ataca a mãe e na mãe não se toca”. Papa Francisco concluindo o Sínodo dos bispos sobre os jovens celebrado durante quatro semanas no Vaticano volta a descrever a dramaticidade da situação da Igreja, atacada por quem a quer dividir. Por isto Bergoglio voltou a recordar o apelo de rezar o Rosário cotidianamente durante todo o mês de outubro juntamente com recitação da oração de São Miguel Arcanjo invocando a sua proteção do ataque do demônio.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 27-10-2018. A tradução é de IHU On-Line.

“Também devo agradecer a todos”, disse Francisco na saudação feita de improviso brincando com a cansaço dos assessores que redigiram o documento preparatório, deixando ‘a pele’, e agora, no documento final, “deixaram os ossos”. O Papa agradeceu os auditores, especialmente os jovens, que “nos trouxeram para as plenárias sua música, palavra diplomática para dizer... barulho”.

Bergoglio quis comunicar algumas coisas que “levo no coração: ressaltar mais uma vez que o Sínodo não é um parlamento, é um espaço protegido para que o Espírito Santo possa agir e por isto as informações são divulgadas, mas sem os nomes e sem o que foi dito particularmente. Este é um espaço protegido. Foi o Espírito que trabalhou. O resultado do sínodo não é um documento: estamos cheios de documentos, não sei se este fará algo, mas, sim, sei que deve trabalhar em nós”.

“Nós fizemos o documento e o aprovamos. Agora o Espírito nos dá o documento para que trabalhe no nosso coração, somos nós os destinatários dos documentos, não as pessoas de fora, para que este documento trabalhe”. O Papa afirmou que é necessário rezar, estudar e pedir a luz ao lê-lo. “Ele é feito para nós, principalmente. Nós somos os primeiros destinatários. Foi o Espírito que fez tudo isto”.

No final, referiu-se sobre a situação da Igreja sob ataque. “Penso na nossa mãe, a Santa Mãe Igreja: os últimos três números do documento sobre a santidade fazem ver que nossa mãe é santa, mas nós filhos somos pecadores, todos somos pecadores. Não esqueçamos a expressão dos Santos Padres, casta meretrix. Por causa de nossos pecados, o grande acusador sempre se aproveita – lemos no primeiro capítulo do livro de Jó – que gira, gira buscando a quem acusar”.

“Neste momento – observou Francisco – ele nos está acusando fortemente, e esta acusação torna-se perseguição. Que o diga o presidente dos trabalhos de hoje (o patriarca iraqueno Sako), o povo perseguido em tantas partes do Oriente. E há um outro tipo de perseguição, de acusações contínuas para sujar a Igreja: a Igreja não se suja. Os filhos, sim, mas a mãe, não. E a mãe se defende do grande acusador com a oração e  a penitência. Por isto tenho pedido para que se reze o Rosário, a Nossa Senhora, a São Miguel Arcanjo. É um momento difícil porque o acusador por meio de nós ataca a mãe e na mãe não se toca”.

Um aceno aos recentes acontecimentos – os ataques contra o Papa e a Igreja por causa do escândalo da pedofilia e o pedido de renúncia feita a Francisco pelo ex-núncio Carlo Maria Viganò – foi feito poucos instantes antes também pelo patriarca caldeu Luis Raphael Sako: “Santo Padre – disse – o senhor não está sozinho. Nós todos que representamos os bispos católicos no mundo, estamos com o senhor e estamos unidos com o senhor na comunhão integral. Estamos unidos na oração e na Esperança. Recorde que milhões de fiéis rezam pelo senhor diariamente. E tantos homens e mulheres de boa vontade admiram suas palavras e os seus gestos por um mundo de fraternidade universal, justiça e paz. Portanto, não há nada a temer. Um provérbio árabe diz: “A árvore frondosa é golpeada pelas pedras”. Vá avante com coragem e confiança. A barca de Pedro não como outros barcos, a barca de Pedro, apesar das ondas, permanece sólida, porque Jesus está nela e nunca a abandonará. Com ele os desafios e os sofrimentos se superam com a fé, a oração, a misericórdia, a sinceridade e a firmeza, a integridade e a transparência. Tudo é claro, não temos nada para esconder”.

Nota de IHU On-Line: A íntegra do documento final, em italiano, pode ser lida aqui.

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