03 Junho 2026
“Você está completamente fora de si”, gritou o presidente americano ao telefone, de acordo com a reconstrução feita por Barak Ravid, geralmente bem informado, do Axios.
A reportagem é de Anna Lombardi, publicada por La Repubblica, 03-06-2026.
A fúria de Donald Trump atingiu seu aliado israelense Benjamin Netanyahu quando era hora do almoço nos Estados Unidos, 20h em Israel, e os bombardeiros já estavam no ar rumo a Beirute: "Você está completamente fora de si", gritou o presidente americano ao telefone, segundo Barak Ravid, do Axios, conhecido por suas informações precisas. Ele salpicou a declaração com uma enxurrada de insultos: "Se não fosse por mim, você já estaria na cadeia. Estou salvando a sua pele", disse ele, de acordo com uma fonte, citando as frases mais marcantes na íntegra. "Todo mundo te odeia agora. Todo mundo odeia Israel por causa disso." Outra fonte acrescentou que os gritos do presidente foram claros: "Que porra você está fazendo?", ele teria berrado em um dado momento.
Extremamente irritado, de fato, porque a tentativa, anunciada desde a manhã de segunda-feira, de agravar a situação no Líbano atacando o reduto do Hezbollah nos arredores da capital, com direito a ordem de evacuação para a população, estava prestes a inviabilizar as negociações com Teerã. Até mesmo a extensão da escalada israelense no pequeno país dos Cedros pareceu exagerada para o presidente da Casa Branca. Em certo momento, ele chegou a dizer: "Eu sei que o Hezbollah ataca vocês constantemente, mas há muitas vítimas civis". Uma referência às 3.433 mortes desde o início do conflito. O presidente também se opôs à decisão israelense de "destruir prédios inteiros para eliminar um único comandante do Hezbollah". Segundo fontes, o israelense simplesmente respondeu: "Eu cuido disso".
Após a fúria diminuir, Trump simplesmente escreveu nas redes sociais: "Está tudo bem agora. Tive uma conversa produtiva com Netanyahu. Não haverá tropas a caminho de Beirute. As que já foram enviadas estão voltando." Ele também revelou que teve "uma conversa muito boa com o Hezbollah" — uma circunstância que provocou indignação em Israel — "eles concordaram em cessar todos os combates ao fogo."
Vinte e quatro horas após o desabafo, e quando a gravação da ligação telefônica vazou, o gabinete do primeiro-ministro negou os insultos do presidente americano. Admitiram que a ligação foi de fato "muito tensa". Mas, ao contrário do que foi noticiado, "Trump não disse nada pessoal a Netanyahu". Negaram tanto as declarações sobre o risco de prisão quanto a afirmação de que o mundo o odeia. A declaração, argumentaram, foi outra: "Trump disse que é difícil apresentar a posição de Israel ao mundo e que isso gera hostilidade contra ele".
Ao longo do dia de ontem, Netanyahu, por outro lado, demonstrou serenidade: "A posição de Israel permanece inalterada. Se o Hezbollah atacar nossas cidades e nossos cidadãos, atacaremos alvos terroristas em Beirute. E continuaremos a operar no sul do Líbano."
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