Trump não consegue encontrar uma saída digna do Irã, e Netanyahu não o ajudará a encontrá-la

Foto: Wikimedia Commons | The White House

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10 Junho 2026

A única saída realista é uma negociação na qual ele dificilmente conseguirá muito mais do que já havia conseguido em maio de 2018, quando decidiu romper o acordo nuclear alcançado por Obama.

O artigo é de Jesus A. Nunez, economista e militar aposentado, codiretor do Instituto de Estudos de Conflitos e Ação Humanitária (IECAH), publicado por El Diario, 09-06-2026.

Eis o artigo.

À primeira vista, o que aconteceu em 7 de abril, quando cerca de vinte mísseis iranianos foram lançados em território israelense, pode parecer parte da guerra rotineira na qual ambos os países, sem esquecer o óbvio envolvimento dos EUA, estão há muito tempo envolvidos. No entanto, a decisão do regime iraniano é sem precedentes — é a primeira vez que o Irã lança mísseis de seu próprio território contra Israel em resposta a ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF) contra o Hezbollah em solo libanês — e pode provocar mudanças substanciais na dinâmica de negociação e escalada que vem se desenrolando desde a suposta trégua iniciada em 8 de abril.

O fato de o Irã ter optado por lançar seus próprios mísseis, sem recorrer a grupos paramilitares (como o Hezbollah, o Ansar Allah ou o Hamas) e sabendo que Israel responderia, indica não apenas sua capacidade de continuar reagindo à agressão em seu próprio território, mas também, ao passar das palavras aos atos, sua disposição de vincular seu destino ao de seus aliados regionais. Esses aliados são vitais para seu objetivo de resistir à pressão e às tentativas de miná-lo vindas de Washington e Tel Aviv, na medida em que lhe oferecem poder de influência para tentar dissuadir e punir seus inimigos.

Ao mesmo tempo, essa ousadia iraniana, arriscando-se a novos golpes, indica que o regime se sente capaz de resistir ao desafio imposto por Donald Trump. Longe de recuar, Teerã deixou claro que sua exigência de que Israel cesse os ataques no Líbano não é mera bravata, mas um ato político direcionado diretamente a um Trump cada vez mais desesperado.

De fato, Trump confirmou na terça-feira que o Irã abateu um helicóptero americano que patrulhava o Estreito de Ormuz na noite de segunda-feira. "Os EUA devem, necessariamente, responder a este ataque", afirmou. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Aragchi, respondeu: "Para reduzir o risco, a melhor solução é que eles se retirem. Preferimos a linguagem da diplomacia, mas também falamos outras línguas."

Além da dificuldade de "vender" um novo acordo como uma vitória conquistada com muito esforço, Trump enfrenta um Benjamin Netanyahu que não está disposto a abandonar seu plano.

Trump precisa desesperadamente de algum tipo de acordo para estancar a sangria causada por seus erros de cálculo, inclusive entre seus próprios apoiadores. A urgência é tão palpável que oferece ao regime iraniano uma vantagem adicional para resistir ao ataque. O ocupante da Casa Branca sabe que a opção militar, a menos que seu próprio desespero o leve a considerar o uso de armas nucleares, não garante um resultado melhor do que o que ele já obteve por meios convencionais, unindo forças com Tel Aviv.

Isso o deixa sem outra opção realista senão negociações, nas quais dificilmente conseguirá muito mais do que já havia conseguido em maio de 2018, quando decidiu romper o acordo nuclear firmado por Obama em 2015. Mas, além da dificuldade de "vender" um novo acordo como se fosse uma vitória valiosa — quando ele não alcançará nem a eliminação definitiva do programa nuclear iraniano, nem seus arsenais e programas de mísseis, nem o apoio a seus aliados regionais, nem a restauração do livre tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — ele se depara com um Benjamin Netanyahu que não está disposto a desistir de seu plano.

Netanyahu demonstrou repetidamente seu desprezo pelo direito internacional e seu desejo de redesenhar o mapa do Oriente Médio a seu bel-prazer — deixando Israel como potência hegemônica regional, desfrutando do monopólio nuclear e com poder suficiente para violar as fronteiras de seus vizinhos à vontade. O Líbano é apenas um dos cenários onde essa visão egoísta e a vergonhosa passividade da comunidade internacional ficam evidentes. Ao mesmo tempo, é claro que Netanyahu está fazendo tudo ao seu alcance para impedir um acordo entre Washington e Teerã, determinado a prosseguir com sua estratégia de força até a rendição final de seus oponentes.

Essa atitude entra em conflito direto com os planos de Trump. Por um lado, precisando de uma redução nas tensões para viabilizar o acordo com o Irã, o presidente americano tenta impedir que Netanyahu intensifique o conflito para uma guerra declarada. Se não se juntar a ele em sua aventura militarista e não permitir que ignore todas as regras contra o Irã e o Líbano, será acusado de abandonar seu principal aliado na região. Mas se aceitar, estará reconhecendo que Tel Aviv tem poder de veto sobre as exigências americanas.

Portanto, enquanto iranianos e israelenses se envolvem mais uma vez em um jogo de ação e reação em escala muito limitada, o máximo que Trump pode previsivelmente alcançar com seu aliado israelense é uma moderação dos ataques em ambas as frentes. E uma das estratégias que ele está usando para conseguir isso é convencê-lo de que sua hipotética moderação poderia ser recompensada com a assinatura dos Acordos de Abraão por vários países do Golfo; ou seja, o reconhecimento de Israel e a normalização completa das relações, o que implicaria o abandono definitivo da causa palestina.

É uma "cenoura" que dificilmente convencerá Netanyahu, até porque esses mesmos países do Golfo não parecem dispostos a dar um passo dessa magnitude quando estão sofrendo as consequências da guerra

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