05 Agosto 2026
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulgou uma nova atualização de suas projeções para o El Niño no Brasil, reforçando o alerta de que os próximos meses devem ser marcados por forte incidência do fenômeno no clima nacional. Segundo o 2o boletim mensal do Painel El Niño, há 100% de probabilidade do fenômeno persistir até o início de 2027, pelo menos, com grande chance de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão.
A informação é publicada por ClimaInfo, 04-08-2026.
Os efeitos do El Niño serão sentidos de diferentes formas pelo país. No Sul, o risco é de maior ocorrência e intensidade de chuvas e tempestades. Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste devem sofrer secas prolongadas. Já as ondas de calor deverão ocorrer em praticamente todo o país ao longo dos próximos meses, com baixa umidade do ar e maior risco de incêndios florestais.
Segundo o Estadão, as chuvas de julho no Rio Grande do Sul já podem ser reflexo do fenômeno. O boletim do INMET alerta que a situação exige “atenção especial”, já que a região não apresenta déficit hídrico – ou seja, o solo já tem bastante água, diminuindo sua capacidade de absorção e favorecendo o transbordamento dos rios e inundações depois de chuvas mais intensas.
No Nordeste, a preocupação é com o agravamento da seca. O Globo destaca que a área afetada por estiagem moderada já alcança 40% da região, percentual superior ao observado no início do último El Niño, em 2023. A combinação entre estiagem e temperaturas mais altas pode pressionar ainda mais as condições hídricas e acelerar a perda de umidade do solo.
Na Amazônia Legal, o principal reflexo do El Niño será o atraso do início da estação chuvosa, com as condições mais secas persistindo durante parte da primavera. O cenário favorece temperaturas mais altas, perda de umidade e o aumento do risco de incêndios florestais e queimadas.
A situação hidrológica mais crítica do país é observada na Bacia do rio Paraguai, no Centro-Oeste. Segundo o UOL, predominam condições de seca severa a extrema, agravadas por sucessivos déficits de água acumulados ao longo da última década. O boletim do INMET também prevê intensificação do risco de fogo, com destaque para o Mato Grosso. A redução das chuvas também deve comprometer a produção agrícola.
A seca também será sentida com alguma intensidade no Sudeste. Em junho, 76% da região estava sob algum nível de seca, percentual superior ao registrado em igual mês de 2023, no último El Niño. O quadro pode se agravar caso a próxima estação chuvosa atrase ou tenha volumes de chuva abaixo da média histórica.
A MetSul destaca que o El Niño atingiu ao menos forte intensidade em dois critérios de monitoramento da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Segundo o Índice Oceânico Niño (ONI), a anomalia de temperatura na superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste, chegou a +2,3oC, valor que aponta um El Niño muito forte. Já pelo Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), a anomalia é de +1,5oC, o valor mínimo para a categoria de forte intensidade. Nos registros do ONI, jamais se viu o patamar de “Super El Niño” ser atingido tão cedo.
As projeções do INMET para o El Niño no Brasil também foram abordadas por CBN, CNN Brasil, Fantástico, GZH, Metrópoles e SBT, entre outros.
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