Veleiro da ONG Open Arms chega a Cuba com 7 toneladas de ajuda humanitária para hospital pediátrico

Foto: Humam Musawwir/Pexels

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21 Julho 2026

Campanha 'Rumbo a Cuba' arrecadou cerca de 160 mil euros com mais de 4 mil doadores para auxiliar crianças de Havana.

A reportagem é de Gabriel Vera Lopes, publicada por Brasil de Fato, 20-07-2026.

Após percorrer cerca de 10 mil quilômetros pelo oceano Atlântico, o veleiro Astral, da ONG espanhola Open Arms, chegou no domingo ao porto de Havana com sete toneladas de ajuda humanitária — entre elas, painéis solares, baterias de reposição, materiais médicos e livros infantis — destinadas ao Hospital Pediátrico Juan Manuel Márquez.

A carga foi entregue nesta segunda-feira (20) como parte da campanha “Rumbo a Cuba”, uma iniciativa de arrecadação de fundos promovida por mais de 150 organizações sociais e políticas, com o objetivo de denunciar o bloqueio que os Estados Unidos mantêm contra a ilha.

Graças à contribuição de mais de 4 mil doadores, a campanha arrecadou cerca de 160 mil euros (932.402 reais), recursos utilizados para financiar os equipamentos destinados ao hospital pediátrico.

A doação busca contribuir para a autonomia energética da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), da área de cuidados intermediários e do laboratório clínico do centro de saúde, com o objetivo de reduzir os efeitos da asfixia energética imposta pelo governo dos Estados Unidos contra Cuba, que afeta o funcionamento do atendimento médico infantil.

O Astral partiu de Barcelona em maio e navegou cerca de 6.200 milhas náuticas. Em entrevista ao Brasil de Fato, Miguel Urbán, ex-eurodeputado e atual coordenador da “Rumbo a Cuba”, explicou que a missão busca retribuir a solidariedade que Cuba ofereceu durante décadas a outros povos.

“Em qualquer causa justa, em qualquer crise humanitária, havia um médico cubano. Nós, com esta ação, queríamos devolver ao povo cubano e ao seu sistema de saúde um pouco dessa solidariedade que ele espalhou pelo mundo”, afirmou.

“Com a situação que o povo cubano está vivendo justamente agora, como não estar em Cuba? Estamos diante de um autêntico cerco medieval, um crime de guerra por parte do imperialismo estadunidense contra o povo cubano”, seguiu.

De resgates no Mediterrâneo a missões humanitárias internacionais

Fundada em 2015 pelo socorrista Óscar Camps, a Open Arms é uma organização não governamental e fundação humanitária espanhola, com sede na Catalunha. Seu trabalho começou com o envio de embarcações de resgate ao mar Mediterrâneo para auxiliar pessoas migrantes e refugiadas em situação de vulnerabilidade.

Nos últimos anos, além das operações de resgate, a organização desenvolveu diversas missões humanitárias para levar assistência médica e logística a regiões afetadas por conflitos ou desastres.

“Para nós, a solidariedade entre os povos é fundamental. Na verdade, a Open Arms nasceu a partir da chamada — de forma equivocada — crise dos refugiados, quando milhares de pessoas arriscavam suas vidas no mar Egeu para tentar chegar às costas da Grécia, fugindo de conflitos, guerras e da violência”, explicou ao Brasil de Fato Laura Lanuza, diretora de Comunicação e Projetos da Open Arms.

“Desde aquele momento, colocamos as mãos à obra para ajudar e evitar que nenhuma vida fosse perdida no mar. É isso que fazemos há dez anos.”

A primeira intervenção da organização ocorreu em 2015, na ilha grega de Lesbos e no mar Egeu, onde resgatou milhares de refugiados e imigrantes que tentavam chegar à Grécia a partir da Turquia.

Lanuza lembrou que, desde então, a organização tem trabalhado de forma ininterrupta para salvar vidas. Em 2024, a Open Arms integrou um corredor humanitário marítimo para transportar toneladas de alimentos e suprimentos médicos para a Faixa de Gaza. Atualmente, além da missão de solidariedade em Cuba, a organização também colabora em operações de resgate na Venezuela.

“É justamente a demonstração de que a população civil, com nossa solidariedade e nossos princípios, pode fazer muitas coisas e, de alguma forma, colocar um espelho diante das administrações e dos Estados para que percebam que é possível agir. Muitas vezes, as coisas não são feitas por uma falta de ação deliberada por parte dos Estados, mas a população civil, a partir de um barco como o nosso, da Open Arms, pode fazer muitas coisas, assim como muitas outras organizações da sociedade civil”, afirmou.

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