Lula em reunião do G-7: "Eu nunca fui de esquerda"

Lula e Friedrich Merz | Foto: Ricardo Stuckert / PR

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18 Junho 2026

Um microfone aberto capta a conversa entre o brasileiro, o chefe do FMI e o alemão Merz na cúpula.

A reportagem é de Naiara Galarraga Gortázar, publicada por El País, 18-06-2026.

Poucos presidentes em exercício têm tanta experiência e tantas cúpulas no currículo quanto Luiz Inácio Lula da Silva, que aos 80 anos cumpre seu terceiro mandato. “Eu nunca fui de esquerda, fui líder sindical”, confessou Lula nesta quarta-feira em uma reunião informal durante a cúpula do G7 na França. Essas palavras, captadas por um microfone aberto, faziam parte de uma conversa particular com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o ministro das Relações Exteriores, Friedrich Merz, com quem ele conversava na cúpula das economias mais desenvolvidas do mundo e convidados, incluindo o Brasil. Lula, fundador do Partido dos Trabalhadores, se prepara para concorrer às eleições de outubro.

Lula abordava a situação política geral, falando em português com um tradutor para Georgieva e Merz, quando passou a um tema pessoal: “O mundo não é de esquerda, é de centro. Essa é a verdade”, disse. Continuou: “Nunca fui de esquerda; fui líder sindical”. Em seguida, relembrou a década de 1970, suas relações internacionais durante o período em que liderou os trabalhadores brasileiros: “Tive uma relação forte com os sindicatos alemães, com os sindicatos italianos e com a UGT na Espanha”.

Lula e sua equipe geralmente preferem o rótulo de social-democrata. Líder incontestável da esquerda brasileira, ele nunca foi radical; é um camaleão, muito pragmático, negociador nato. Nesta reunião do G7, outros líderes foram vítimas da indiscrição de um microfone aberto.

Os presidentes Lula e Trump estavam presentes na cúpula, mas não se encontraram, embora o presidente brasileiro tenha entregado a Trump documentos para demonstrar que a ameaça de novas tarifas é injusta. Depois que o presidente americano declarou à imprensa que "o Brasil se tornou um país politicamente perigoso", Lula retrucou: "No que me diz respeito, você pode continuar gostando dos Bolsonaros — o pai, o filho, o neto — sem problema algum. Mas não interfira nas eleições brasileiras, porque elas são problema do Brasil."

O republicano, que acaba de completar 80 anos, vivenciou na cúpula de Évian-les-Bains o que muitos fora do Brasil também vivenciaram. Ele se confundiu ao se referir aos filhos de Bolsonaro. Confundiu Eduardo, recentemente condenado e residente no Texas, com Flávio, um dos candidatos à presidência.

A declaração de Lula negando ser "de esquerda" surge num momento em que a esquerda está perdendo terreno globalmente. Isso é particularmente evidente na América Latina. No domingo, os colombianos elegerão um presidente. Se as pesquisas estiverem corretas, Abelardo de la Espriella, figura proeminente da extrema-direita anti-establishment, vencerá o herdeiro político de Petro.

Caso essa mudança se concretize, ela aprofundará a guinada regional à direita, seja em sua forma extrema ou clássica. O isolamento dos presidentes Lula, Claudia Sheinbaum, do México, e Yamandú Orsi, do Uruguai, será exacerbado.

Os brasileiros decidirão em outubro se concedem a Lula um quarto mandato ou um segundo à família Bolsonaro. Esse é o cenário mais provável. O presidente tem uma ligeira vantagem. Mas a Colômbia é um exemplo de como as pesquisas podem falhar e de como o humor do eleitorado pode mudar rapidamente. O esquerdista Iván Cepeda perdeu o primeiro turno por quase três pontos percentuais, depois de liderar as pesquisas por muitos meses.

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