O relatório da Universidade de Notre Dame sobre a formação no seminário lança suspeitas injustas sobre padres gays

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20 Agosto 2026

"Ainda mais triste é o fato de que este relatório não demonstra nenhuma consciência de como os padres gays continuam a trabalhar incansavelmente para espalhar o Evangelho e edificar a Igreja Católica. Suas contribuições têm sido inestimáveis. Sem homens gays no sacerdócio e no episcopado, a Igreja Católica estaria muito mais empobrecida. Padres gays não deveriam ser marginalizados e tratados com suspeita. Deveriam ser agradecidos com entusiasmo."

O artigo é de Francis DeBernardo, diretor executivo do New Ways Ministry, publicado por National Catholic Reporter, 19-08-2026.

Após participar de um retiro de quatro dias do New Ways Ministry para padres, irmãos e diáconos gays, o autor lê um relatório do McGrath Institute for Church Life, da Universidade de Notre Dame, que classifica a atração pelo mesmo sexo como tema "complexo" e vincula os padres gays à formação para a castidade, criando um clima de suspeita que fere vocações genuínas.

Eis o artigo.

Pouco depois de organizar um retiro de quatro dias do New Ways Ministry para padres, irmãos e diáconos gays, li a notícia sobre um relatório do McGrath Institute for Church Life, da Universidade de Notre Dame, intitulado "Do You Know Them to be Worthy?" ("Você os conhece o bastante para saber se são dignos?"). O relatório, de 17 de julho, trazia o subtítulo "Doze propostas para bispos, reitores, equipes de formação dos seminários e profissionais de saúde mental na avaliação da aptidão de homens para as Ordens Sagradas".

Quando li as Propostas 11 e 12, que trazem uma visão negativa sobre os homens gays, fiquei atônito. Eu tinha acabado de ser abençoado por passar quatro dias com homens extremamente "aptos", dedicados ao ministério junto a suas comunidades, ainda que muitos deles tenham enfrentado falta de aceitação por parte de autoridades eclesiásticas e de seus pares. Essas duas propostas criam uma nuvem de suspeita sobre os homens gays no sacerdócio que só vai aumentar o medo, desencorajar vocações verdadeiras e causar grande sofrimento pessoal. Elas também vão privar a Igreja de muitos padres saudáveis e santos.

O primeiro erro do relatório é situar o tema dos padres gays sob o título "Propostas voltadas a apoiar a formação para a castidade e o celibato". Essa categorização sugere que o relatório enxerga os homens gays principalmente em termos de sexo e que seu maior desafio seria uma tendência à atividade sexual.

Esse enquadramento sugere que os homens heterossexuais, todos eles, estariam de algum modo preparados para integrar sua sexualidade de forma saudável, enquanto seus colegas gays não estariam. Basta observar a incidência de compulsão sexual entre homens heterossexuais para saber que isso não é verdade. A compulsão sexual é um fenômeno que não escolhe orientação sexual.

Depois de mais de 30 anos ministrando junto com padres gays, ouvi deles, repetidas vezes, que sua maior dificuldade não é o celibato, mas a impossibilidade de serem abertos com seus bispos, superiores e comunidades paroquiais sobre sua identidade. Ter que permanecer no armário aumenta a solidão, o isolamento e a incapacidade de ser plenamente autêntico junto às suas comunidades.

Essa repressão às vezes, mas nem sempre, leva a traumas psicológicos e pode resultar em comportamento sexual errático. Mas não é a identidade gay que causa esses problemas.

A causa é a dificuldade de serem abertos, por conta de políticas, estruturas e lideranças homofóbicas que os impedem de viver vidas honestas e autênticas. O clima de medo em torno da sexualidade dos candidatos gays pode facilmente favorecer problemas psicológicos que tornam o celibato mais difícil de ser honrado. Essas propostas ajudam a criar exatamente a atmosfera que dizem querer evitar.

A Proposta 11 afirma que a atração pelo mesmo sexo "é um tema difícil, dada tanto a complexidade da própria atração pelo mesmo sexo quanto as múltiplas camadas de discurso, teológico, pastoral, psicológico, em que esse tema necessariamente se apresenta".

É preciso perguntar: por que a homossexualidade é complexa e por que é difícil discuti-la? A sociedade em geral avançou muito no reconhecimento de que não há nada de misterioso nos homens gays. Quanto mais conversas públicas as pessoas tiveram, mais fácil se tornou discutir o tema. As lideranças da Igreja podem começar a praticar conversando com padres gays.

A ideia de "complexidade" sugere que só especialistas conseguem compreender uma questão. Ser gay não é complexo, é um simples fato da vida. São apenas as abstrações do magistério que o tornam complexo. Se especialistas são necessários, são os próprios homens gays que sabem melhor do que ninguém o que é ser gay. Eles são os especialistas. No entanto, nada neste relatório indica que homens gays tenham sido consultados em sua elaboração.

Se os pesquisadores tivessem consultado homens gays, teriam descoberto que seus interesses são múltiplos. Teriam visto que os homens gays precisaram superar enormes quantidades de medo, opressão, ocultamento, dúvida sobre si mesmos, exclusão e mensagens de que Deus não os amava de verdade.

Como resultado de superar esses obstáculos, eles desenvolveram grandes poços de coragem, liberdade, franqueza, confiança, inclusão e uma consciência profunda, muitas vezes conquistada a duras penas, do amor imenso de Deus por todos. Ser gay é muito mais do que sexo.

Além disso, o relatório revela o quão pouco as autoridades eclesiásticas conhecem sobre a vida plena de padres e seminaristas gays. Infelizmente, o clima de medo criado por este e por documentos anteriores impede que pesquisadores consigam coletar dados sobre a real vida dos padres gays. Quão mais rico seria este relatório se os autores tivessem tido acesso a essas informações!

Ainda mais triste é o fato de que este relatório não demonstra nenhuma consciência de como os padres gays continuam a trabalhar incansavelmente para espalhar o Evangelho e edificar a Igreja Católica. Suas contribuições têm sido inestimáveis. Sem homens gays no sacerdócio e no episcopado, a Igreja Católica estaria muito mais empobrecida. Padres gays não deveriam ser marginalizados e tratados com suspeita. Deveriam ser agradecidos com entusiasmo.

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