O Discurso de Regensburg de Bento XVI foi um erro, afirma jesuíta e estudioso do islamismo

Papa Bento XVI (Foto: Vatican Media)

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29 Agosto 2026

O jesuíta e estudioso islâmico Felix Körner considera o chamado Discurso de Regensburg, proferido pelo Papa Bento XVI há 20 anos, um erro factual. Ao mesmo tempo, ele acredita que o controverso discurso promoveu o diálogo cristão-muçulmano a longo prazo. "Foi um erro factual. Mas esse erro trouxe algo de bom", disse Körner à Agência Católica de Notícias (KNA). Körner leciona teologia das religiões na Universidade Humboldt de Berlim.

A reportagem é publicada por Katholisch.de, 27-08-2026.

Em seu discurso na Universidade de Regensburg, em 12 de setembro de 2006, Bento XVI estabeleceu uma ligação entre a expansão do Islã e a violência, com base em uma citação. Isso provocou indignação mundial e, em alguns casos, violentos protestos por parte de muçulmanos.

"Bento subestimou o impacto"

Na época, segundo Körner, Bento XVI apresentou catolicismo como uma religião da racionalidade e o contrastou com o islamismo, entre outras coisas, como uma forma irracional de crença. Teria sido mais apropriado, disse Körner, destacar os aspectos únicos da abordagem cristã à razão. Bento XVI também subestimou o fato de que suas palavras seriam ouvidas por muçulmanos em todo o mundo e poderiam ferir e provocar pessoas. No entanto, a crise levou a um diálogo mais intenso.

Inicialmente, os estudiosos islâmicos responderam com uma carta ao Papa. Como não obtiveram resposta, em 2007 lançaram a iniciativa "Uma Palavra Comum", dirigida a diversos líderes cristãos. Essa iniciativa levou, entre outras coisas, à criação do Fórum Católico-Islâmico.

A teologia islâmica não é de forma alguma fundamentalmente irracional, disse Körner. Ela é "extremamente racional", trabalha rigorosamente com conceitos e sempre foi multifacetada.

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No diálogo cristão-muçulmano, já existem também pontos fundamentais de concordância. Por exemplo, ficou esclarecido entre teólogos católicos e islâmicos que ambos se referem ao mesmo Deus como criador e aperfeiçoador do mundo.

Para os católicos, Maomé como profeta é "imprudente"

Ao mesmo tempo, diferenças cruciais persistiam. Em particular, a importância de Maomé era um ponto de discórdia constante. Seria "imprudente" para os católicos reconhecê-lo como um profeta, disse Körner. Isso também significaria aceitar seus ensinamentos como a palavra de Deus; Jesus Cristo deixaria então de ser "o ponto de virada decisivo na história".

Körner espera que o Papa Leão XIV ofereça maior apoio aos estudos islâmicos católicos. O Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos (PISAI) e a Universidade Gregoriana, de Roma, realizam um trabalho importante, mas também precisam de apoio financeiro.

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