Fronteira petrolífera na Margem Equatorial está aberta com a Foz do Amazonas, diz diretora da Petrobras

Imagem de satélite da Foz do Amazonas. (Foto: NASA | Divulgação)

Mais Lidos

  • A salvação do presbítero está no humano. Artigo de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos

    LER MAIS
  • Entre inteligência artificial, cosmopolítica e novas ecologias do valor, pensador propõe reinventar as infraestruturas que organizam nossos desejos e reabrir a imaginação para outros futuros possíveis

    “Nervos pra fora!” Comunismo ácido recarregado. Entrevista especial com Erik Bordeleau

    LER MAIS
  • Ucrânia: primeiros humanos mortos por drone controlado por IA. Artigo de Gianluca Di Feo

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

26 Agosto 2026

Especialistas e ambientalistas temiam que a licença dada pelo IBAMA à Petrobras para perfurar um poço no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, seria "abrir a porteira" para intensificar a exploração de petróleo e gás fóssil na região. Pouco após o anúncio da descoberta de indícios de petróleo na área feito pela estatal brasileira, uma petrolífera chinesa, a CNOOC, pediu ao órgão ambiental acesso ao processo de licenciamento. Agora, a diretora de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras, Sylvia dos Anjos, confirma que não se trata apenas de temor, mas de fato consumado.

A informação é publicada por ClimaInfo, 26-08-2026.

Em entrevista a eixos, Sylvia afirmou que a descoberta no Bloco 59, ainda sem viabilidade comercial confirmada, abriu a fronteira exploratória da Margem Equatorial. Trata-se de um imenso trecho da costa brasileira que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, dividido em cinco bacias sedimentares, Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Rio Grande do Norte, com ecossistemas bastante distintos entre si.

"Quando a gente destrava uma área, a gente abre oportunidade. Grande parte dos nossos parceiros têm blocos na Margem Equatorial, então abre um cenário positivo. Praticamente todas as majors têm blocos na região", disse a executiva.

A diretora de E&P da Petrobras comentou, ainda, que o próximo desafio será lidar com a falta de infraestrutura na região do Amapá. Por causa disso, a amostra de petróleo encontrada no Bloco 59 está sendo levada ao Centro de Pesquisa da empresa (Cenpes), no Rio de Janeiro, para obter informações mais detalhadas sobre o que foi encontrado. Segundo a petrolífera, o transporte da amostra não pode ser feito por avião. Por barco, levará três semanas para chegar ao Cenpes.

A Petrobras agora aguarda uma nova licença do IBAMA para perfurar outros três poços no Bloco 59. O Ministério Público Federal (MPF) já oficiou o órgão, questionando uma possível extensão da autorização concedida à Morpho às demais perfurações que a petrolífera pretende realizar. Mesmo assim, Sylvia valia que a nova licença "não vai demorar muito".

"Eu acredito que agora a licença é uma questão de tempo, pela importância da área para o estado do Amapá e para toda a região. Não pode ser diferente, porque a gente já cumpriu todos os requisitos. Eu acho que não vai demorar muito, estou muito otimista", afirmou a diretora de E&P.

A "importância" da descoberta na Foz destacada por Sylvia é posta em xeque por Pedro G. G. Andrade, professor da Universidade Federal de Roraima e membro do Coletivo de Direitos Humanos do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). Por uma razão óbvia: os eventos extremos causados pelas mudanças climáticas, provocadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, matam cada vez mais pessoas.

"É importante nos questionarmos quais são os possíveis custos humanos da indecisão sobre a emergência climática, em especial qual é o nível de risco que estamos dispostos a aceitar, enquanto coletividade, em relação às vidas humanas que certamente serão perdidas diante da nossa falta de decisão em abandonar definitivamente os combustíveis fósseis", destacou no Brasil de Fato.

Em tempo

"Se um país quer segurança energética, precisa depender do seu próprio vento e do seu próprio sol. É questão de soberania. Energias renováveis não são apenas a alternativa mais limpa; são a forma mais segura de produzir energia, pois dependem de recursos que você controla. Não faz sentido depender de regimes instáveis ou de países que podem usar a energia como instrumento político." A fala é de John Gummer, mais conhecido como Lord Deben, ex-ministro britânico nos governos conservadores de Margaret Thatcher e de John Major, e uma das vozes pioneiras da agenda climática no Reino Unido. Perguntado pelo Valor sobre a exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas, Deben deu mais um recado: "Os combustíveis fósseis são caros, causam danos e não representam o futuro. Explorar mais petróleo é não apenas política e moralmente equivocado, mas também economicamente errado. Continuar investindo em fósseis é apostar em um modelo que está ficando para trás."

Leia mais