Vaticano teria feito uma crítica velada ao embaixador de Trump?

Encontro de 13 de setembro de 2025 entre o Papa Leão XIV com Brian Francis Burch, embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé. (Foto: Vatican News)

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15 Julho 2026

O representante escolhido a dedo por Donald Trump para o Vaticano insiste que, quando Leão disse que a guerra liderada pelos EUA no Irã não atendia aos critérios de uma guerra justa, ele não estava falando como líder moral da maior denominação religiosa do mundo.

Vaticano, ao que parece, discorda.

A informação é de Justin McLellan, publicada por National Catholic Reporter, 13-07-2026. 

Após Brian Burch, embaixador dos EUA junto à Santa Sé, caracterizar as críticas do papa à guerra como a intervenção de um chefe de Estado "em pé de igualdade" com o presidente dos EUA — em vez de um pronunciamento do chefe da Igreja Católica — um dos principais funcionários de comunicação do Vaticano pareceu responder com sua própria interpretação do cargo papal.

O estatuto do papa como chefe de Estado existe para garantir a sua independência em relação aos poderes políticos, escreveu Andrea Tornielli, diretor editorial do Dicastério para a Comunicação do Vaticano, num editorial publicado a 13 de julho pelo canal de comunicação estatal do Vaticano.

"Qualquer glorificação ou exagero do papel do Papa como chefe de Estado, qualquer ênfase na importância desse papel, é, portanto, enganosa, porque ocorre em detrimento de sua única e verdadeira missão como Pastor universal", escreveu ele.

Embora Tornielli não tenha mencionado Burch nominalmente, o comentário aparentemente espontâneo foi publicado no site oficial de notícias do Vaticano quatro dias após a entrevista do embaixador ao The New York Times.

Nessa entrevista, Burch "argumentou que, quando o papa se manifestou contra a guerra, ele não o fez como líder da Igreja Católica Romana, o vigário de Cristo, mas apenas como o líder político soberano da Cidade-Estado do Vaticano", relatou o Times.

Segundo o artigo do Times, Burch afirmou que "quando o papa age como líder soberano da Santa Sé, ele está em pé de igualdade com os líderes mundiais".

No entanto, o comentário, que não citou nenhum evento específico, afirmou que quando o papa "clama pelo fim da corrida armamentista insana — indo além do conceito de uma 'guerra justa'… o Sucessor de Pedro não está falando como chefe de Estado. Ele está simplesmente proclamando o Evangelho."

Em seu voo para a Espanha no mês passado (6 de junho), Leão disse que "no Irã, os critérios para uma guerra justa não estão presentes".

"A teoria da guerra justa remonta a séculos atrás, quando era impossível imaginar as armas e a capacidade destrutiva disponíveis à humanidade hoje", continuou o papa.

Burch, no entanto, disse ao Times que "o Vaticano não disse, nem dirá, declarar definitivamente se esta é uma guerra justa ou injusta", argumentando que o papa não poderia fazer tal julgamento porque tinha acesso apenas a "um conjunto limitado de fatos".

A teoria da guerra justa ganhou destaque na Igreja desde que os Estados Unidos iniciaram sua campanha militar no Irã, levando clérigos proeminentes, incluindo o Cardeal Robert McElroy, de Washington, a questionar a moralidade da guerra. Em sua recente encíclica sobre a humanidade na era da inteligência artificial, Leão escreveu que a teoria da guerra justa está "ultrapassada".

Os cardeais de todo o mundo discutiram a abordagem da Igreja à teoria da guerra justa quando se reuniram em Roma no mês passado (26 e 27 de junho), embora nenhuma revisão definitiva dos ensinamentos da Igreja tenha sido anunciada.

A aparente repreensão do Vaticano a Burch destaca as relações tensas entre Washington e Roma, que foram alimentadas pela reação aberta do vice-presidente católico JD Vance à compreensão do papa sobre a teoria da guerra justa e pontuadas pelas próprias diatribes digitais do presidente contra Leão.

Na entrevista ao Times, porém, Burch minimizou a retórica de Trump, dizendo que ele estava "negociando" com o papa para garantir seu apoio na prevenção de um desastre nuclear global.

Essas tensões não impediram Leão, o primeiro pontífice nascido nos EUA, de fazer gestos amistosos em relação ao seu país natal.

Após retornar de uma visita à ilha italiana de Lampedusa, um dos principais destinos de migrantes, no dia 4 de julho, Leão visitou a residência do embaixador dos EUA para uma celebração do Dia da Independência, onde foi presenteado com uma torta de maçã caseira.

O escritório do National Catholic Reporter em Roma só é possível graças à generosidade de Joan e Bob McGrath.

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