23 Julho 2026
A doação, feita pela Open Arms, busca garantir o fornecimento de eletricidade para a Unidade de Terapia Intensiva, cujos ventiladores dependem de geradores sobrecarregados pelos apagões resultantes do bloqueio energético dos EUA.
A reportagem é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 22-07-2026.
“Se conseguirmos salvar a vida de apenas um bebê prematuro, a missão a Cuba terá valido a pena”, disse o presidente da Open Arms, Óscar Camps, em entrevista ao elDiario.es a caminho de Cuba.
A iniciativa Rumbo a Cuba, que conta com a participação de mais de 150 entidades sociais, sindicais e políticas, além da Open Arms, chegou a Havana a bordo do navio Astral para "destacar o impacto humanitário do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba e fortalecer a resiliência energética do sistema de saúde cubano".
Nesse sentido, os membros já entregaram o equipamento fotovoltaico destinado a fornecer energia à Unidade de Cuidados do Hospital Pediátrico Juan Manuel Márquez, em Havana.
O principal objetivo da visita foi ao hospital pediátrico Juan Manuel Márquez, que ocorreu nesta segunda-feira em Havana, onde foram entregues equipamentos fotovoltaicos para reforçar a autonomia energética da Unidade de Terapia Intensiva e de outras áreas do hospital, bem como suprimentos de saúde, livros e material de escritório destinados à biblioteca do pavilhão de oncologia pediátrica.
A instalação, projetada em conjunto com a administração do hospital e o Ministério da Saúde Pública, inclui entre oito e dez sistemas de reserva para garantir pelo menos dez horas de energia elétrica para a UTI e o laboratório, complementados por 22 painéis solares destinados ao ar condicionado, para alimentar esses mesmos sistemas caso a interrupção seja prolongada.
A obra será concluída em cerca de três semanas, deixando ambas as usinas praticamente sem interrupções. Além da energia, a doação inclui suprimentos médicos e um aparelho de ultrassom diagnóstico que, segundo o chefe da UTI, permitirá a avaliação de crianças politraumatizadas ou neurocirúrgicas sem atrasos ou transferências arriscadas.
Na cerimônia de entrega, a direção do hospital descreveu a realidade diária de um centro de sete andares com 15 serviços hospitalares, sujeito a cortes de energia cada vez mais frequentes e prolongados, com apenas dois geradores operacionais, o que os obriga a escolher diariamente quais áreas receberão eletricidade.
Nesse contexto, as enfermeiras usam lanternas e lâmpadas recarregáveis para garantir que o tratamento não seja atrasado, e a equipe carrega comida e água andar por andar quando os elevadores estão fora de serviço. A diretora do centro, Araís Consuegra Otero, expressou sua gratidão pela ajuda, que permitirá garantir a segurança das crianças "independentemente do que aconteça com os cortes de energia".
Tanto as autoridades de saúde quanto a delegação internacional presente no evento fizeram um apelo a outros governos, empresas e organizações para que se juntassem ao projeto ou promovessem suas próprias iniciativas de ajuda, convictos de que cada painel solar que chega a uma UTI pediátrica cubana representa uma vida que pode ser salva.
A delegação da Rumbo a Cuba – Óscar Camps; Ana Miranda (BNG), Su Moreno (CUP), Miguel Urbán (Anticapitalistas), Simón Vázquez (diretor da Verso Libros) e Aída Llauradò (Comunes) – também foi recebida por representantes institucionais e meios de comunicação. A agenda inclui um encontro na Casa de las Américas, com exibição do documentário To Kyma sobre o trabalho de resgate da Open Arms no Mar Egeu durante a crise humanitária de 2015. Também está prevista uma atividade com crianças do bairro La Timba no centro cultural La Manigua.
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