Teólogo austríaco: o "Discurso de Regensburg" de Bento XVI continua sendo um desafio

Foto: Vatican Media

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11 Setembro 2026

Segundo o teólogo dogmático vienense Jan-Heiner Tück, o Discurso de Regensburg, do Papa Bento XVI (2005-2013), ainda representa desafios para a teologia contemporânea. A controvérsia em torno de uma citação do Papa sobre o Islã ofuscou o tema da fé e da razão, que era o cerne do discurso, afirmou Tück em seu recente podcast "This Side of Eden". A palestra de Bento XVI, em 12 de setembro de 2006, na Universidade de Regensburg, desencadeou protestos, alguns deles violentos, em todo o mundo.

A reportagem é publicada por Katholisch.de, 10-09-2026.

Tück enfatizou a importância contínua da exigência de que a teologia contemporânea seja "sensível à tradição", no sentido de compreender as categorias e as contribuições linguísticas da filosofia grega como constitutivas do cristianismo. Bento XVI nos lembrou que essas alianças e interpenetrações entre fé e filosofia grega definiram o cristianismo desde o princípio, por exemplo, no Concílio de Niceia, em 325.

Segundo Tück, Bento XVI reagiu às "tendências ao pensamento metafísico-crítico" na teologia contemporânea e, usando o exemplo de várias "ondas de des-helenização" na história da Igreja, alertou contra a relativização das crenças cristãs essenciais. Embora não seja necessário concordar com as teses de Bento XVI, Tück argumenta que elas representam marcos importantes para a orientação da teologia na atualidade.

A questão da violência permanece em aberto

Referindo-se às ondas de indignação no mundo islâmico em relação a uma citação atribuída ao imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1350-1425), Tück afirmou que uma tarefa constante no diálogo cristão-islâmico é esclarecer o potencial de violência inerente à religião. Isso se aplica ao cristianismo e ao islamismo de maneira semelhante. Nesse sentido, o "Discurso de Regensburg" aponta o caminho a seguir, na medida em que a conexão entre fé e razão oferece um "potencial para domesticar interpretações violentas de Deus".

Tück considerou inadmissíveis as reservas coletivas, como as que estão sendo expressas atualmente sob a bandeira do "Islã político". "Dentro do espectro do Islã contemporâneo, existem tendências problemáticas que buscam minar a ordem jurídica democrática liberal no espírito do Islã da Sharia. A vigilância política é crucial aqui", disse Tück. No entanto, colocar o Islã sob suspeita generalizada é contraproducente.

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