17 Julho 2026
Pelo menos 12 mil mortes adicionais foram registradas em uma dúzia de países europeus durante a onda de calor de junho, de acordo com uma compilação de dados oficiais feita pela AFP, um número preliminar que pode aumentar à medida que as estatísticas forem concluídas.
A reportagem é publicada por Página/12, 17-07-2026.
Entre 22 e 28 de junho, período em que a onda de calor atingiu seu pico em vários países, os institutos nacionais da Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Holanda, Suíça e Luxemburgo registraram quase 10.000 mortes a mais do que o esperado.
Este número soma-se às 2.200 mortes relacionadas à onda de calor na Inglaterra e no País de Gales, segundo estimativas publicadas pelo serviço meteorológico britânico, o Met Office, que abrangem um período ligeiramente mais longo, de 18 a 28 de junho.
Dados preliminares da plataforma europeia de monitoramento do excesso de mortalidade, EuroMOMO, também indicam um aumento significativo durante a última semana de junho, com 14.260 mortes acima do esperado.
Este modelo estatístico baseia-se em dados oficiais de 24 países, representando aproximadamente 400 milhões de habitantes.
“O verão ainda não acabou”, alertou Hans Henri Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, na quinta-feira. “Temos as ferramentas para evitar essas mortes.” Atualmente, “muitos governos continuam a tratar o calor como um fenômeno meteorológico em vez de uma emergência de saúde pública”, acrescentou em comunicado.
"Dramático"
Até o momento, esta semana de junho registrou o maior excesso de mortalidade desde o início dos registros harmonizados do EuroMOMO em 2020.
De todas as semanas do verão no hemisfério norte dos últimos sete anos, esta "semana 26" de 2026 só é superada por outra em julho de 2022, durante a pandemia de covid-19.
“Até onde sabemos, não há outras causas para esse excesso de mortalidade além do calor, e isso é bastante dramático”, explicou Lasse Vestergaard, epidemiologista do centro de pesquisa dinamarquês Statens Serum Institut e coordenador do EuroMOMO.
O especialista descreve essa tendência como "altamente incomum", mas recomenda cautela na interpretação dos dados mais recentes. A EuroMOMO acredita que são necessárias quatro semanas para consolidar as estimativas.
De acordo com o grupo de cientistas World Weather Attribution, as ondas de calor de junho teriam sido praticamente impossíveis sem as mudanças climáticas.
Milhares de mortos na Alemanha
Os métodos utilizados para contabilizar o excesso de mortalidade relacionada ao calor frequentemente diferem entre os países.
No caso da Espanha, o sistema de vigilância da mortalidade do Centro Nacional de Epidemiologia, utilizado pelo Ministério da Saúde, atribuiu 610 mortes ao calor entre 22 e 28 de junho, das quais quase dois terços corresponderam a pessoas com mais de 85 anos de idade.
A Alemanha registrou 5.780 mortes adicionais na 26ª semana do ano em comparação com a média dos três anos anteriores, segundo cálculos baseados em dados do Escritório Federal de Estatística (Destatis). Em comparação com as duas semanas anteriores, o Destatis registrou 7.100 mortes adicionais.
Na França, foram registradas mais de 2.000 mortes adicionais naquela mesma semana em comparação com a semana anterior, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Pública.
Na Bélgica, o instituto científico público Sciensano registrou 750 mortes em excesso somente entre 27 e 28 de junho, de um total de 1.747 entre 18 de junho e 1º de julho, um número recorde durante uma onda de calor no século XXI.
Dados do Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda (RIVM) mostram quase 600 mortes a mais do que o esperado na Holanda entre 22 e 28 de junho, e cerca de 220 na Suíça durante o mesmo período, de acordo com números do Escritório Federal de Estatística.
Diversos países da Europa Central e Oriental, também afetados pela onda de calor de junho, incluindo a Eslováquia e a Hungria, ainda não divulgaram dados preliminares.
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